Polémica com atleta israelita deixa suíços incomodados
A estação de televisão pública suíça RTS está com um caso politico em mãos depois de um dos seus colaboradores, Stefan Renna, este ter feito um comentário considerado «factual, mas inapropriado devido à sua extensão» sobre o atleta de bobsleigh israelita Adam Edelman, durante os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina.
O incidente, que ocorreu na segunda-feira durante a prova de bobsleigh de dois, levou a que a RTS retirasse a sequência do seu site. O momento tornou-se viral nas redes sociais e motivou uma reação da hierarquia do canal, que, em comunicado, justificou a decisão.
🇨🇭🇮🇱 Un commentateur suisse lors du passage de l’équipe israélienne de bobsleigh lors des #JO2026 : "Adam Edelman qui s’auto-définit sioniste jusqu’à la moelle. Il a posté plusieurs messages sur les réseaux sociaux en faveur du génocide à Gaza. On rappelle que «génocide» c’est… pic.twitter.com/mffhDiPvtg
— Mediavenir (@Mediavenir) February 16, 2026
«O nosso jornalista quis questionar a política do COI relativamente às declarações do atleta em causa», explicou a RTS. «No entanto, tal informação, embora factual, é inapropriada no contexto de um comentário desportivo devido à sua extensão. Por essa razão, retirámos a sequência do nosso site ontem [segunda-feira] à noite».
Durante a descida de Edelman, o jornalista Stefan Renna dedicou cerca de dois minutos a detalhar o apoio do atleta à ação militar de Israel, levantando questões sobre a sua elegibilidade para competir.
Un’intera telecronaca denunciando gli atleti del team israeliano, impegnati in quel momento in una manche del bob a due. La tv svizzera francese ha scelto la linea dura per commentare la presenza del pilota Adam Edelman e del frenatore Menachem Chen, qualificati alle Olimpiadi di… pic.twitter.com/j07N9kVNiR
— Repubblica (@repubblica) February 17, 2026
«O israelita Adam Edelman, na sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, que se autodefine como 'sionista até à medula', cito, e que publicou várias mensagens nas redes sociais a favor do genocídio em Gaza. Recordamos que 'genocídio' é o termo utilizado pela Comissão de Inquérito da ONU para a região. Edelman disse, nomeadamente, que a intervenção militar israelita era a 'guerra mais moralmente justa da história'. Também ridicularizou uma inscrição 'Free Palestine' num muro em Lillehammer, à margem de uma etapa da Taça do Mundo, e pediu aos seus seguidores para enviarem força a Ward Fawarseh, quando este membro da equipa israelita presente em Cortina estava envolvido numa operação do exército israelita na Faixa de Gaza em 2023».
🎥El comentarista de la cadena pública suiza RTS 2 cuestiona, en directo, por qué se permite competir al atleta israelí Adam Edelman en los #JuegoOlímpicos de Invierno Milán-Cortina, pese a haber apoyado públicamente el genocidio de Israel en #Gaza pic.twitter.com/vwoHOAPsve
— Público (@publico_es) February 17, 2026
O comentador questionou ainda a coerência do Comité Olímpico Internacional (COI), comparando o caso com as restrições impostas a atletas russos. «Podemos, portanto, questionar a sua presença em Cortina, uma vez que o COI indicou que os atletas que tivessem apoiado ativamente a guerra [...] não eram elegíveis para participar. Isso aplicava-se, neste caso, aos atletas russos», afirmou, lembrando também a desqualificação de um atleta ucraniano de skeleton por usar um capacete com mensagens políticas.
No final da sua intervenção, Renna informou que Adam Edelman tinha alcançado o 26.º e último tempo acumulado após as duas primeiras mangas da competição.