Hoje, Portugal, nono no ‘ranking’ da FIFA, defronta o Uzbequistão, 54.º nessa tabela. Conclusão: favas contadas! Porém, como neste Mundial, por exemplo, a Espanha, terceira, já empatou com Cabo Verde, 63.º, o melhor mesmo é deixarmos as favas em paz porque as contas são para fazer apenas no fim do jogo.

Normalmente, numa competição deste género, o primeiro jogo é sempre o do ‘nervoso miudinho’, e as coisas começam a normalizar, cumprida a aclimatização ao torneio, a partir da segunda partida. É isso que se espera hoje da Seleção Nacional, que nos dê razões para acreditar num bom Campeonato do Mundo, de acordo com o estatuto que ostenta de titular da Liga das Nações (ganha com este treinador e, mais ou menos, com este grupo, em jogos que foram muito a sério).

Ouvidas as declarações dos jogadores, percebe-se que o grupo está a recorrer à mais velha das fórmulas, a de unir-se contra um inimigo externo que alegadamente lhe quer mal (desta vez a opinião publicada), para ganhar a força interior que lhe permita surgir mais coeso nos próximos compromissos. Seja. Assino por baixo de qualquer coisa, justa ou injusta, ajustada ou desajustada, que contribua para um aumento da solidariedade que resulte num melhor desempenho, realçando, contudo, que será difícil, em termos de produção, fazer pior do que contra a RD Congo.

De Roberto Martinez (terceiro com a Bélgica, na Rússia, em 2018, que não será tão bom como foi pintado após a Liga das Nações, mas que de certeza absoluta não é tão mau como agora o querem retratar), pouco importa se está de saída, se é para continuar, importante mesmo é que tenha tirado as devidas ilações do jogo de estreia e introduza na equipa as alterações necessárias. 

No futebol, há treinadores que fazem as coisas por convicção, outros que apenas agem por teimosia, para não dar o braço a torcer. Quero crer que Roberto Martinez estará no primeiro lote, imune a pressões, indiferente a nomes, apenas com o fito de apresentar a ‘sua’ melhor equipa. Como sucedeu com Fernando Santos, o antecessor (o mais bem sucedido selecionador da história do futebol português), que, bem ou mal, sempre pensou pela sua cabeça. Mas uma coisa é certa: só uma equipa unida e solidária terá hipóteses de sucesso. Ou os egos são postos ao serviço do coletivo, ou o caldo está entornado.    

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

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