Parabéns em português antes do teste de inglês (crónica)
Pedro Gonçalves, Daniel Bragança, Francisco Trincão e Rafael Nel. Com quatro golos de portugueses - e sete jogadores lusos de início - o Sporting garantiu uma vitória sobre o Santa Clara antes da receção ao Arsenal, para a primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões.
Entre os efeitos dos compromissos internacionais e a exigência do teste de inglês que aí vem, a equipa de Rui Borges conseguiu um triunfo justo, pese embora os momentos de intranquilidade a abrir e a fechar.
Chamado à titularidade para render o castigado Luis Suárez, tal como A BOLA tinha antecipado, Rafael Nel esteve em destaque no dia do 21.º aniversário, com um golo e uma assistência.
Já não é fácil mudar o chip depois dos compromissos das seleções, mas o Sporting entrou em campo praticamente a perder. O poder dos lançamentos longos do Santa Clara não foi surpresa, seguramente, mas esteve na génese do golo de Klismahn, logo ao terceiro minuto.
Rui Borges bem procurou trocar as voltas ao vírus FIFA, mas Fresneda, engripado, ficou de fora, enquanto que Hjulmand, adoentado também, foi resguardado no banco, ao lado de Inácio, Diomande e Maxi Araújo. Foram cinco as alterações no onze leonino, o que ajuda a explicar a má entrada, nos primeiros dez minutos, incluindo uma escorregadela de Mangas que podia ter saído cara, não tivesse sido transformada em falta por André Narciso.
Apto para alinhar de início num relvado bem tratado - mas depois substituído ao intervalo -, Pedro Gonçalves deu os primeiros sinais de reação sportinguista, mas Sidney Lima começou cedo a ganhar protagonismo na linha defensiva açoriana, a par do guarda-redes Gabriel Batista.
Um penálti foi pontapé de saída para a reviravolta. Na ausência de Suárez foi Pedro Gonçalves quem assumiu o empate da marca de onze metros.
A partir daí, e até ao intervalo, a equipa de Rui Borges voltou a um registo bem mais próximo do habitual. De tal forma que foi para o descanso a vencer por dois golos de diferença, assinados por Daniel Bragança e Francisco Trincão, com nota artística elevada, impulsionada pelo contributo de Rafael Nel e de Morita no trabalho prévio.
O jogo parecia resolvido a meio, até porque a etapa complementar arrancou com o Sporting a gerir descontraidamente e o Santa Clara a revelar mais dificuldades para sair em velocidade para o ataque.
Só ao minuto 60 é que surgiu uma oportunidade de golo que apanhou Nel desprevenido, com Geny Catamo a acertar na parte superior da trave, pouco depois.
A entrada de Gonçalo Paciência, ao minuto 77, teve o efeito de trazer a formação açoriana de volta à discussão dos pontos. Apenas três minutos depois o avançado formado no FC Porto festejou um golo que seria anulado por falta de Vinícius sobre Faye. Inconformado, o internacional português voltou a apresentar uma finalização de grande recorte técnico a um minuto dos 90, e aí já a valer para a equipa orientada por Petit.
O jogo estava relançado, de forma algo inesperada, mas acabaria resolvido pelo aniversariante Rafael Nel, outra vez a marcar em período de compensação, e com uma finalização muito idêntica à que protagonizou frente ao Bodo/Glimt.
Estava na hora de soprar as velas, que não tarda é preciso enfrentar os canhões de Londres.