Pedroto e mais

O que o Benfica e o FC Porto, o Jesus e o Conceição, podem ter a ver com Pedroto...

PARA  mim, o melhor historiador do desporto em Portugal é Alcino Pedrosa - e foi através do Alcino Pedrosa que eu descobri a alta dimensão de José Maria Pedroto - nele a revelar:
— A ideia de jogo não nasce de um passe de mágica, constrói-se e implementa-se tendo sempre presente o que nós pretendemos e as características dos jogadores. Podemos ter uma ideia de jogo bem definida, podemos até ter jogadores que a saibam interpretar mas para que os resultados sejam aqueles que pretendemos, há um fator em que não podemos errar:  saber como  vamos dispor a equipa face ao adversário...
Eu vi, contra o Barcelona, Jorge Jesus a fazê-lo arguto - e, contra o Liverpool, o Sérgio Conceição nem por isso.
Foi através do Alcino Pedrosa que eu descobri a alta dimensão de José Maria Pedroto - nele a revelar:
— Na escolha dos jogadores começa-se a definir a dinâmica da vitória. E para isso, são necessários jogadores inteligentes e emocionalmente fortes...  
Eu vi, contra o Barcelona, todos os jogadores do Benfica a fazê-lo (sobretudo na segunda parte com num empertigamento e um deslumbramento a mostrá-los amiúde melhores do que aquilo que eles são da cabeça aos pés)  - e contra o Liverpool, os do FC Porto não.
Foi através do Alcino Pedrosa que eu descobri a alta dimensão de José Maria Pedroto - nele a revelar:
— Nem todos os jogadores conseguem superar a pressão dentro do campo. Perante as contingências do jogo, uns tornam-se descrentes, outros heróis. Os que se tornaram descrentes dificilmente alcançarão o estatuto de heróis. Os que se tornaram heróis nunca poderão esquecer que terão de regressar, no fim do jogo, à condição humana. É aqui que se vê quem interiorizou a mística …
E se, contra o Barcelona, vi o Benfica no regresso à mística dos heróis dos seus anos 60 (na sua atitude e na sua exibição...) - contra o Liverpool, no FC Porto só vi jogadores a perder o Pedroto que Sérgio Conceição queria dentro deles...