Marco Silva destacou imprevisibilidade do mercado até ao último dia

O que oferece Circati, a importância de Aursnes, o plantel que não está fechado: tudo o que disse Marco Silva

Conferência de Imprensa do treinador do Benfica antes do jogo com o Aarhus, do play-off da Liga Europa

— O que espera desta eliminatória? Como se compara o Aarhus com Hearts e St. Gallen?
— Esperamos uma eliminatória difícil. Esse é o primeiro ponto. É uma equipa com carimbo de campeão e isso dá boa energia e positividade. Foi com esse sentimento que começou a época. Vem de uma competição diferente [eliminatórias de qualificação para a Liga dos Campeões] e caiu nesta [Liga Europa] por ter sido eliminada [pelo Sabah, do Azerbaijão] na terceira pré-eliminatória. Irá causar-nos dificuldades, de certeza. Vai obrigar-nos a estar ao nosso melhor nível. Tem capacidade e gosta de levar o jogo para o lado mais físico. É muito importante estarmos a um nível que nos permita controlar o jogo e saber que a eliminatória se decide em dois jogos. Queremos o impacto de jogar em casa com os nossos adeptos, impor qualidade no nosso jogo e precisamos de concentração e agressividade nos momentos certos. Precisaremos disso para obter o resultado que queremos: ganhar.

— O Aarhus tem sido muito inconstante nas pré-eliminatórias. Perde por quatro em casa (1-4) e vence na Polónia [com o Lech Poznan, 4-1, 4-3, g.p.]. Ganha 2-1 num jogo em que é favorito, mas depois no Azerbaijão perde [com o Sabah] 4-0. Como se prepara um jogo contra uma equipa tão inconstante?
— Sim, tem sido uma característica, não há que esconder. Quando falei há pouco que iremos defrontar uma equipa que foi campeã e quando se tem o carimbo de campeão há que reconhecer mérito e consistência. Ninguém, independentemente do país, é campeão se não tiver essas características. Neste princípio de época não tem sido tanto assim se olharmos para os resultados. Quando preparamos um jogo gostamos de olhar e analisar o maior número de jogos possível, preferimos olhar para o melhor do adversário do que para alguns momentos em que não esteve tão bem. Naturalmente há coisas que queremos explorar. É uma equipa que joga com linha de três e fecha a cinco e depois tem jogadores de qualidade na frente.

Aursnes está disponível para jogar? Que papel terá no seu Benfica?
— Sim, o Fredrik tem estado, pouco a pouco, a ganhar melhor condição [física]. Depois do Mundial e da pausa merecida após o Mundial, sentiu algum desconforto muscular e optámos por fazer um trabalho colocá-lo num patamar físico e de confiança. Infelizmente, ainda não teve qualquer momento de jogo para que possamos ter uma sensibilidade diferente em relação à confiança dele, mas na última semana tem vindo a trabalhar pouco a pouco integrado na equipa. Nos últimos dias de preparação deste jogo, esteve totalmente integrado e isso é o mais importante. Deu-nos bons sinais e estará na convocatória. Não está com 90 minutos nas pernas, isso é claro, mas entende grande parte das dinâmicas que queremos. Não só porque é atento e quer estar junto, mas porque também tem entendimento do jogo que nos permite dar aqui passos em frente, mesmo não tendo estado envolvido nos últimos jogos. Esperemos que amanhã o possamos ver já num nível diferente dentro do campo. Qual será a importância dele? Teve  grande importância nos últimos anos e este ano não será diferente. Depositamos nele sempre muitas esperanças, porque é um jogador muito equilibrado, inteligente, que tem uma versatilidade muito grande e que nos permite em muitos momentos do jogo ir por caminhos diferentes, mesmo sem alterar o jogador que está naquela posição. Será mais uma vez muito importante no nosso triângulo do meio-campo, pode jogar em várias posições e oferecer coisas diferentes à equipa.

Circati chegou esta manhã a Lisboa. O que pode oferecer à equipa?
— Ainda não é jogador do Benfica. Como vocês sabem, já está em Portugal, não vou estar a adiar essa resposta por mais dois dias ou três dias, ou possivelmente amanhã depois do jogo. Estávamos a tentar reforçar a equipa nessa posição desde a saída do António. É jovem [22 anos] e tem características e perfil que pretendemos. Mesmo jovem, já tem alguma maturidade. Tem liderança. Precisará de tempo para se adaptar a um país e cultura diferentes, também a uma dimensão de clube completamente diferente. Mas tem essa capacidade de liderança, de maturidade e vem de uma experiência muito importante, o Campeonato do Mundo. Nesse aspeto, dá-nos confiança de que poderá adaptar-se rapidamente à dimensão do clube e às dinâmicas da equipa. E, depois, tem características que procurávamos para a posição, tão simples como isso. Confirmando-se que será nosso jogador, vem para ajudar o plantel a tornar-se mais forte, ter a profundidade que necessitamos em posições muito específicas. Nunca escondemos que queríamos reforçar a posição de defesa-central.

