Clément Lenglet, 31 anos, defesa-central, internacional francês — Foto: IMAGO
Clément Lenglet, 31 anos, defesa-central, internacional francês — Foto: IMAGO

Quem é Lenglet, o central a caminho do Benfica

Defesa-central francês de 31 anos não fazia parte dos planos do Atlético Madrid. Discreto, até considerado em França o genro que todas as sogras querem ter, viveu época complicada e teve de ser defendido por Diego Simeone

Clément Lenglet, 31 anos, defesa-central canhoto, é o escolhido pelo Benfica para substituir Nicolás Otamendi. O presidente dos encarnados já tinha afirmado que o reforço da posição era uma necessidade a «olho nu» e, na Assembleia Geral de sábado, anunciou que estava tudo «tratado e negociado» para que um jogador chegasse nos próximos dias. O internacional francês, experiente, deverá assinar por duas épocas.

Lenglet emerge de uma lista que tinha, entre outros, o neerlandês Stefan De Vrij (trocou o Inter em final de contrato pelo Panathinaikos), ou o uruguaio José María Giménez, este também do Atlético Madrid, respetivamente 34 e 31 anos, e cujas situações clínicas despertaram alguma desconfiança. O central francês enquadra-se, pois, no perfil desejado pela estrutura do futebol: experiência ao mais alto nível, canhoto e preparado para dar resposta imediata. Acabou a época com várias presenças no onze inicial, depois de, em dezembro, num jogo da Taça do Rei contra o Atlético Baleares, ter sofrido uma entorse no ligamento colateral do joelho direito que o deixou quase 50 dias de baixa.

Defendido por Simeone

O defesa-central não fazia parte dos planos de Diego Simeone. Foi muitas vezes a quarta ou até a quinta opção na equipa, atrás de Le Normand, Marc Pubill, David Hancko ou Giménez. Chegou ao Atlético Madrid por empréstimo do Barcelona em 2024 para substituir Mario Hermoso. A primeira época foi muito positiva (33 jogos, três golos e duas assistências) e os colchoneros contrataram-no, sem custos, há um ano. Assinou por três temporadas, ou seja, tem contrato até 2028.

A segunda temporada, porém, não foi tão positiva. Foi, aliás, marcada, negativamente, por alguns erros que obrigaram Simeone a defendê-lo em público. O mais recente aconteceu na segunda mão dos quartos de final da Champions com o Barcelona, na capital espanhola, quando perdeu a bola para Lamine Yamal na construção de um ataque e permitiu aos catalães alimentarem esperança na reviravolta da eliminatória  — o Atlético Madrid perdeu 1-2, mas beneficiou da vitória por 2-0 na primeira mão.

«Falámos antes do jogo. Não tinha de demonstrar nada. É um rapaz extraordinário, um futebolista com boas características e com coisas para melhorar, como todos. Teve a calma e a maturidade para ultrapassar esse erro. Foi de menos a mais no jogo», afirmou, então, o treinador argentino.

Em outubro, Lenglet esteve também no olho do furacão, desta vez por ter sido expulso, por acumulação de cartões amarelos, na visita do Atlético Madrid a Vigo para jogar com o Celta. Tentou fazer passar a bola por entre as pernas de Ferrán Jutglà, perdeu a bola e depois derrubou-o. Simeone explodiu… contra o árbitro. Foi apanhado no banco de suplentes a dizer que César Soto Grado teria de ser um sem-vergonha para mandar Lenglet para a rua. Queixou-se de critérios.

O percurso de Lenglet é longo. Formou-se no Nancy e de lá mudou-se para o Sevilha, por cerca de €5 milhões. Ano e meio depois estava a ser contratado pelo Barcelona, por cerca de €36 milhões. Viveu, aí, o período mais alto da carreira — jogou ao lado de Piqué nos catalães e ao lado de Varane na seleção de França.

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«Não sou o tipo de defesa que vai constantemente ao choque nos duelos, mas isso não me incomoda. Sou capaz de o fazer, mesmo que não seja o meu perfil de base. Já vivi jogos assim no Barcelona. Também gosto dos duelos», descreveu-se, em outubro de 2019, em entrevista ao Le Parisien.

Genro desejado

A fama nunca lhe subiu à cabeça, apesar de por vezes o ter impedido de fazer algumas coisas de que gosta muito, como «ir ao cinema ou à pesca», como confessou ao jornal L’Est Républican. Começou a dar os primeiros pontapés na bola no US Chantilly, no qual lhe identificaram os traços de personalidade que mantém.

«Já tinha cuidado com o que comia, deitava-se cedo. Não queria que puséssemos a música muito alta, reclamava quando fazíamos barulho nos quartos. Às vezes, era até uma seca. Havia rapazes muito mais impressionantes do que ele. Quando chegou, era todo franzino, todo magrinho. Mas, em três anos, as coxas dele duplicaram de volume. No fim, fazia parte dos melhores. Sei que já trabalhava muito com o pai dele nessa idade. Não era o melhor, partia de mais trás. Mas progrediu mais depressa do que os outros», contou um dos antigos companheiros, em entrevista ao L’Équipe.

Aos 19 anos, a Juventus quis contratá-lo, mas preferiu continuar no Nancy, do qual saiu para o Sevilha. Com o pai, Sébastien, trabalha o que faz mal nos jogos. No Sevilha, com o treinador Eduardo Berizzo, pedia os vídeos dos seus jogos para revê-los.

A publicação francesa So Foot descreveu-o, em 2019, como «um tipo normal, que as sogras disputam e que nunca se meteu em sarilhos» e que «no início não parecia destinado a construir uma carreira tão brilhante».

Está, agora, a caminho do Benfica. Tinha mais dois anos de contrato com o Atlético Madrid e, apesar de não ser titular, sentia-se bem e não queria sair. Os colchoneros, segundo o diário Mundo Deportivo, quiseram-no vender à Real Sociedad, por atrasos no pagamento da transferência de Le Normand. Não queria sair de Madrid. Está perto de fazê-lo para a Luz.

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