Sepp Kuss: «Surpreendido, eu?! Simon Yates vive à sua maneira»
Sepp Kuss admitiu ter ficado surpreendido com o anúncio da retirada do seu antigo colega de equipa Simon Yates, mas considera que a decisão não é ilógica, tendo em conta a personalidade reservada do britânico.
O fim da carreira de Yates, anunciada no início de janeiro, foi um dos principais temas de conversa no dia de imprensa da Visma. Kuss, que partilhou a equipa com o britânico durante um ano, comentou a notícia.
«Se o conhecermos, não é assim tão estranho. O Simon vive à sua maneira, e a ideia de parar provavelmente já lhe tinha passado pela cabeça antes», salientou o norte-americano.
Apesar da surpresa, Kuss reconhece o impacto da ausência de Yates nos planos da equipa para as Grandes Voltas.
«Foi uma surpresa, e é uma pena que o percamos nos nossos planos para o Tour, mas temos de seguir em frente sem ele», lamentou.
Com a saída de um dos principais trepadores, o papel de Kuss na equipa ganha ainda mais relevo. O ciclista terá um ano preenchido, com a missão de apoiar o dinamarquês Jonas Vingegaard na Volta à Catalunha, no Giro de Itália e no Tour de França, após um estágio em altitude.
A participação de Vingegaard no Giro, uma novidade no seu calendário, é vista por Kuss como uma forma de aliviar a pressão sobre o Tour. «A participação dele no Giro vai tirar muita pressão e colocar o Tour numa perspetiva diferente. O Jonas já queria ir ao Giro no ano passado, mas não foi fácil para a equipa», revelou Kuss em declarações ao jornal AS.
Segundo o seu fiel gregário, a mudança de calendário foi uma decisão lógica, especialmente após a vitória de Vingegaard na Vuelta, que deixou o Giro como a única Grande Volta que lhe falta conquistar. Kuss acredita que a nova abordagem manterá o dinamarquês mais motivado.
«Ele está mais motivado do que em anos anteriores, quando o seu calendário era sempre o mesmo. Se as coisas não corressem bem até ao Tour, parecia que se tinha perdido o ano inteiro», argumentou. «O Tour é a corrida mais importante para todos, e uma participação no Giro acarreta riscos. Mas ele está motivado, e é bom que ele aceite outros desafios e saia da sua zona de conforto.»
Recorde-se que Sepp Kuss foi uma peça fundamental para Vingegaard nos últimos anos, tendo ele próprio alcançado um sétimo lugar na Vuelta de 2025, onde demonstrou um excelente nível nas etapas de montanha.