Treinador do Sporting também aborda eliminação da Liga dos Campeões e da recente derrota com o Benfica para o campeonato

O único medo do treinador e o troféu que não salva nada: tudo o que disse Rui Borges

Treinador dos leões espera ser recebido no Dragão como o adversário foi recebido em Alvalade, falou da pouca rotatividade do plantel, abordou as lesões, elogiou Suárez e fala em decisões: «Este jogo é decisivo porque nos coloca numa final», disse

- Do ponto de vista estratégico, o que podemos esperar deste jogo? O jogo do campeonato foi algo amarrado, acredita que este será diferente até pelo facto do FC Porto estar em desvantagem?
- Será um jogo muito competitivo, um FC Porto à sua imagem. Uma equipa bastante intensa no primeiro momento de pressão, principalmente em sua casa. Uma eliminatória a duas mãos, estão a perder, e é natural que intensifique ainda mais. É uma equipa que pressiona muito bem, organiza-se em bloco quando percebe que não consegue. Muito organizados, competitivos. Não vai fugir muito à imagem deles. Em termos físicos é uma equipa muito forte nos encurtamentos do espaço, na pressão, nos duelos pelo chão e pelo ar. E isso torna o jogo muito competitivo. Um FC Porto à sua imagem e um Sporting também. Acima de tudo, duas equipas que vão querer muito ganhar e estar na final.

- No passado dia 12 de dezembro, disse que se tivesse o papel e a caneta para renovar assinava já. Mantém essa afirmação? Os últimos resultados podem colocar isso em risco? Tem medo disso?
- Medo? Medo tenho da morte. Gosto muito de viver, é o único medo que tenho. Estou focado no jogo. Já falei na renovação muitas vezes. Estou feliz, tenho contrato até 2027. A confiança é diária e estou super tranquilo em relação ao meu futuro.

- Se o Sporting não conquistar títulos, de quem é a culpa? Teme mais perder a confiança dos adeptos ou do presidente?
- Não vou em 'ses'. Estamos a competir. Ainda não há campeão no campeonato, na Taça estamos a lutar por uma passagem à final. E estamos focados nisso. Não sou de 'ses', sou de trabalho. Sabemos o que tem sido o nosso trabalho. Todos. Não só a equipa técnica ou os jogadores. A estrutura sabe. Estamos na disputa dos troféus, de todos eles. E isso, acima de tudo, é o primeiro objetivo de dignificar um grande clube, estar até final na luta pelos troféus. E isso temos feito muito bem.

- Na sua opinião, o penálti deveria ter sido repetido frente ao Benfica? Se amanhã houver um penálti, será o Suárez a bater?
- Estão bem definidos os marcadores e não mudam. Jogo com o Benfica é passado, é focar no FC Porto. Foram três grandes equipas em campo. Se deveria ter sido repetido? Não vou entrar por aí.

- Sente que a equipa tem menos profundidade do que os rivais face às lesões? Como estão os lesionados?
- O João Simões já partilhou, está fora até final da época. Fresneda continua em dúvida, é muito do dia-a-dia. Poderá estar fora do jogo. É possível que não esteja ainda disponível. Nuno Santos está fora também. Profundidade? Não vou comparar com os outros, foco-me no nosso. Claro que gostaria de ter todos disponíveis. O Quenda a 100%, Luis Guilherme, Ioannidis. Permitia gerir algumas cargas nestes meses que foram surreais em jogos e sobrecarga. Não conseguimos gerir tão bem como queríamos, mas faz parte. Temos de nos agarrar ao que estamos inseridos. E com menos ou maior dificuldade, temos de dar o nosso melhor. E é isso que os jogadores têm feito. Amanhã haverá mais uma oportunidade. Com cansaço ou sem cansaço, temos de dar tudo em campo. São as circunstâncias do jogo e não gosto de me lamentar. Claro que gostaria de ter todos, era um plantel totalmente diferente. Mas dentro disso... Eles foram dando resposta e mostraram que são um grupo fantástico. 

- O Sporting foi do céu ao inferno frente ao Benfica. Marca, é anulado e depois sofre. Isso afeta mais a equipa? Como se gere esta parte emocional?
- É lógico que é importante. Mais do que o cansaço físico, é também o mental. É lógico que no momento sente-se bastante. Claro que os adeptos sentem. Não mais do que nós, nós sentimos muito. Mas temos de ser equilibrados. Há dois ou três meses perguntavam-me por quatro jogos a ganhar aos 90'. Agora perdi dois aos 90'+4. Temos de ser equilibrados e lidar com isso. Perceber como aconteceu. A equipa deu tudo, seja frente ao Arsenal, seja agora com o Benfica. São as emoções do futebol. Eu sou muito frio nesse sentido e é tentar passar isso para os jogadores, fazê-los entender a importância do próximo jogo. É um jogo que nos pode colocar em duas finais e temos de estar muito focados nisso. Um clube grande quer estar na disputa final até ao fim e o jogo de amanhã dá-nos essa possibilidade de estarmos não em uma mas em duas finais. Queremos muito e sinto os jogadores tranquilos e focados.

