Manuel José entrevistado por A BOLA em 2021 (foto A BOLA)
Manuel José entrevistado por A BOLA em 2021 (foto A BOLA)

Manuel José: 80 anos, uma só cara (fotos)

Dia de aniversário para uma figura marcante da história do futebol português

«Sempre fui um bocado rebelde». Foi esta a frase escolhida por Pascoal Sousa, jornalista de A BOLA, para título de uma entrevista publicada a 9 de abril de 2021, por ocasião do 75.º aniversário de Manuel José.

Cinco velas mais para soprar tem agora uma das figuras mais marcantes da história do futebol português. Pelo trabalho desenvolvido, acima de tudo, mas também pela forma de estar. Polémico, dirão alguns. Frontal, afirmarão outros. «Só tenho uma cara e uma palavra, toda a minha vida honrei a palavra que dei», garantiu o próprio ao nosso jornal, na tal conversa de 2021, em Espinho, terra adotiva.

Algarvio, de Vila Real de Santo António, Manuel José foi jogar para o Benfica com 16 anos. Fez apenas um jogo na equipa principal, sagrando-se campeão em 1968/69, ao lado de Eusébio, Humberto Coelho, Mário Coluna, António Simões, Jaime Graça, Fernando Cruz, José Torres, José Augusto, Toni ou José Henrique, entre outros.

Médio, representou também Sp. Covilhã, Varzim, Belenenses, União de Tomar, Farense, Beira-Mar e Sporting de Espinho, onde se tornou treinador(-jogador), em 1978/79.

Descreve-se como um «self-made man» dos bancos, alguém que nem fazia planos de treinar, e que depois deu por si a viajar de carro para Madrid só para comprar livros sobre treino.

Ganhou uma Taça de Portugal e uma Supertaça pelo Boavista, tornou-se faraó do futebol do Egito ao conquistar 20 troféus com o Al Ahly, incluindo quatro Champions de África. Em Port Said viveu o dia mais triste da carreira, a 1 de fevereiro de 2012, quando 79 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas em confrontos num jogo entre o Al-Masry e o Al-Ahly.

Voltou ao Benfica como treinador, em 1997, para saldar uma «dívida de gratidão». «O Benfica tirou-me da vida difícil que tinha em Vila Real de Santo António», justificou na entrevista de 2021. Foi despedido ao fim de nove meses.

Antes já tinha treinado duas vezes o Sporting, associado à histórica goleada por 7-1 ao rival da Segunda Circular, em 1986, mas sem títulos conquistados em Alvalade.

Se não treinou também o FC Porto foi porque não quis, garantiu várias vezes. «Nem morto trabalharia com Pinto da Costa», assumiu.

Treinou também Vitória de Guimarães, Portimonense, SC Braga, Marítimo, UD Leiria, Belenenses, Al Ittihad e Persepolis, sem esquecer a seleção de Angola. Faltou a Seleção Nacional, porventura a maior mágoa, até porque tinha acordo para orientar a equipa das quinas no Euro2004, antes de ser contratado o brasileiro Luiz Felipe Scolari. «Fui posto fora da Seleção pelo poder corrupto que existia em Portugal e que mandava no presidente da Federação», lamentou.

«Prejudiquei-me imenso por ser quem sou e por não deixar que me comprassem», afirmou também, na referida entrevista ao jornalista Pascoal Sousa. Um desabafo com alguma mágoa, porventura, mas sem ponta de arrependimento. 

80 velas para soprar esta quinta-feira, mas apenas uma cara. 

A carreira de Manuel José em fotos:

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