No fim ganha o FC Porto
No rescaldo de duas desilusões europeias, só uma vitória no difícil terreno do Gil Vicente acalmaria as almas azuis e brancas por agora. Francesco Farioli, criticado após a exibição da equipa frente ao PSV, sobretudo pela notória ausência de um plano alternativo quando o adversário é capaz de anular os pontos fortes dos dragões, só mexeu no onze inicial para trocar de ponta de lança e por obrigação (a lesão de Pietuszewski no aquecimento levou à entrada de Borja Sainz, que acabaria por marcar o golo da vitória...) e manteve-se fiel à sua estratégia, confiante de que esta continua a ser a melhor opção. Com 9 vitórias em 9 jornadas e o melhor arranque portista no campeonato em 87 anos, será quase insólito tentar convencê-lo do contrário.
Se o Gil Vicente não é o PSV, também me parece que haverá na Liga poucas deslocações mais complicadas do que Barcelos, casa de uma equipa organizada e bem orientada. Depois de sete jogos consecutivos a sofrer golos, a defesa azul e branca teve de voltar à base do fariolismo e não concedeu grandes oportunidades de golo ao adversário. Também não precisou de criar muitas para marcar e nisto do futebol é certo e sabido que não sofrer e conseguir um golo basta para levar três pontos.
Mais vale esquecerem as revoluções e a apologia da criatividade - este FC Porto quer é ganhar. Às vezes dará para ser mais bonito, outras será mais feio se necessário; mas, a avaliar pelos últimos 14 meses, será quase sempre suficiente para ganhar em Portugal. Se na passada terça-feira Diogo Costa estava preocupado que os adversários já conhecessem a forma de jogar dos dragões, ontem terá ficado mais descansado, porque, por cá, mesmo sabendo o que aí vem, os oponentes saem derrotados na mesma.
Agora a pressão fica do lado dos rivais, que entram em campo hoje e amanhã. Se as derrotas do FC Porto na Champions podem ter dado esperança de recuperar a desvantagem na Liga, a vitória frente ao Gil Vicente deixa o receio de que, mesmo assim, no fim... ganhe o FC Porto.