Acusado de traição, estrela da seleção do Irão corre risco de vida
Sardar Azmoun, o melhor marcador em atividade da seleção iraniana, foi afastado da equipa nacional e enfrenta a possibilidade de ser julgado por «traição». A decisão surge após o jogador ter publicado uma fotografia com altos dignitários do Dubai, onde joga atualmente.
« Il refuse d’être à la botte des mollahs » : Sardar Azmoun, le « Messi de l’Iran » exclu de l’équipe nationale pour ses convictions
— Le Parisien (@le_Parisien) March 22, 2026
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O avançado de 31 anos, que representa o Shabab Al-Ahli, foi excluído da convocatória para os próximos jogos de preparação para o Mundial, contra a Nigéria (27 de março) e a Costa Rica (31 de março). A sua participação no torneio, que se realiza este verão, está agora em sério risco.
A polémica foi espoletada pela publicação de fotografias nas suas redes sociais, nas quais surge a cumprimentar Bin Rashid e Bin Zayed, governantes dos Emirados Árabes Unidos. Na legenda, Azmoun escreveu: «Conhecer uma das mentes mais brilhantes do mundo foi um prazer e uma honra».
Iran bans footballer Sardar Azmoun from national team after photo with UAE leaders; he will miss this summer’s World Cup in the U.S., Mexico, and Canada. pic.twitter.com/QBRrKssKc6
— Open Source Intel (@Osint613) March 20, 2026
A notícia do afastamento foi avançada pela agência Fars, próxima da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, que titulou a notícia como «A nova traição de Sardar Azmoun à pátria». A agência noticiou que a atitude do jogador, que não tinha reagido aos «crimes dos Estados Unidos e do regime sionista», causou agitação no país.
A mesma fonte recordou que o poder judicial já tinha alertado que a cooperação com o inimigo resultaria em «ações contundentes e no confisco de bens». Uma fonte da seleção confirmou à agência que Azmoun foi expulso e que todos os jogadores foram informados, esperando-se que sejam tomadas medidas judiciais contra o avançado «o mais rapidamente possível».
Sardar Azmoun é o segundo melhor marcador da história da seleção iraniana, com 57 golos em 91 internacionalizações. O antigo jogador do Bayer Leverkusen e da Roma já teve problemas com o regime no passado.
Recorde-se que, há três anos, antes do Mundial do Qatar 2022, o avançado condenou publicamente o assassinato da jovem Mahsa Amini pela Polícia da Moral. Na altura, as autoridades iranianas pressionaram o então selecionador, Carlos Queiroz, para não o convocar, mas o técnico português acabou por incluir Azmoun na lista final. Desta vez, a sua presença na seleção parece ser uma impossibilidade.
O conhecido jornalista desportivo Mohamed Misaghi, na televisão pública iraniana, também se manifestou de forma dura: «Não devemos ter rodeios com este tipo de pessoas. É preciso dizer-lhes que não são dignas de vestir a camisola da seleção nacional. Não temos paciência para este comportamento infantil. Os jogadores da seleção nacional devem ser pessoas que entoem com orgulho o hino nacional e mereçam vestir a camisola do Irão».