A bola volta a rolar no deserto: Ronaldo e companhia na nova era da liga saudita
O futebol regressa à Arábia Saudita e, com ele, volta também um campeonato que se tornou impossível de ignorar. Entre o brilho dos arranha-céus de Riade, o calor do deserto e a tradição de um país onde o futebol ganhou estatuto de fenómeno global, a liga saudita prepara-se para abrir novamente as portas. Depois de um verão menos exuberante do que os anteriores, a bola volta a rolar e reinicia-se a corrida pelo trono saudita, num campeonato onde ainda há estrelas suficientes para manter os holofotes ligados.
Os (quatro) candidatos ao trono
O Al Nassr parte para a defesa do título com uma mudança importante no banco. Jorge Jesus deixou o clube após ter alcançado a glória na temporada passada para assumir o cargo de selecionador nacional, abrindo espaço a Ange Postecoglou, que fará a estreia por terras sauditas. No relvado, porém, continua a estar a principal figura do projeto (e do campenato): Cristiano Ronaldo. O astro português vai para a quinta temporada no clube e quererá repetir o sucesso do ano transato — e com um objetivo particular no horizonte: os mil golos.
O camisola 7 terá novamente ao lado nomes como João Félix, Sadio Mané, Kingsley Coman, entre outros, numa equipa que quer voltar a celebrar o campeonato apesar das dificuldades financeiras que têm condicionado a capacidade de investimento do clube.
O Al Hilal surge, também (e como quase sempre), como um dos grandes candidatos. Rúben Neves continua a ser uma das referências da equipa, que conta ainda com Karim Benzema, Karim Benzema, Kalidou Koulibaly, Yassine Bounou e Sergej Milinkovic-Savic, entre outros.
O Al Ittihad, de Danilo Pereira e Roger Fernandes, também entra na discussão, enquanto o Al Ahli, bicampeão asiático, procura transportar esse estatuto para a luta doméstica, com Francisco Trincão, Galeno, Ivan Toney e Enzo Millot como algumas das principais figuras. Os quatro grandes prometem, portanto, aquecer ainda mais o clima na Arábia Saudita à medida que as jornadas passarão.
Por fora, mas ainda a ter em conta, corre o Al Qadisiyah. O conjunto de Khobar, treinado por Brendan Rodgers, intrometeu-se nas contas dos grandes na temporada passada, terminando na quarta posição, e volta a apostar na surpresa. Julián Quiñones — melhor marcador da liga na época passada —, Mateo Retegui, Julian Weigl (ex-Benfica), Nacho Fernández e o internacional luso Otávio são alguns dos nomes de maior destaque de uma equipa que não deve ser esquecida.
Estrelas entraram... mas saídas marcaram
Se os últimos mercados transformaram a Arábia Saudita num dos grandes palcos de atração do futebol mundial, este verão foi mais contido. Foram menos as estrelas a chegar e, curiosamente, a lista de nomes sonantes que abandonaram o país é mais extensa do que a dos que aterraram na Saudi Pro League.
Entre as principais entradas estão Crysencio Summerville, contratado pelo Al Hilal ao West Ham por 64 milhões de euros — a maior transferência do verão saudita — e dois portugueses: Francisco Trincão, que trocou o Sporting pelo Al Ahli por 39 milhões, e Samu Costa, reforço do Al Nassr por 22 milhões. Do outro lado, Marcos Leonardo deixou o Al Hilal rumo ao Ajax, Jhon Durán voltou a ser emprestado pelo campeão, rumando ao Benfica, enquanto Kessié e Mahrez saíram do Al Ahli, Fabinho abandonou o Al Ittihad, Brozovic deixou o Al Nassr e Wijnaldum o Al Ettifaq.
Também os bancos ganharam novas caras. O já referido Postecoglou assumiu o Al Nassr, Bruno Lage será o novo treinador do Al Diriyah e José Gomes trocou o Al Fateh pelo Al Khaleej. Quanto a saídas, Matthias Jaissle deixou o Al Ahli depois de três temporadas e rumou ao Newcastle, com Marino Pusic a comandar o emblema de Jeddah.
Portugal em força
A presença portuguesa continua a ser uma das marcas da competição. São 15 os jogadores lusos (para já) ligados a clubes sauditas, número que coloca Portugal como o terceiro país estrangeiro mais representado no campeonato, apenas atrás de França, com 18 jogadores, e Brasil, com 16.
E se há uma figura que personifica a presença portuguesa — e a própria dimensão mediática da liga — é Cristiano Ronaldo. Capitão, estrela maior e principal rosto do Al Nassr, o português continua a ser uma das grandes atrações do campeonato e parte novamente como uma das referências na luta pelo título. Ao seu lado estará João Félix, que teve uma primeira época de grande impacto na Arábia Saudita e terminou como o jogador com mais assistências da liga, assumindo-se como uma das principais armas ofensivas do conjunto de Riade. A armada portuguesa no campeão ganha agora um novo elemento com Samu Costa, contratado para reforçar o meio-campo do Al Nassr.
No Al Hilal, Rúben Neves mantém-se como uma das figuras de maior peso da equipa e do futebol português no campeonato saudita. O futuro de João Cancelo, por sua vez, continua em aberto, mas o lateral permanece ligado ao emblema de Riade. Já Francisco Trincão prepara-se para a primeira temporada no Al Ahli, depois de trocar o Sporting pela Arábia Saudita, enquanto Danilo Pereira continua no Al Ittihad, onde também está Roger Fernandes. O jovem extremo, contudo, sofreu uma grave lesão no joelho e não deverá dar o seu contributo ao longo desta temporada.
A lista fica completa com Paulo Oliveira, no Al Fayha, Pedro Rebocho e Miguel Crespo, no Al Khaleej, Otávio, no Al Qadisiyah, Daniel Podence, no Al Shabab, Luís Maximiano, no Neom, e Leandro Antunes, no Al Ryiadh. Nos bancos, Bruno Lage e José Gomes completam a representação portuguesa, ao serviço de Al Diriyah e Al Khaleej, respetivamente.
O campeonato saudita regressa, portanto, com menos estrondo no mercado, mas ainda com muito para oferecer. O campeão quer repetir a festa, os crónicos candidatos querem destroná-lo e, no meio deles, Portugal volta a ter uma presença de peso num campeonato que já não precisa de apresentações para ser um dos mais mediáticos da Ásia.