O árbitro mais odiado por Mourinho anuncia fim da carreira
O árbitro inglês Anthony Taylor anunciou esta terça-feira o fim da sua carreira na arbitragem de elite, após um percurso de mais de duas décadas e 831 jogos. O juiz de 47 anos, um dos mais conceituados de Inglaterra, despediu-se após ter apitado o seu último jogo, curiosamente o encontro dos oitavos de final do Mundial 2026 entre Portugal e Espanha, nos Estados Unidos.
Ao refletir sobre a sua carreira, Taylor afirmou: «Arbitrar ao mais alto nível foi um privilégio imenso, mas a pressão é intensa e o escrutínio é constante. Chegou o momento certo para me afastar e ansiar pela transição para o próximo capítulo da minha carreira.»
O árbitro inglês deixou ainda agradecimentos: «Quero expressar a minha mais profunda gratidão aos meus dois assistentes, Gary e Adam, aos meus colegas de arbitragem e a todos os ligados ao futebol por todo o apoio ao longo dos anos. Mais importante, quero agradecer à minha família e amigos pelo apoio inabalável durante os imensos sacrifícios que esta carreira exigiu.»
A carreira de Anthony Taylor ficou marcada também por uma polémica com José Mourinho na final da UEFA Europa League 2023, entre a Roma e o Sevilha, conquistada pelos espanhóis nos penáltis, em que o técnico português arrasou a arbitragem do inglês e ainda lhe fez uma espera no final da partida. No regresso a casa, com a companhia da família, Taylor foi «vítima de abuso» por parte de adeptos italianos no aeroporto de Budapeste, culpando Mourinho pelo sucedido e por nunca mais poder levar a mulher e os filhos para um jogo de futebol.
Percurso na arbitragem
Ao longo de uma carreira notável, Taylor arbitrou um total de 668 jogos profissionais em Inglaterra, dos quais 432 foram na Premier League ao longo de 16 épocas. O seu currículo em competições domésticas inclui a presença em todas as principais finais, destacando-se as finais da Taça de Inglaterra em 2017 e 2020, a final da Taça da Liga em 2015, a Supertaça inglesa de 2015 e a final do play-off do Championship em 2018.
A nível internacional, a carreira de Taylor foi igualmente distinta: durante 14 anos, integrou a lista de árbitros internacionais da FIFA, período no qual esteve presente em dois Campeonatos do Mundo (2022 e 2026), dois Campeonatos da Europa (2020 e 2024) e dois Mundiais de Clubes (2022 e 2025).
Nos 163 jogos internacionais que dirigiu, foram-lhe confiados alguns dos maiores palcos do futebol mundial. Arbitrou a Supertaça Europeia de 2020, a final da Liga das Nações de 2021, a final do Mundial de Clubes de 2022, a final da Liga Europa de 2023 e uma meia-final da Liga dos Campeões em 2024.
Antes de se afirmar como um dos principais árbitros europeus, Taylor desempenhou funções de árbitro assistente adicional em vários eventos de relevo da UEFA, como a Supertaça Europeia de 2014, a final da Liga Europa de 2015 e as finais da Liga dos Campeões e do Campeonato da Europa, ambas em 2016.
«Portugal-Espanha corou uma carreira excecional»
Howard Webb, Diretor de Arbitragem da Pro Ref, elogiou o percurso de Taylor: «O Anthony serviu o futebol de forma fantástica durante muitos anos, tanto a nível nacional como internacional. Foi-lhe confiada repetidamente a arbitragem dos maiores jogos, incluindo o Portugal contra Espanha no Mundial deste verão, que acabou por coroar uma carreira excecional.»
Webb acrescentou ainda que Taylor é um modelo a seguir. «Ele demonstrou consistentemente, durante um período prolongado, por que é um dos melhores e mais bem-sucedidos árbitros que o futebol inglês já produziu. Mas não são apenas as suas conquistas em campo que o tornam um exemplo para muitos. O profissionalismo que demonstrou e o apoio aos seus colegas e à próxima geração de árbitros são um testemunho do seu caráter. Agradecemos-lhe a sua imensa contribuição para o jogo e desejamos-lhe todo o sucesso no próximo capítulo da sua carreira», concluiu.
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