- O que se passa ao certo com o Fresneda, pode não jogar mais esta época? Suárez não marcou nos últimos jogos, isso preocupa-o?
- Em relação aos lesionados, Guilherme, Ioannidis, Fresneda, Nuno Santos, já disse que estavam até final da época, sim. Em relação ao Suárez, não me preocupa. É fazer uma análise fria das coisas, perceber a exigência dos jogos que tivemos. E isso leva muitas vezes a não ter grandes oportunidades. É um trabalho difícil, um jogador que tem dado tudo pela equipa. É dos que está em sobrecarga e tem sido surreal toda a sua entrega, o que tenta fazer. Vai perdendo algumas coisas e sentimos isso, é evidente. Mas não deixa de ser importante. Vai ter menos oportunidades em alguns jogos, mas tem de se focar. Tem de as aproveitar. Ele está tranquilo, sabe a confiança que tem de todos nós e tudo o que tem dado e vai continuar a dar. Não é por ter dois ou três remates em dois ou três jogos. Tem a ver muito com o coletivo. E perante o adversário que estamos a defrontar... Tem dado muito, tem trabalhado imenso, tem-se sacrificado. Ganhou esse reconhecimento por meritocracia.

— Têm havido grandes incidentes quando o Sporting vai ao Dragão, como espera ser recebido desta vez? 
- Em relação à receção, tem de perguntar ao adversário. O FC Porto tem sido muito bem recebido aqui em Alvalade e assim esperamos sermos nós recebidos.

- E esta pode ser uma semana para esquecer, porque o Sporting saiu da Champions, perdeu com o Benfica e pode sair da Taça de Portugal. O Sporting está preparado psicologicamente para isso?
- É semana de equipa grande. Ainda bem que perdemos na Liga dos Campeões, é sinal que olham para nós com uma grandeza enorme. Valoriza o clube e o nosso trabalho. Perdemos a Liga dos Campeões? É sinal de que a podíamos ter ganho. Estamos na luta de tudo, que é o primeiro grande objetivo de um grande clube e temos de dignificar da melhor forma o Sporting. Ficámos mais longe no campeonato, mas ainda não há campeão e vamos acreditar sempre. O líder tem feito uma grande época, infelizmente melhor que a nossa. Este próximo jogo define muito, a passagem à final da Taça de Portugal e pode definir a presença na Supertaça e é nisso que temos de estar focados. 

- Este jogo é o mais decisivo da época para o Sporting? Isso fá-lo pensar numa gestão diferente?
- Um treinador tem de fazer muitos cenários. Mas há muitos. Por isso é que é difícil tomar decisões e por isso é que o treinador 'chupa o gelado', como se costuma dizer. É o que digo aos adjuntos. Temos de pensar em muitos cenários, mas vai sempre surgir outro, outro e outro. É perceber como os jogadores se sentem e haver muita comunicação, sempre com muita honestidade, perceber quem está melhor para dar o contributo. Não pensar no prolongamento. Queremos muito passar nos 90 minutos e é esse o nosso objetivo. Não gosto de criar muitos cenários, porque quanto mais pensamos, mais cenário acrescentamos. E nesta fase, por aquilo que tem sido o nosso caminho, é muito mais diálogo e perceber como estamos. E com muita honestidade, sentir quais os melhores para começar e para acabar o jogo. É um jogo decisivo porque pode colocar-nos em duas finais. Queremos muito disputar a final.

- Sendo que só na Taça de Portugal o Sporting depende de si próprio, ganhá-la pode salvar a época?
- Não olho para as coisas dessa forma. O Sporting tem de disputar os troféus até à final. E nós temo-lo feito. E amanhã queremos muito disputar a Taça. Chegamos no final e depois faremos a análise, perceber se o caminho foi bem feito, no que falhámos... É muito por aí. Mas não se trata de salvar nada. Trata-se de querer disputar um troféu, queremos voltar a ter essa oportunidade de o defender. É muito esse foco. O campeonato está difícil e agora estamos focados na Taça. Depende de nós e é a isso que nos vamos agarrar.