Jéssica Silva joga
no Galatasaray - Foto: GALATASARAY
Jéssica Silva joga no Galatasaray - Foto: GALATASARAY
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O futebol feminino já não está à espera

Ponto de Viragem é o espaço de opinião de Daniela Lopes, Agente FIFA — Sev7n Sports Agency

Durante muito tempo, falar de futebol feminino significava falar sobretudo dos mercados onde a modalidade já tinha uma história, uma estrutura e um caminho percorrido. Hoje, esse mapa está a mudar.

Cada vez mais jogadoras portuguesas estão a procurar oportunidades fora de Portugal e, mais importante do que isso, estão a encontrá-las em mercados que, até há pouco tempo, tinham uma presença muito mais discreta no futebol feminino.

É uma mudança que tenho acompanhado de perto enquanto agente e que me parece revelar algo maior do que o simples aumento do número de transferências internacionais: o futebol feminino está a ganhar espaço em geografias onde a aposta na modalidade é relativamente recente, mas onde existe uma clara vontade de acelerar o seu desenvolvimento.

A Arábia Saudita é um dos exemplos mais evidentes. Um país que entrou recentemente numa nova fase de investimento no futebol masculino não demorou a perceber que o crescimento da modalidade não podia ficar limitado aos homens. O futebol feminino começou também a ganhar estruturas, competição e investimento, criando novas oportunidades para jogadoras e treinadores.

É particularmente interessante observar este processo porque estamos perante um mercado que está, de certa forma, a construir o seu caminho enquanto outros já têm décadas de história. E isso cria uma dinâmica diferente: existe vontade de aprender, de criar estruturas e de atrair talento e experiência internacional.

A Turquia é outro exemplo. Clubes com enorme tradição no futebol, habituados a grandes investimentos e a uma forte cultura desportiva, estão agora a reforçar a aposta no futebol feminino. Mais investimento significa melhores condições, maior competitividade e, naturalmente, maior capacidade para atrair jogadoras.

E esta tendência não se limita a estes dois mercados. O futebol feminino está a tornar-se progressivamente mais internacional, mais competitivo e mais diversificado. Para as jogadoras, isso significa que o número de caminhos possíveis está a aumentar.

Portugal tem também aqui um papel importante. Temos jogadoras com qualidade, formação e experiência competitiva que podem acrescentar valor a projetos internacionais. E quando uma jogadora portuguesa parte para um novo mercado, não leva apenas o seu talento: leva consigo uma escola, uma experiência e uma forma de entender o jogo.

Tenho acompanhado algumas destas mudanças de perto e há algo que considero particularmente relevante: a internacionalização não deve ser vista apenas como uma consequência do crescimento do futebol feminino. É também uma das suas forças. Quanto mais mercados investirem, mais competição existe. Quanto mais competição existir, maiores serão as exigências. E quanto maiores forem as exigências, maior será também a necessidade de profissionalizar estruturas, melhorar condições e criar projetos sustentáveis.

Ainda há muito caminho a percorrer. Mas talvez uma das mudanças mais importantes dos últimos anos seja precisamente esta: já não estamos a falar apenas de fazer crescer o futebol feminino nos mercados onde ele sempre esteve. Estamos a assistir à entrada de novos protagonistas. E quando novos mercados entram no jogo, o mapa também muda.

Para as jogadoras portuguesas, isso pode significar uma coisa muito importante: mais portas abertas. E, sobretudo, mais possibilidades para escolher onde e como querem construir as suas carreiras.

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