Portugal alcança vitória histórica sobre a Roménia e lidera grupo

'Lobos' conseguiram a maior vitória de sempre contra os 'Carvalhos' e asseguraram o primeiro lugar na Poule B do Rugby Europe Championship. Segue-se a Espanha nas meias-finais

A seleção portuguesa de râguebi alcançou, este domingo, a sua maior vitória de sempre frente à Roménia, ao ganhar por 44-7 no Estádio Nacional, em Oeiras. Este resultado, obtido no encerramento da fase de grupos do Rugby Europe Championship, assegurou aos lobos o primeiro lugar no Grupo B.

A equipa lusa demonstrou superioridade desde cedo, chegando ao intervalo a liderar por 25-7. A primeira parte foi marcada por quatro ensaios, da autoria de Rodrigo Marta (6 e 30 minutos), Simão Bento (10) e Vincent Pinto (14). A vantagem poderia ter sido ainda mais expressiva, não fosse a pontaria invulgarmente desafinada de Samuel Marques, que desperdiçou nove pontos em pontapés aos postes.

No segundo tempo, Portugal manteve o ritmo e somou mais três ensaios. Manuel Cardoso Pinto bisou (48 e 63 minutos) e José Líbano Monteiro (55) também fez o gosto ao toque de meta. A contagem final foi selada com as transformações de Samuel Marques (49) e Manuel Vareiro (64), além de uma penalidade convertida por Marques logo aos dois minutos de jogo.

Fotografia FPR

A seleção romena, longe do poderio de outrora, mostrou muitas fragilidades e raramente ameaçou a defesa lusa. O seu único ensaio surgiu por Marius Antonescu (26'), num período em que Portugal jogava com menos um elemento, devido a um cartão amarelo a Diogo Hasse Ferreira. No entanto, mesmo em inferioridade numérica, os Lobos conseguiram marcar, evidenciando a debilidade dos Carvalhos.

Este triunfo, por 37 pontos de diferença, é o terceiro máximo consecutivo de margem vitoriosa de Portugal sobre a Roménia em apenas dois anos, superando as vitórias por 25 pontos em Bucareste (49-24) e por 28 pontos em Botosani (34-6).

Fotografia FPR

Com esta vitória, Portugal termina o Grupo B na primeira posição com 15 pontos, à frente da Roménia (5), Bélgica (5) e Alemanha (4). Nas meias-finais da competição, a seleção nacional irá defrontar em casa a Espanha, segunda classificada do Grupo A, num jogo agendado para 7 ou 8 de março.

Simon Mannix, selecionador de Portugal

«Podíamos ter marcado mais pontos e jogado melhor, mas também podemos dar os parabéns aos jogadores por um resultado recorde. Estamos à procura de melhorar em todos os jogos. Não fomos tão eficazes nos dois últimos jogos, mas talvez tenhamos o melhor ataque do Rugby Europe Championship e temos a melhor defesa. Vamos continuar a criticar o râguebi português? Provavelmente, porque é isso que as pessoas gostam de fazer. Eu estou apenas a tentar fazer o meu trabalho o melhor que posso».

«Houve apenas uma equipa que esteve realmente por cima, a dominar no movimento e na velocidade. Tivemos dificuldades em fazer funcionar o nosso alinhamento, por isso não tivemos muita posse de bola. O jogo foi muito lento na segunda parte, e isso favoreceu uma equipa como a Roménia, mas não foi por falta de empenho dos nossos jogadores que não fizemos mais pontos. Eles tentaram marcar ensaios, criaram-nos e tivemos um par deles anulados pelo TMO [videoárbitro]. Mas podíamos ter sido melhores? Sim, podíamos! Se temos de ser melhores na meia-final? Temos de ser muito melhores! Sabemos isso, mas foram três semanas de trabalho duro e três semanas de um râguebi que, diria eu, foi bastante entusiasmante de ver. Mas, mais uma vez, isso sou eu que digo, nem toda a gente o vê dessa forma».

«A meia-final vai ser extremamente difícil contra uma equipa [Espanha] excelente. Eles estão no 15.º lugar do ranking mundial, nós estamos em 19.º e a outra opção era defrontar a Geórgia, que está em 13.º lugar. Por isso vai ser um jogo muito duro, um grande desafio, uma tarefa enorme. Mas sei o quão bem estamos a trabalhar, conheço o compromisso dos jogadores e a mudança de atitude em relação a há um ano. Não tem nada a ver, esta não é a mesma equipa. Portanto, espero uma exibição da qual o rugby português se possa orgulhar».

José Madeira, capitão de Portugal

«Não tem sido fácil defrontar a Roménia, são um adversário muito físico, muito forte, e exploram áreas do nosso jogo onde deveríamos estar melhor preparados, como fases estáticas. Hoje não foi espetacular nesse setor, mas conseguimos responder muito bem na fisicalidade, na intensidade que quisemos impor no jogo, portanto, acho que esse é o nosso melhor detalhe a retirar deste jogo».

«[Não marcar desde os 63 minutos de jogo] também tem a ver com a preparação física. Temos ainda diferentes ritmos, atletas que vêm de diferentes competições e, portanto, vêm com ritmos diferentes de preparação. É a realidade. Estas três semanas foram importantes para nos alinhar um pouco, mas a equipa ressentiu-se um bocado no final do jogo. Essa falta de intensidade nos últimos 15 minutos é um dos pontos que temos de trabalhar. A Espanha [adversário nas meias-finais] é o rival que conhecemos melhor. Sabemos que este jogo vamos ter aqui um ‘dérbi’ superintenso e queremos fazer melhor, queremos uma vitória, queremos chegar à final. Esse é o nosso objetivo.»