Sapunaru, na foto com Cristian Rodríguez, venceu a Liga Europa em Dublin — Foto: A BOLA
Sapunaru, na foto com Cristian Rodríguez, venceu a Liga Europa em Dublin — Foto: A BOLA

Sapunaru em exclusivo a A BOLA: «André Villas-Boas foi mais do que um treinador, foi um psicólogo»

Antigo lateral romeno venceu tudo com AVB e lembra uma equipa que «tinha fome de ganhar». Conquistou a Liga Europa em Dublin e considera que Farioli reúne condições para fazer o mesmo

De passagem pelo Porto para sossegar as saudades, Cristian Sapunaru falou a A BOLA e recuou aos momentos mais marcantes que viveu nos dragões. E foram muitos. O percurso do romeno, que também foi orientado por Vítor Pereira, ao serviço do FC Porto, entre 2008 e 2012, foi marcado por sucesso e conquistas. Nesse período, acumulou um total de dez títulos oficiais, com três campeonatos nacionais (2008/09, 2010/11 e 2011/12), três Taças de Portugal (2008/09, 2009/10 e 2010/11) e três Supertaças Cândido de Oliveira (2009, 2010 e 2011).

O míster [André Villas-Boas] era jovem, nós éramos jovens, e isso criou uma ligação muito próxima entre nós e ele. Além disso, não nos preocupávamos tanto com os erros, mas sim em aprender com eles. Por estar mais próximo da nossa idade, ele compreendeu-nos muito melhor

A festa de Sapunaru e companheiros em Dublin

O ponto mais alto do seu trajeto no clube coincidiu com a extraordinária temporada 2010/11, sob o comando de André Villas-Boas, de quem fala com carinho e admiração. Com AVB  Sapunaru foi titular absoluto e viveu o ano mais vitorioso da carreira, contribuindo decisivamente para a conquista da quádrupla coroa — Liga Europa, Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Supertaça — sendo titular na final europeia em Dublin frente ao SC Braga e presença constante na caminhada invicta dos dragões. Nessa época disputou 41 jogos oficiais, afirmando-se como um dos jogadores com mais minutos no plantel, símbolo de entrega, determinação e ligação intensa aos adeptos portistas. Com Vítor Pereira viveu tempos de transição e menor protagonismo, ainda assim uma época marcada por mais títulos e dedicação.

A época 2010/11 dispensa apresentações. Mas pergunto-lhe: como foi trabalhar com André Villas-Boas, na altura um treinador tão jovem?

— Acho que esse também foi o ponto forte: o míster era jovem, nós éramos jovens, e isso criou uma ligação muito próxima entre nós e ele. Além disso, não nos preocupávamos tanto com os erros, mas sim em aprender com eles. Por estar mais próximo da nossa idade, ele compreendeu-nos muito melhor e foi rapidamente assimilado no vestiário. Para além de ter sido um bom treinador, também foi um bom psicólogo, porque soube exatamente do que cada um de nós precisava e deu uma oportunidade a todos.

O que o distinguia dos outros treinadores?

— A paixão pelo FC Porto, a fome de afirmação, o caráter e o facto de ser um excelente pedagogo, tendo em conta a sua 'tenra idade' nesta profissão.

Também trabalhou com Vítor Pereira. É verdade que, em 2010/11, o Vítor ficava muito responsável pela parte do treino?

— Toda a equipa técnica daquele ano foi muito empenhada e ajudou-nos muito em tudo o que pôde e em tudo o que foi necessário, mas não creio que ninguém tenha sido mais dedicado e mais responsável do que o míster.

Como era a relação entre Villas-Boas e Vítor Pereira?

— Acho que os resultados desse ano dizem tudo, demonstrando também a relação que o míster tinha com a sua equipa técnica.

Pontapé acrobático ao serviço do FC Porto

Que episódio mais curioso guarda na memória dessa época mágica?

— Um momento à parte, e muito especial, foi antes da final em Dublin, na reunião técnica antes do jogo. Logo após terminar a conversa, o míster pediu-nos para ficarmos mais alguns minutos porque tinha algo para nos mostrar. E colocou um vídeo com todas as famílias dos jogadores a desejarem-nos boa sorte e a dizer que estavam connosco independentemente do que acontecesse. Espero que ele não fique chateado por eu contar isto, mas foi um momento mesmo muito especial!

Um momento à parte, e muito especial, foi antes da final em Dublin, na reunião técnica antes do jogo. Logo após terminar a conversa, o míster pediu-nos para ficarmos mais alguns minutos porque tinha algo para nos mostrar. E colocou um vídeo com todas as famílias dos jogadores a desejarem-nos boa sorte e a dizer que estavam connosco independentemente do que acontecesse

«TODOS OS TROFÉUS SÃO PARA CONQUISTAR»

Convicto, Sapunaru acredita que o FC Porto tem tudo para repetir a temporada histórica de 2011. O antigo defesa tem total confiança no trabalho de Francesco Farioli e nos jogadores, certo de que os dragões vão lutar para conquistar todas as competições em que estão envolvidos.

No ano seguinte, trabalhou com o Vítor como treinador principal. Quais as principais diferenças em relação a Villas-Boas?

— Não gosto de falar sobre as diferenças entre os treinadores com quem trabalhei, cada um teve os seus pontos fortes. Posso apenas dizer que a experiência com o míster André Villas-Boas foi única!

Olhando para este FC Porto, acredita que é capaz de repetir o vosso feito de 2011?

— A 100 por cento. Têm tudo o que é preciso para ganhar tudo!

Francesco Farioli deve dar prioridade ao campeonato ou ir com tudo também na Liga Europa?

— Tendo em conta que falamos do FC Porto e da tradição deste clube, qualquer troféu em disputa deve ser conquistado. Tenho 100 por cento de certeza de que o míster Farioli, juntamente com os jogadores, vai tentar ganhar ambas as competições e dará tudo por isso.

Tenho 100 por cento de certeza de que o míster Farioli, juntamente com os jogadores, vai tentar ganhar ambas as competições e dará tudo por isso.

O que pensa do Martim Fernandes e do Alberto Costa, que agora ocupam a posição que já foi sua?

— São dois jogadores jovens, valiosos, de quem gosto, e acredito que estão a contribuir seriamente para tudo o que está a acontecer este ano no clube.