Sardar Azmoun está debaixo de fogo no Irão. IMAGO
Sardar Azmoun está debaixo de fogo no Irão. IMAGO

Acusado de traição, estrela da seleção do Irão corre risco de vida

Sardar Azmoun é o segundo melhor marcador da história da seleção iraniana, com 57 golos em 91 internacionalizações. O antigo jogador do Bayer Leverkusen e da Roma já teve problemas com o regime que está mais agressivo, tendo enforcado esta semana um lutador de 19 anos

Sardar Azmoun, o melhor marcador em atividade da seleção iraniana, foi afastado da equipa nacional e enfrenta a possibilidade de ser julgado por «traição». A decisão surge após o jogador ter publicado uma fotografia com altos dignitários do Dubai, onde joga atualmente.

O avançado de 31 anos, que representa o Shabab Al-Ahli, foi excluído da convocatória para os próximos jogos de preparação para o Mundial, contra a Nigéria (27 de março) e a Costa Rica (31 de março). A sua participação no torneio, que se realiza este verão, está agora em sério risco.

A polémica foi espoletada pela publicação de fotografias nas suas redes sociais, nas quais surge a cumprimentar Bin Rashid e Bin Zayed, governantes dos Emirados Árabes Unidos. Na legenda, Azmoun escreveu: «Conhecer uma das mentes mais brilhantes do mundo foi um prazer e uma honra».

A notícia do afastamento foi avançada pela agência Fars, próxima da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, que titulou a notícia como «A nova traição de Sardar Azmoun à pátria». A agência noticiou que a atitude do jogador, que não tinha reagido aos «crimes dos Estados Unidos e do regime sionista», causou agitação no país.

A mesma fonte recordou que o poder judicial já tinha alertado que a cooperação com o inimigo resultaria em «ações contundentes e no confisco de bens». Uma fonte da seleção confirmou à agência que Azmoun foi expulso e que todos os jogadores foram informados, esperando-se que sejam tomadas medidas judiciais contra o avançado «o mais rapidamente possível».

Sardar Azmoun é o segundo melhor marcador da história da seleção iraniana, com 57 golos em 91 internacionalizações. O antigo jogador do Bayer Leverkusen e da Roma já teve problemas com o regime no passado.

Recorde-se que, há três anos, antes do Mundial do Qatar 2022, o avançado condenou publicamente o assassinato da jovem Mahsa Amini pela Polícia da Moral. Na altura, as autoridades iranianas pressionaram o então selecionador, Carlos Queiroz, para não o convocar, mas o técnico português acabou por incluir Azmoun na lista final. Desta vez, a sua presença na seleção parece ser uma impossibilidade.

O conhecido jornalista desportivo Mohamed Misaghi, na televisão pública iraniana, também se manifestou de forma dura: «Não devemos ter rodeios com este tipo de pessoas. É preciso dizer-lhes que não são dignas de vestir a camisola da seleção nacional. Não temos paciência para este comportamento infantil. Os jogadores da seleção nacional devem ser pessoas que entoem com orgulho o hino nacional e mereçam vestir a camisola do Irão».