As dores de crescimento do SC Braga
No dia 12 de junho, o SC Braga publicou as mudanças que pretendia efetuar no preçário e categorização dos lugares anuais, entre as quais estavam uma subida global dos preços e o desaparecimento dos pacotes familiares. Por considerarem este aumento injustificado, foram várias as reações de sócios e adeptos, de tal forma intensas que motivaram uma resposta institucional, na pessoa do presidente António Salvador, que, diga-se, inflamou os ânimos.
Os argumentos eram vários, desde logo relacionados com a ausência de auscultação das opiniões dos interessados, bem como com a exigência financeira associada à renovação do lugar anual para os sócios e respetivas famílias. Contudo, facilmente se compreende que a ulterior vítima dessas alterações, caso se tivessem confirmado, seria o próprio SC Braga. Falamos, à data, de um clube altamente oscilante no que diz respeito às assistências no seu estádio e que está mais vezes próximo de um terço de ocupação do que dos 50%. Além disso, é inegável que o clube está numa fase importante de afirmação da sua identidade na cidade, com uma crescente ligação entre ambos.
Será este fortalecimento, mais do que qualquer reforço monetário, que permitirá uma aproximação aos objetivos comuns.Apesar de ser facilmente identificável o desnível entre a realidade desportiva do clube e os preços praticados pelo mesmo, a prioridade deve ser, ainda, o robustecimento da sua massa social e humana. São dores de crescimento que decorrem do meritório desempenho desportivo recente, que ainda não foi devidamente acompanhado. Face ao descrito, saúdo a humildade com que os responsáveis retrocederam nos seus intentos, indo de encontro aos interesses e desejos daqueles que, de forma mais ou menos direta, são rosto e fonte de apoio do Sporting Clube de Braga.
Em paralelo, saúdo a capacidade de mobilização dosmeus pares, sócios e adeptos do clube, que convoco a efetivarem a sua renovação ou compra de lugar anual para a época vindoura. Não obstante, e aproveitando a ocasião, parece-me também relevante enaltecer a disponibilidade que o clube tem demonstrado, há vários anos, para ajudar os seus sócios e adeptos, através, por exemplo, da organização de viagens e do seu financiamento parcial, para que aqueles que possam e tenham interesse continuem a marcar presença por este país (e continente) fora.
Não de somenos importância, o clube anunciou as saídas de Florian Grillitsch, após um ano significativamente positivo, e de Paulo Oliveira. Este último, um dos capitães, completou cinco épocas na Capital do Minho, onde conquistou dois troféus e se estabeleceu como uma figura representativa dos ideais do clube. Um profissional de mão cheia que deixa o clube aos 34 anos e a quem (creio falar pela maioria dos braguistas) devemos um agradecimento.
Pela América, arrancou o Mundial, com a Seleção Nacional mergulhada num mar de dúvidas, problemas e dificuldades. Que a segunda jornada faça desvanecer alguns desses sentimentos e que as exigências impostas sejam correspondidas.
Como diz a sabedoria popular, o que importa é como termina.