Mec convence no primeiro teste e alimenta a concorrência na esquerda
Os três reforços que ainda faltavam estrear no FC Porto reforçaram os créditos junto dos adeptos, e isso foi percetível após a conclusão do jogo particular com o Deportivo da Corunha, no Riazor. Multiplicaram-se os comentários abonatórios às atuações do central Chris Smalling, do lateral-esquerdo Souza, cedido pelo Tottenham, e de Gabriel Mec, talvez o mais elogiado no exigente universo portista.
O FC Porto deu a volta ao marcador e venceu o Deportivo da Corunha por 3-1, num jogo particular no Riazor. ⚽️🔵⚪️
— Bola na Taska (@BolanaTaska) October 2, 2026
O Deportivo marcou primeiro, mas Borja Sainz e André Silva, que bisou, consumaram a reviravolta dos dragões. pic.twitter.com/xAbvNbcV7Q
Lançado na segunda parte, com André Silva e João Teixeira, Mec era, porventura, a estreia mais aguardada. Por várias razões, uma delas relacionada com a incerteza sobre o papel que Francesco Farioli lhe queria destinar na equipa. Extremo ou médio criativo, a realidade é que o brasileiro de 18 anos pode atuar em várias zonas do terreno. No teste com os galegos, fixou-se a extremo esquerdo, revelando níveis de acerto assinaláveis, tanto no passe como em ações individuais, além, claro, de uma irreverência que conquistou os portistas.
Não sendo definitivo esse lugar, a realidade é que, na esquerda do ataque, assiste-se esta época a uma espécie de reinado sólido de Pepê, em função, também, das virtudes defensivas do brasileiro. Tal como Gabriel Mec, Pepê chegou do Grêmio em 2021, mas com estatuto mais reforçado no Brasil. Por outro lado, é ali que Pietuszewski se sente mais realizado, e também onde Borja Sainz atuou grande parte da temporada passada, ainda que o espanhol venha sendo utilizado na direita. Resumindo, o lado esquerdo do ataque é aquele que oferece a Farioli soluções mais vastas e com perfis muito diferentes.
Poderá cair-se na tentação de comparar Pietuszewski a Gabriel Mec, mas, no um para um e na capacidade de explosão em campo curto, o polaco oferece os desequilíbrios que Farioli pede para desunir estruturas defensivas mais porfiadas. Mec também tem rasgo, mas claramente sente-se mais confortável com a bola no pé e, no que toca aos duelos individuais, notou-se na Corunha que tende a ser mais vertical e associativo. Mas poderá haver uma ligação entre o jovem polaco e a promessa brasileira, se situarmos a questão no mercado e no crescente interesse dos grandes da Europa em Pietuszewski.
Ao investir 10 milhões de euros num jogador limado no Grêmio por Luís Castro, o FC Porto terá tido em conta a necessidade de encontrar um extremo que também estimula a imaginação dos adeptos e cuja irreverência se assemelha à do polaco.
Pietuszewski está muito bem amarrado, com uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros e um contrato que se estende até 2031. Ainda assim, os sinais que vieram na segunda metade da época passada, quando Oskar chegou ao FC Porto e impôs-se rapidamente — ganhando também protagonismo na seleção principal da Polónia —, foram suficientemente fortes para a SAD portista alargar o seu campo de prospeção ao Brasil. Antes de Mec, procurara naquele mercado o talento de Rayan, na altura no Vasco da Gama. O internacional brasileiro ganhou projeção e acabaria por ser seduzido pela Premier League e pelo projeto do Bournemouth.