— O plantel do Benfica já está fechado ou ainda haverá algumas novidades?
— Não, o plantel não está fechado. Temos falado abertamente sobre isso. Até ao final do mercado, o plantel não está fechado. De certeza que irão acontecer algumas coisas, possivelmente saídas e entradas. Estamos focados nos jogos, na preparação dos jogadores e na nossa forma de jogar. Naturalmente, a estrutura do Benfica está a trabalhar no resto. O objetivo é tornar o plantel mais forte.

— Já não disputa competições europeias há algum tempo. Sente alguma ansiedade?
— Não há ansiedade absolutamente nenhuma. Há o gostar de preparar jogos e de estar nos jogos, a motivação de estar amanhã com mais de 60 mil pessoas no estádio e sentir o que nos fez tanta falta há oito ou dez dias, por nos retirarem essa possibilidade. Isso é que nos dá motivação e ambição. Não dá ansiedade nenhuma. Queremos é estar nas competições europeias. O Benfica está a passar por um processo que não é muito normal para poder estar numa fase de grupos da Liga Europa, temos de fazer seis jogos para lá chegar. Compete-nos dar o máximo para estar na competição. Disse, no dia da apresentação, que não adiantava muito falar de objetivos a longo prazo na Liga Europa sem alcançar os objetivos imediatos, chegar à fase de grupos.

— Disse que não queria perder Dedic. Possíveis saídas preocupam-no?
— Em relação ao Dedic, disse que nós, Benfica, não queríamos perder. Alguém disse que eu disse que não queria perder. Mas são coisas completamente diferentes quando uso o nós, Benfica. Parece que o nós é diferente do que o eu. Sim, não queríamos perdê-lo, ninguém queria perder um jogador daquela qualidade. No passado, o Benfica também vendeu alguns jogadores de qualidade. Não vou entrar nas questões financeiras e de mercado. Há momentos que [as coisas] têm de ser feitas e ponto final. Compete-nos, depois, como equipa técnica e como estrutura, ir por caminhos diferentes, olhando para o melhor para o Benfica. Não foi só o Dedic que saiu na linha defensiva da época passada, três que jogaram bastante [Dedic, António Silva e Otamendi] não estão cá connosco. Portanto já saíram alguns jogadores que também foram titulares do Benfica durante a época passada. É difícil controlar ou dizer aos nossos adeptos: ‘ah, não vai sair mais nenhum jogador’. É impossível isso acontecer. Não vou por aí, o mercado é difícil de controlar até ao último momento. Não perspetivamos que isso aconteça, mas não posso garantir a 100 por cento. Sim, em algumas posições [tentaremos] dotar a equipa de um ou outro jogador para sermos melhores.

— Disse que o Benfica teria de ser mais Benfica devido às informações que saíam. Kaminski, Lenglet, Durán e Circati foram contratados sem serem muito falados na comunicação social. Está satisfeito com essa mudança?
— Não há muito a comentar, é uma opinião sua.

— O que pode dizer aos adeptos sobre João Palhinha?
— Só lhes posso pedir o que nos podem dar. Não lhes vou falar de jogador nenhum que não seja do Benfica. De certeza que quererão ver um onze do Benfica a lutar pelo emblema e pela camisola, como nos últimos jogos. Esse é o nosso objetivo, é a nossa obrigação. Os adeptos não têm de sonhar com o jogador A, B, C ou D, têm de sentir que os jogadores que estão no Benfica dão tudo para que se sintam orgulhosos do que veem. Queremos sempre os resultados perfeitos, os três pontos, lutaremos por eles, mas tem de haver sempre entrega e capacidade de jogar com a nossa identidade e dar tudo pelo clube. Se lhes dermos isso, não irão pensar noutras coisas, independentemente de gostarem de ver o jogador A, B ou C aqui.

— Como vê a situação de Bah na equipa, depois de uma época difícil?
— O último ano foi difícil porque esteve a maior parte da época fora. Mesmo depois de voltar, teve um pequeno problema no gémeo. Não jogou o tempo suficiente para estar no seu melhor. Bah precisa de estar numa boa condição física, podemos ver que está está a ficar melhor, a perceber melhor o que queremos, a nossa ideia, e a criar uma boa ligação com o Rafa no lado direito. É um dos jogadores com mais anos no Benfica, que sabe o que é ser campeão no Benfica. Isso é muito importante para nós. 

— Na Dinamarca, apresenta-se este jogo como David contra Golias. Como analisa esta ideia e que jogadores gostaria de destacar no Aarhus?
— Vemos o adversário como um coletivo. Não se é campeão por acaso, só com bom rendimento e consistência. Não podemos comparar a história dos clubes e devemos estar orgulhosos disso. Significa que a nossa história como clube é gigante, mas isso não entra em campo amanhã. Amanhã joga o Benfica contra o Aarhus e temos de ser melhores que eles no campo. Isso é que será decisivo.

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