O segredo radical do novo Aston Martin de Adrian Newey
O novo monolugar da Aston Martin, o AMR26, apresenta uma solução aerodinâmica radical, fruto do trabalho do conceituado engenheiro Adrian Newey. Imagens publicadas pela equipa durante o 'shakedown' da Fórmula 1 que decorre até esta sexta-feira no Circuito da Catalunha, em Barcelona, revelam design extremo que se destaca de todos os outros carros apresentados para a nova temporada, marcada por novos regulamentos técnicos.
A principal surpresa reside na cobertura do motor. O que à primeira vista parece um simples corte, revela-se, numa análise mais detalhada, um degrau abrupto e pronunciado nas laterais, como se a carroçaria tivesse sido serrada. A partir desse ponto, o carro comprime-se drasticamente em direção a uma traseira muito estreita, com uma série de ondulações que guiam o fluxo de ar.
Esta inovação contraria as expectativas de alguns diretores técnicos, como James Key (Audi) e David Sánchez (Alpine), que recentemente afirmaram ser cada vez mais difícil apresentar soluções radicais sob os regulamentos de 2026. No entanto, Newey parece ter conseguido, criando um carro que, embora a sua velocidade ainda seja uma incógnita, é inegavelmente extremo no seu conceito aerodinâmico.
O AMR26, que será guiado por Fernando Alonso e Lance Stroll, distingue-se dos seus concorrentes em vários outros aspetos. O nariz do carro é mais largo e de formato quadrado na sua extremidade, e as suspensões, tanto dianteira como traseira, apresentam particularidades. Na traseira, destaca-se um braço de suspensão fixado ao duplo pilar da asa, uma solução que Newey já tinha implementado no Red Bull com que Max Verstappen se sagrou campeão em 2021 e que, segundo o Motorsport.com, visa otimizar o fluxo de ar.
As diferenças estendem-se às entradas de ar dos pontões, que seguem uma filosofia oposta à da maioria das equipas. A asa dianteira, por sua vez, adota uma abordagem mais minimalista, com menos ondulações no seu último flap, e a inclinação descendente dos pontões é menos agressiva do que a observada noutros monolugares.
Ainda não é possível determinar se o AMR26 será um carro competitivo, mas a sua singularidade é evidente.