Kylian Mbappé decidiu o El Clásico em Camp Nou com um bis
Kylian Mbappé decidiu o El Clásico em Camp Nou com um bis - Foto: IMAGO

«Paguei 2.800 euros, festejámos um golo e acabámos a ver o El Clásico num táxi»

Frantisek Vavrek, adepto eslovaco do Real Madrid, denunciou uma expulsão do Camp Nou, dele e do filho, após ambos celebrarem o primeiro golo de Mbappé na zona do rival

Uma prenda de aniversário de sonho que acabou em pesadelo e com queixa pública. Frantisek Vavrek, adepto eslovaco do Real Madrid, denunciou à Marca ter sido expulso das bancadas do Camp Nou juntamente com o filho, Denis, após terem festejado um golo de Mbappé no El Clásico frente ao Barcelona. O clube catalão ainda não se pronunciou sobre o caso ao jornal espanhol.

A viagem começou em Presov, na Eslováquia, com um trajeto de 300 quilómetros de carro até Budapeste antes do voo com destino a Barcelona. Denis completara 18 anos a 5 de setembro e o pai tinha-lhe prometido a estreia ao vivo no grande duelo do futebol espanhol. Na comitiva seguiam também o amigo Krunoslav Pipinic e o filho deste, Kresimir — que completara igualmente a maioridade dois dias antes da partida —, ambos adeptos blaugrana.

Para assistir ao encontro no setor 113 (fila 15), Frantisek Vavrek desembolsou 5.600 euros através da agência eslovaca Iná liga tour s. r. o., distribuídos em duas transferências de 2.800 euros (1.400 euros por cada um dos quatro bilhetes de primeira categoria). De acordo com o seu testemunho, nem a agência nem a aplicação oficial do Barcelona indicavam qualquer proibição ao uso de camisolas do Real Madrid.

O primeiro contratempo surgiu logo à entrada do recinto, quando os seguranças barraram a passagem devido à indumentária merengue e apontaram para os caixotes do lixo como destino para a peça de roupa. «Disse ao Denis: 'Somos madridistas. Nunca vamos atirar a nossa camisola para o lixo'», recordou Vavrek, explicando que guardaram as camisolas para aceder ao estádio e as vestiram cerca de 20 minutos antes do apito inicial, refutando a ideia de que o tenham feito após o golo com o intuito de provocar os adeptos da casa.

O momento crítico deu-se por volta do minuto 40, quando Mbappé inaugurou o marcador. «Não cometemos nenhum ato violento, não ameaçámos ninguém nem incitámos à violência. Simplesmente celebrámos um golo pondo-nos de pé e abraçando-nos», garantiu Frantisek, indicando os acompanhantes como testemunhas.

Cerca de dez elementos da segurança privada retiraram pai e filho da bancada sob assobios e gestos ofensivos da assistência. Embora inicialmente lhes tenha sido transmitido que poderiam regressar caso despissem as camisolas, a ordem foi revogada após contacto via rádio com a chefia de segurança: «Disseram-nos que demasiados adeptos do Barcelona já nos tinham reconhecido e que não podiam garantir a nossa segurança. Temiam que fôssemos agredidos se voltássemos aos mesmos lugares.»

Sem oferta de lugares alternativos, a polícia de segurança interveio de seguida para verificar as identificações e redigir autos de ocorrência baseados no relato dos seguranças, imputando aos visados exibição de camisolas, provocações e conduta com enquadramento de incitamento à violência — acusações que o pai rejeita em absoluto, solicitando a visualização das imagens de videovigilância.

Após cerca de 45 minutos retidos nas averiguações das autoridades, pai e filho acabaram por abandonar o local e seguir a reta final do clássico através do telemóvel no interior de um táxi. Vavrek foi instruído a apresentar uma reclamação formal ao Barcelona para tentar reaver o valor investido, admitindo que ainda não formalizou a queixa por escrito e que não recebeu qualquer reembolso.

O que deveria ter sido uma experiência inesquecível de aniversário acabou de forma inesperada. Depois de terem sido forçados a abandonar o estádio, Vavrek e Denis apanharam um táxi rumo ao apartamento onde estavam instalados, consumidos pela desilusão de verem frustrado o momento preparado para celebrar a data festiva.

Apesar do sucedido, Vavrek recusa qualquer aproveitamento da situação. «Não quero fomentar o ódio entre os adeptos do Real e do Barcelona. Não peço bilhetes grátis nem um tratamento especial», esclareceu. Quando o amigo Krunoslav lhe telefonou para saber se também deveria deixar o recinto, o pedido foi claro: que ficasse nas bancadas a desfrutar do encontro.

Já no interior do táxi, o desfecho do jogo passou a ser acompanhado à distância. Conforme relata e comprova através de um vídeo partilhado, continuaram a assistir ao El Clásico através do telemóvel. A emoção acabou por falar mais alto num dos lances, tendo ambos celebrado com tanta intensidade que chegaram a assustar o próprio motorista, momento que Vavrek garante também ter gravado.

No final, fica a amargura de uma promessa cumprida de modo adverso: «Antes de viajar prometi ao Denis que nunca esqueceria o seu primeiro El Clásico. Cumpri a minha promessa. Nenhum dos dois esquecerá esse dia. Infelizmente, não pelas razões que eu tinha imaginado enquanto pai.»

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