Nuno Borges: «Esta semana não é para ser bonita, é para ganhar»
Nuno Borges (48.º do ranking ATP), garantiu a passagem à segunda ronda do 11.º Estoril Open ao derrotar o brasileiro Orlando Luz (1.072.º), um especialista em pares que vinha do qualifying, por um duplo 6-3. O maiato, quinto cabeça de série, precisou de apenas 1.18h para marcar presença na fase seguinte pela terceira vez em quatro participações em singulares.
Na próxima ronda, irá defrontar o argentino Roman Andrés Burruchaga (60.º) que levou a melhor frente ao veterano suíço Stan Wawrinka (118.º), antigo número três mundial, por 2-1 em 2.31 horas, com parciais de 6-4, 4-6 e 6-3. Nesta última temporada como profissional, o campeão do Open da Austrália 2014, Roland Garros 2015 e do US OPen 2016 regressou a Portugal, onde venceu o único torneio português no circuito ATP, em 2013, ainda no Jamor.
Já Andrés, é filho do antigo futebolista Jorge Burruchaga, que marcou o golo do triunfo da Argentina na final do Mundial de 1986.
Após o encontro, Borges, de 29 anos, destacou que a prioridade é a eficácia em detrimento da estética. «Preciso de estar fresco de cabeça, para depois em campo resolver os problemas. Esta semana não é para ser bonita, é para arranjar maneira de ganhar», foi explicando quem começou o encontro com um jogo de serviço seguro, mas sentiu dificuldades em encontrar o ritmo e responder ao serviço do adversário imprevisível que animou o público no Clube de Ténis do Estoril exibindo uma atitude descontraída para presentear os espetadores com jogadas criativas e vários amorties que dificultaram a tarefa ao homem da casa .
A frustração de Borges com a sua própria falta de acerto foi visível, mas conseguiu finalmente quebrar o serviço de Luz no oitavo jogo do primeiro set, fazendo o 5-3 e fechando a partida inaugural pouco depois. Note-se que o melhor tenista luso da atualidade nunca enfrentou um ponto de break em todo o encontro, converteu três das oito oportunidades que teve para quebrar o serviço do adversário, para alegria do público que encheu o court central. Borges admitiu que a pressão estava do seu lado, mas que o seu serviço foi crucial para controlar o jogo.
«Já sabia um bocado a qualidade do Orlando, mas nunca tinha jogado contra ele. Obviamente que tinha a pressão toda do meu lado. A obrigação de jogar e ganhar era minha. Sabia que se tivesse um bom encontro teria grandes hipóteses.», reconheceu. «Ele até foi capaz de ser o melhor jogador em campo, de certa maneira eu estava mais preparado para o jogo, para trocadas de bola mais longas que não aconteceram muito. Conseguiu dificultar-me muito a tarefa desde o início. O serviço ajudou-me a manter sempre bem posicionado e passar um bocado a batata quente para ele. Foi muito desafiante, mas muito feliz por ganhar», analisou.
No segundo parcial, o cenário repetiu-se. Nuno Borges desperdiçou quatro oportunidades de quebra antes de conseguir o break decisivo no sétimo jogo (4-3). Selou o triunfo com uma nova quebra de serviço, celebrando assim o regresso a Portugal com uma vitória.
Para gerir a pressão de jogar em casa, Nuno aposta em manter as rotinas e evitar pensar excessivamente nos próximos desafios. «Esta semana é sempre muito stressante, mas sei que jogando bem tenho grandes hipóteses. Conheço muito bem todos os jogadores, vou à procura de fazer as minhas rotinas, relaxar um bocado, estar com os meus pais e a minha namorada, relaxar e não falar muito de ténis. Se por acaso tiver a ver um jogo, não o dos meus adversários, porque corro o risco de me estar a visualizar em campo, acho que é importante nesta semana não estar a pensar demasiado», acrescentou.
Nuno mostrou-se igualmente entusiasmado por voltar a competir na variante de pares ao lado de Francisco Cabral, com quem conquistou o título no Estoril em 2022. «Jogar com o Cabral traz sempre boas memórias daquele primeiro ano. Acho que até entramos com um wild card, foi mesmo roubar o torneio, assim de repente. Vamos tentar vivê-lo como essa primeira vez, ainda que os anos sejam diferentes. Vai ser tentar trazer esse ténis de volta», recordou. «Apesar de não ter jogado muitas vezes pares com o Francisco, é sem dúvida o jogador com que me sinto mais confortável», concluiu.