Petit: «Os nossos jogadores têm os pés bem assentes na relva»
Ainda sem conhecer o sabor da derrota, o Santa Clara tem novo teste à invencibilidade neste domingo, em Arouca, em desafio da 6.ª jornada da Liga. Petit espera um desafio difícil, mas quer dar continuidade ao arranque da sua equipa na competição, com «humildade» e com os jogadores com «os pés bem assentes na relva».
«Esperamos um adversário que está a atravessar um bom momento, tem três vitórias no campeonato, um empate e uma derrota, contra um grande. Aliás, estão as duas [equipas] a atravessar esse bom momento. Esperamos dar continuidade, vai ser um jogo difícil contra uma equipa bem orientada, com qualidade, e com jogadores que individualmente e coletivamente sabem o que fazem dentro do campo. Mas também temos de olhar para aquilo que nós podemos fazer. Queremos dar continuidade ao bom momento, ao ambiente que temos no balneário. E isso passa por lutar pelos três pontos», assinalou.
«O Arouca gosta de sair na sua primeira fase de construção, pelo seu guarda-redes, com dois médios que dão muita qualidade e que chamam os adversários, para depois haver uma ligação e poder estar de frente para o jogo. Tem movimentações interessantes que nós analisámos e também conhecemos o Vasquinho [Vasco Seabra]. Por isso, nós sabemos aquilo que eles nos podem criar, trabalhamos sobre isso, mas também sobre aquilo que o Arouca nos pode permitir no processo ofensivo. Isto é um pouco do rato e do gato. Aquilo que nós podemos fazer a eles e aquilo que eles nos podem fazer. Depois é a capacidade do jogador em ter a inteligência dentro do jogo, de se aperceber de uma outra dinâmica diferente. Acredito que se estivermos no nosso melhor e no máximo daquilo que temos feito nos últimos jogos, também podemos chegar lá e fazer um bom resultado e conquistar os três pontos», disse ainda sobre o embate com os lobos da Serra da Freita.
O treinador do Santa Clara afirmou que a humildade dos seus jogadores os deixa imunes à euforia que poderá estar associada ao bom começo. «Como eu já disse, eles têm os pés bem assentes na relva. Sabem aquilo que é o campeonato e que vai ser duro. Ainda estamos na 5.ª jornada, estamos num bom momento, mas temos a humildade de reconhecer que o campeonato vai ser difícil. E nós temos de aproveitar este momento, dar seguimento e continuar a ganhar, ter bons resultados e boas exibições. Porque todos os clubes e todas as equipas vão passar por momentos menos bons durante a temporada. Mas sempre com ambição, esta equipa gosta de trabalhar e trabalha desde o primeiro dia que nos apresentámos. Temos um grupo em que, praticamente, já jogou toda a gente. Muitas vezes digo que 70% é o balneário e o resto é dentro do campo. E isso nota-se quando há a comemoração de um golo, o ambiente que está criado. Mas nós somos humildes em reconhecer que vamos apanhar uma equipa que está também a atravessar um bom momento e que tem muita qualidade», afirmou.
Este bom momento dos açorianos tem de ser capitalizado para ultrapassar etapas rumo à manutenção, o grande objetivo. «Muita gente não gosta de falar nessa palavra, que são as barreiras. A primeira são os 10 pontos, que é sempre difícil, por aquilo que é a minha experiência no futebol. Depois é a dos 20, até chegar aos 30. Nós temos 11, queremos ir para os 14, e assim sucessivamente. Pensamos jogo a jogo e nos três pontos em disputa. Se não dá para ganhar, não podes perder. Mas o nosso foco é sempre olhar os adversários nos olhos e em termos estratégicos, mudar uma ou outra situação. E chegarmos ao final do jogo e sentirmos o orgulho de que demos tudo para conseguir esses três pontos. Se não o conseguirmos, é porque o adversário foi melhor. A mensagem que passamos para dentro do campo e para o balneário é que temos sempre de lutar pelos três pontos em qualquer campo», apontou.
Petit partilhou ainda a felicidade do grupo, por Gonçalo Paciência ter sido eleito o melhor jogador da Liga, no mês de agosto. «Acho que é um estímulo para toda a equipa. O Gonçalo tem o prémio de melhor avançado do mês, por aquilo que ele fez, por aquilo que ele dá à equipa, pela qualidade que ele tem. Mas também é fruto do coletivo todo, da equipa que está preparada para aquilo que é o Gonçalo dentro do campo. Se não for o Gonçalo, ou o Fernando, ou o Jacó, são jogadores todos diferentes uns dos outros. O Gonçalo tem a sua experiência, está num bom momento, tem muita qualidade, é um jogador que percebe aquilo que são as nossas dinâmicas, é um jogador que está com um sorriso porque as coisas estão-lhe a correr bem e esperamos que continue. É um jogador com muita qualidade e os prémios são o trabalho do coletivo. Estamos satisfeitos e contentes pelo Gonçalo, mas acho que o prémio é de toda a gente», sublinhou.