Anísio festeja o golo que deu a vitória do Benfica diante do Alverca - Foto: IMAGO

Quem senão o miúdo a manter a águia na corrida? (crónica)

José Mourinho apostou ainda mais na vertigem, com Rafa no lugar de Sudakov, mas tanta chuva pedia discernimento e uma finalização mais cirúrgica. Anísio voltou a entrar para repetir 'acreditem na formação'

Ainda não caíra o primeiro minuto e Prestianni já tinha roubado uma bola no meio-campo ofensivo e Sidny, agora lateral na ausência de Dedic e Banjaqui, arrancado um cruzamento. Aos 2', Schjelderup desenhava a primeira diagonal, servindo-se pela primeira vez do posicionamento entre linhas que Mourinho tinha à espera de Rafa no corredor interior. O remate, no entanto, não passou o guarda-redes Mateus Mendes.

A forte entrada abrandou depois — o Alverca sentia a necessidade de reter a bola e também atacar, assentando muito no talento de Chiquinho sobre a esquerda, com Sidny exposto pela projeção junto à linha — até Prestianni voltar a dar problemas à defesa do Alverca, mais concretamente a Meupiyou, à passagem do quarto de hora. Pavlidis serviu então Aursnes, que rematou com perigo.

Na resposta, os ribatejanos foram bloqueados na saída pouco depois da linha do meio-campo. Sidny passou a Barreiro, que viu Prestianni. O argentino acelerou e colocou em Rafa, que tentou a trivela. Mateus defendeu para a frente e Schjelderup empurrou: 1-0.

Sentindo as crónicas dificuldades do adversário em controlar os encontros, a equipa de Custódio desenhava aos 20' a primeira verdadeira ameaça. Chiquinho, sempre ele, cruzou da esquerda, Figueiredo assistiu Marezi sem deixar cair e a bola passou Otamendi, numa abordagem deficiente do capitão, ainda que tocada o suficiente para trair o sérvio. Três minutos depois, Chiquinho escapou-se a Sidny, que via o amarelo e ficava desde logo condicionado.

A vantagem não parecia segura. E não estava. Aos 29', Aursnes, que dividiu com Prestianni o protagonismo na primeira metade, tentou servir o argentino com um passe longo. Este rodou, mas, perante Mateus, não conseguiu finalizar. E, na resposta, os ribatejanos empataram. Chiquinho voltou a aproveitar a ausência de Sidny, bateu para a diagonal inside-out de Marezi, que cruzou rasteiro. Otamendi, a olhar apenas para a bola, não viu que Figueiredo atacava o espaço nas suas costas, com Dahl atrasado. 1-1.

O ataque do Benfica acordava sempre que a bola chegava a Prestianni ou Aursnes, mas o abuso da bola para as costas da defesa do Alverca acabava em muitas perdas e em parada e resposta. Muita vertigem, pouca cabeça. À chuva.

E CHIQUINHO NÃO VOLTA...

A maior dor de cabeça para as águias não voltou para o segundo tempo. Entrava Fabrício.

Aos 50', Sidny fez o que faz geralmente bem quando a bola está a jeito: cruza-a. Rafa, mesmo com a superioridade numérica (linha de 5, por vezes 6) dos ribatejanos, atacou o primeiro poste e acertou no outro. Uma jogada que galvanizou os locais, sucedendo-se tiros perigosos de Rafa, Sidny e Pavlidis (que desperdício do grego!). Prestianni e Aursnes mantinham o nível, agora com companhia.

O 2-1 andava perto. A reação à perda, sem a ameaça de Chiquinho, ajudava a montar o cerco. À passagem dos 60', numa de muitas insistências, Schjelderup arrancou pela esquerda e cruzou para o desvio de peito de Pavlidis. Só que o VAR viu um toque da mão esquerda do avançado e anulou. Prestianni voltava a rematar, Rafa e Barreiro queixaram-se de penáltis, entrou Sudakov. Rafa escondia-se da canhota numa trivela para o terceiro anel e Prestianni acertava na cabeça de Mateus. Incrível! Tão incrível como o primeiro toque na bola de Anisio. Lá para dentro! A cruzamento de Dahl. A salvar os graúdos!