Abel Ferreira: «Se esperam um treinador que ganhe tudo, têm de ir buscar o do PSG»
Após o empate (1-1) do Palmeiras com o Cerro Porteño para a primeira mão dos oitavos de final da Libertadores, Abel Ferreira abordou a recente contestação por parte dos adeptos, desvalorizando a pressão e deixando um recado sobre as expectativas de sucesso.
A polémica surgiu na sequência de uma publicação da Mancha Verde, uma das principais claques do clube, que partilhou uma mensagem com a frase «acabou a paciência», acompanhada das palavras «Fora, Abel Ferreira». A publicação foi rapidamente interpretada como uma crítica direta ao treinador português e ao plantel. No entanto, horas mais tarde, a claque emitiu um comunicado a esclarecer que o alvo do protesto não era Abel Ferreira ou os jogadores, mas sim o «sistema». A Mancha Verde afirmou que a mensagem foi mal interpretada, reiterando que a «paciência acabou», mas, para já, não com a equipa técnica ou os atletas.
Apesar do esclarecimento, o técnico português reconheceu que a exigência faz parte do futebol, mas aproveitou para fazer uma ressalva. Abel Ferreira afirmou que, se a expectativa é ter um treinador que vença todos os jogos e conquiste todos os títulos, então o Palmeiras deveria procurar outro perfil.
«Eu tenho um carinho, respeito e gratidão por todos os nossos adeptos. E todos somos um, é isto mesmo. O símbolo que tenho no peito é desde 2020. E desde 2020, ganhando ou perdendo, eu, como treinador, faço uma coisa: servir o Palmeiras da melhor forma que sei e posso. Se estão à espera de um treinador que ganhe tudo... têm de ir buscar o do PSG [Luis Enrique], que ele agora limpa tudo. Lamento que, muitas vezes, não esteja na expectativa de ganhar tudo. Mas fico muito feliz, estou há quatro ou cinco anos e vejo toda a gente a remar para o mesmo lado», comentou o treinador português, em conferência de imprensa.
O treinador elogiou ainda a postura dos adeptos durante o jogo contra o Cerro Porteño, destacando a importância da união entre todas as partes do clube para alcançar os objetivos.
«Se os adeptos fizerem o papel deles, como hoje, e sentimos a energia, no fim têm todo o direito e o meu respeito para se manifestarem da forma que quiserem. Quando estamos todos unidos e lutamos todos para servir o Palmeiras, principalmente nos momentos difíceis, criamos condições internamente, direção, equipa técnica, jogadores e claque, estamos preparados para ganhar quatro em quatro. E é isso o que queremos este ano», rematou.