Portimonense-Farense: um dérbi em que um vai sobreviver e o outro pode morrer
O Portimão Estádio é palco neste domingo (20h30) de um dérbi algarvio, com muito em jogo: a sobrevivência na Liga 2. Para o Portimonense, vencer assegura a continuidade no segundo escalão do futebol português e se não ganhar tem de fazer o mesmo resultado do Paços de Ferreira para ir ao play-off. O Farense consegue a manutenção se vencer ou empatar e se perder joga o play-off. Ou seja, um dos dois irá sobreviver, e o outro, ou vai ao play-off ou pode mesmo morrer (descer à Liga 3), no caso do Portimonense.
Um dérbi que traz à memória o de 2023/24, então na Liga, e com contornos idênticos, mas, nesse caso, realizado em Faro. Na última jornada, o Portimonense também tinha de vencer e esperar que o Boavista não pontuasse com o Vizela, com a equipa do barlavento algarvio a triunfar (3-1), mas a cair para o play-off nos descontos do jogo do Bessa, quando Reisinho 90+10’), de penálti, empatou (2-2).
Para antever as emoções deste dérbi e recordar o anterior, A BOLA falou com Dener (Portimonense) e Fabrício Isidoro (Farense), os capitães dos dois emblemas nessa temporada (2023/24).
Dener: «O Portimonense vai dar tudo»
«Espero um jogo muito disputado, como são todos os dérbis, independentemente da posição das equipas na tabela. Têm uma atmosfera diferente e as duas equipas vão, com certeza, disputar muito o jogo. Espero que o Portimonense vença», indicou Dener, atualmente a jogar no Volta Redonda.
O médio, que defendeu as cores do Portimonense durante oito épocas, projeta um Farense mais cauteloso, por necessitar apenas de 1 ponto: «Isso pode ser usado na estratégia do Farense. Talvez não se expor tanto e esperar um pouco mais, não correr tantos riscos. Mas acho que não o torna o favorito. Acho que o Portimonense sabe da necessidade deste jogo e vai ter de dar tudo.»
Dener concorda que o facto de o jogo ser decisivo, acrescenta-o um sabor especial. «Sim, com certeza. Acho que um dérbi, mesmo amigável que seja, já é bom, ainda para mais sendo decisivo como este. De certeza que a atmosfera vai ser diferente, a vontade dos jogadores vai ser ainda maior, porque há muita coisa envolvida», sublinhou.
O centrocampista recuou a 2023/24 e ao São Luís, para recordar o triunfo do Portimonense: «Foi muito bom. Vencer o dérbi lá, daquela maneira, foi muito bom. Lembro que a minha família estava lá também, comemoramos bastante. Mas, infelizmente, o outro resultado, o do Boavista com um golo nos descontos, estragou a festa…»
O antigo capitão do Portimonense não esperava que a equipa algarvia estivesse atualmente a viver uma conjuntura semelhante, mas agora com o risco de descer à Liga 3. «Até me estranha ver o Portimonense nesta situação, mas não consigo dizer as razões. Estou um pouco atento, mas não tenho falado com ninguém de lá. Do atual plantel, conheço apenas um, o Wellington Júnior. Só desejo que o Portimonense volte à Liga com tranquilidade», espera.
Fabrício Isidoro: «O Farense tem condições para atingir o objetivo»
Fabrício Isidoro esteve sete épocas no Farense – de 2017/18 a 2023/24 – e acredita que os leões de Faro consigam o objetivo. «Espero um jogo muito complicado para as duas equipas, porque precisam do resultado, além de ser um dérbi. Acho que o Portimonense está numa situação mais difícil, porque precisa da vitória e o Farense apenas de mais um ponto. O Portimonense joga em casa, o que dificulta um pouco mais para o Farense. Mas eu acredito que o Farense tem condições para conseguir o objetivo», afirmou o médio de 34 anos, que terminou contrato com o Athletic.
O facto de o Farense precisar apenas de um ponto, não poderá relaxar o Farense. «Se o Farense jogar com isso debaixo dos braços, esperando só pelo empate, acho que as coisas podem se complicar. Num dérbi é sempre muito difícil apontar quem possa ganhar, só sei que vai ser um jogo muito complicado, muito difícil e bom para quem for assistir», afirmou.
Fabrício Isidoro recorda esse dérbi de 2023/24, na última jornada da Liga: «O Portimonense precisava de vencer, nós já estávamos tranquilos. E eles tiveram mais vontade do que nós e saíram com a vitória. Estes jogos são muito bons para os jogadores, são importantes e os adeptos gostam de ganhar. E isso também se leva para dentro do campo. Os jogadores acabam por ter um pouco mais de vontade neste tipo de jogos por tudo que envolve, pela sua atmosfera.»
O antigo capitão do Farense, não estava à espera que os leões de Faro tivessem uma época atribulada. «Não, não esperava mesmo. Acompanhei a época toda e vi muitos jogos. Desde o início esperava que o Farense voltasse para a Liga, que é o lugar que merece e onde deveria estar. Não esperava que estivesse nesta situação. Mas estando, eu estou na torcida para que saia dela e que continue na Liga 2, e que na próxima época comece do zero e atinja os objetivos», deseja, não encontrado explicação para isso: «São situações que acontecem no futebol, e que não se esperam. Contrataram bons jogadores, mas o futebol nem sempre é assim, não é matemático e as coisas podem correr mal, como foi o que aconteceu este ano. E com mudanças de treinador, que acaba por atrapalhar um pouco. Também há equipas que não têm ambições de subir, e às vezes lutam por isso. São coisas ao contrário, que acontecem no futebol.»
Apaixonado por Faro e pelo Farense, Fabrício Isidoro gostaria de um dia voltar a vestir a camisola dos leões de Faro. «Quem sabe um dia! É uma casa onde eu fui muito feliz, muito feliz mesmo. Gosto muito de Faro, gosto muito do Farense. Mesmo depois de ter saído, acompanho sempre, tenho muitos amigos em Faro, é um lugar que vai estar sempre no meu coração. Sou um adepto ferrenho do Farense. Voltar a Faro, voltarei com certeza, mas quem sabe um dia voltar a vestir a camisola do Farense…», disse.