José Maria Ricciardi foi dirigente do Sporting entre 1995 e 2013 - Foto: A BOLA
José Maria Ricciardi foi dirigente do Sporting entre 1995 e 2013 - Foto: A BOLA

Presidente dos Leões de Portugal sobre Ricciardi: «Alguém que muito deu ao clube»

Zeferino Boal teceu rasgados elogios ao antigo dirigente do Sporting

Esta quarta-feira fica marcada pela morte do empresário José Maria Ricciardi, antigo dirigente do Sporting, membro do Conselho Fiscal entre 1995 e 2013, e candidato à presidência do clube em 2018, tendo ficado atrás de Frederico Varandas e João Benedito.

O presidente dos Leões de Portugal, Zeferino Boal, deixou mensagem emotiva através das redes sociais.
«Tolhido pela surpresa ao amanhecer com a notícia do falecimento de José Maria Ricciardi, sou invadido por um turbilhão de pensamentos - todos eles centrados na eterna dualidade entre a vida e a morte», lê-se.

«Durante muitos anos, foi para mim uma dessas personalidades que parecem distantes, quase inacessíveis ao cidadão comum. Porém, as vicissitudes da vida e o universo leonino acabaram por nos aproximar. Daquilo que começou como uma relação distante, por vezes até antagónica, fomos descobrindo afinidades no pensamento, no caráter e na forma resiliente de enfrentar os obstáculos», acrescentou.

Zeferino Boal é o presidente dos Leões de Portugal - Foto: Facebook/Zeferino Boal

«Entre amizades e gostos em comum - como a ausência de horários para boas conversas - fomos construindo um espaço de diálogo que tanto acontecia ao amanhecer como pela madrugada dentro. Tivemos discussões intensas, momentos de franca discordância, mas também muitas risadas. Mesmo nos tempos mais recentes, nunca faltou a discrição que ambos sabíamos ser necessária», escreveu.

Era alguém com a rara capacidade de transformar divergência em aproximação, de gerar entendimento quando estavam em causa interesses superiores ao individualismo

«Parte agora um cidadão que, no momento em que lhe foi vedada a possibilidade de exercer plenamente a sua competência e de 'limpar' o que estava oculto, ainda assim contribuiu para valores maiores do País. A História saberá, no seu tempo, fazer justiça e compreender as circunstâncias que o levaram a agir como agiu. Desaparece também um amigo e um apaixonado pelo Sporting, alguém que muito deu ao clube. Por vezes incompreendido, terá também, em determinados momentos, servido de escudo a muitas das fragilidades do dirigismo leonino ao longo dos anos», afirmou Boal.

«Era alguém com a rara capacidade de transformar divergência em aproximação, de gerar entendimento quando estavam em causa interesses superiores ao individualismo. Como qualquer ser humano, não foi isento de falhas — foi enganado ou deixou-se enganar em alguns momentos. Mas isso apenas o torna mais humano, mais próximo, mais real. Fica a memória, o respeito e a amizade», concluiu.