Que Ba(l)eza de quadro pintaram os madeirenses! (crónica)
A alma de uma equipa não morre. Pode ficar apenas suspensa, à espera de um sopro ou de novos ventos que a liberte do caminho dos maus resultados. A chicotada psicológica, esse golpe abrupto que surge amiúde no futebol, associada quase em exclusividade aos maus resultados, tem como finalidade despertar essa alma.
Com novo timoneiro a bater à porta – João Henriques, que assistiu ao jogo na bancada - a antiga estrutura de Alexandre Santos no Nacional ganhou outro andamento, e com jogadores dotados de leveza e esperança, Bruno Abreu, treinador interino nesta transição e que na antevisão prometera libertá-los da pressão provocada por sete derrotas consecutivas [seis na Liga e uma na Taça de Portugal] para os deixar confortáveis, transformou passos e cadências, que antes eram de chumbo, em leveza, e devolveu a rostos que carregavam o peso do insucesso e frustração, a alegria da conquista de três importantes pontos, que cortaram com esse passado recente que se estava a tornar sombrio e triste.
Em campo a bola já não foi um fardo para os jogadores do emblema madeirense, mas sim um quadro desenhado com passes que saíram mais precisos, e pincelado na segunda parte com sofrimento, tal como o treinador interino tinha previsto no lançamento do jogo, e organização, para segurar os três pontos que foram brotados numa envolvência em equipa que começou em Laabidi, passou por Song Min-Kyu e foi finalizado pela precisão de Miguel Baeza.
Do outro lado, para o SC Braga a estrada voltou a ser sinuosa. Franclim Carvalho, novidade no banco bracarense na Liga depois de estreia em grande estilo na Liga Conferência frente ao Gent, não conseguiu desviar a sua equipa do quarto jogo consecutivo sem vencer na competição – com a terceira derrota seguida – e os minhotos voltaram a derrapar. E sem chama e argumentos para borrar o quadro bonito que os madeirenses estavam a pintar.
Faltou clarividência na frente para desmoronar os insulares, que solidários deram as mãos na guarda do quadro, construindo uma muralha intransponível. Nesse assalto, feito mais com o coração do que com a cabeça, apenas uma tentativa de Fran Navarro que bateu nos ferros colocou em causa a segurança dos alvinegros. Muito, muito pouco, para as exigências de uma equipa que está habituada a trilhar outros caminhos.
Bruno Abreu entrega a João Henriques uma formação renascida e que mostrou ser capaz de trepar a barreira de pontos que estava a ser cada vez mais íngreme.
Que precisão do médio espanhol na finalização de uma jogada bonita dos madeirenses, que merecia ser terminada dessa forma. Baeza teve beleza na ponta da bota, quando colocou a bola juntinha à base do poste direito da baliza defendida por Bernardo Fontes. Um golo precioso que foi bem guardado e que se transformou em três pontos que dá nova vida aos insulares.
As notas dos jogadores do Nacional (5x4x1): Renato Marín (6), Markus Jensen (6), Chico Gonçalves (6), Matheus Dias (6), Zé Vítor (6), Kokolo (5), Stavros Gavriel (6), Laabidi (6), Miguel Baeza (7), Song Min-kyu (5), Njoya Abdel (5), Matchoi Djaló (5), Deivison (5), Pablo Ruan (-), Dongmo (-) e Daniel Jr. (-)
Foi só com o avançado espanhol em campo, que os minhotos conseguiram incomodar Renato Marín. Navarro deu referência na área e aos 69' desviou com a cabeça um canto, acertando nos ferros. No minuto seguinte, solto na área atirou ao lado. Não marcou, é certo, mas incomodou, o que até então não tinha sucedido no ataque da equipa de Franclim Carvalho.
As notas dos jogadores do SC Braga (3x5x2): Bernardo Fontes (5), Lagerbielke (5), Barcia (5), Arrey-Mbi (5), Víctor Gómez (5), Gorby (5), Ricardo Horta (5), Tommy Marqués (5), Gabriel Silva (5), Pau Victor (5), Milosevic (4), Mario Dorgeles (4), João Moutinho (5), Gabri Martínez (4), Fran Navarro (5) e Huseinbasic (-)