Direto ao golo é uma coluna de opinião quinzenal da responsabilidade de João Caiado Guerreiro, jurista

Novas regras testadas durante o Mundial: um clássico

Direto ao Golo é uma coluna de opinião quinzenal da responsabilidade de João Caiado Guerreiro, jurista

Portugal começou o Mundial frente ao Congo. Não começou da melhor forma, mas também não é caso para alarmes. A Espanha também empatou com Cabo Verde, que entrou na competição em grande! Percebo Roberto Martínez: «Falar em ganhar o Mundial não ajuda a ganhar jogos.» Hoje segue-se o Uzbequistão. Uma vitória vai acontecer, confio. Boa sorte para a equipa de todos nós.

Os Mundiais têm servido, nos últimos anos, como laboratório da FIFA para testar novas regras. Este campeonato não é exceção. Vale a pena olhar para algumas delas e perceber o que podem trazer ao futebol. A primeira novidade é que o jogo passou, na prática, a ter quatro interrupções oficiais. Além do tradicional intervalo, surgem duas pausas para hidratação. Ou, sendo rigorosos, duas pausas para publicidade. Ou dois descontos de tempo como em muitas modalidades de pavilhão. Nesta coluna chamamos as coisas pelos nomes. Quem financia o espetáculo são os patrocinadores e a FIFA precisa dessas receitas. Gasta muito dinheiro, nem sempre bem e nem sempre no futebol. Dois intervalos adicionais representam milhões. A lógica aproxima-se cada vez mais da NBA ou do futebol americano. Bom? Mau? Diga-me, caro leitor!

Talvez por este Mundial se disputar nas Américas, a competição parece mais americanizada. Não apenas pelos intervalos publicitários, mas também pelo espetáculo que envolve os jogos. Como acontece na NBA ou no Super Bowl, a partida é apenas o centro de um grande evento onde cabe música, celebridades, influenciadores e entretenimento permanente. Estamos, afinal, na terra do show business.

A FIFA acredita que o público mais jovem procura mais ação e menos tempo perdido. Daí as novas limitações temporais. Os lançamentos laterais têm agora cinco segundos para ser executados; os pontapés de baliza idem. No primeiro caso, a demora entrega a bola ao adversário; no segundo, resulta em canto. As sanções parecem equilibradas: combatem a perda de tempo sem alterar a essência do jogo.

Também as substituições passam a estar mais controladas. O jogador substituído deve abandonar o relvado pelo ponto mais próximo. Se não o fizer, o substituto só pode entrar um minuto depois, deixando temporariamente a equipa reduzida a dez jogadores. Saolução simples, eficaz e com lógica competitiva.

Menos convincente é a proibição de tapar a boca durante as conversas em campo. A chamada regra Prestianni parece um exagero. O futebol vive de comunicação constante entre jogadores, treinadores e árbitros. Essa comunicação sempre teve uma dimensão privada. A evolução tecnológica permite captar imagens e até interpretar movimentos labiais a grande distância. A partir do momento em que se proíbe um jogador de proteger uma conversa, abre-se a porta a polémicas intermináveis. Uma instrução tática ou apenas um bocejo? A UEFA, que já tratou mal o caso Prestianni, insiste agora numa solução que levanta mais dúvidas do que resolve, mas que já deu uma expulsão.

Por outro lado, o alargamento das competências do VAR parece funcionar. Os cantos podem ser revistos e os segundos amarelos também. Para já, sem grandes sobressaltos. A câmara do árbitro, outra novidade, tem igualmente mostrado potencial para aproximar os adeptos do jogo.

Esta semana o Direito ao Golo é, primeiramente, para Manuel Kape, o lutador luso-angolano do UFC derrotou Horiguchi por KO e vai ter direito a lutar pelo título. Fantástico! E para Fernando Pimenta, que conquistou mais um título europeu na canoagem e continua a engrandecer o desporto português. Isto sem esquecer a seleção de Cabo Verde no Mundial: dois empates com sabor a vitória!

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