Lionel Messi festeja o segundo golo à Áustria - Foto: IMAGO

O princípio e o fim de tudo na Argentina chama-se Lionel Messi (crónica)

A 'Pulga' bisou e já leva cinco remates certeiros, tantos quantos o da sua equipa, no torneio. Começou o jogo com a Áustria a falhar, mas redimiu-se, bateu o recorde de golos em Mundiais e apurou a Albiceleste

Aos 38, Lionel Messi contrariou o que o destino lhe parecia reservar — um penálti falhado e mais duas oportunidades flagrantes desperdiçadas — e acertou no recorde com uma colherada mágica. O 16 virara 17, a Pulga tinha-se tornado o melhor marcador de sempre em Campeonatos do Mundo e, no final, ainda ampliaria a vantegam. E a Argentina que provoca este Messi para depois colher como nenhuma outra os seus frutos, garantiu um apuramento que ficou à espera da madrugada para saber se em primeiro ou no segundo lugar.

A Áustria entrou forte, a meter físico no jogo, a empurrar os sul-americanos para trás. No entanto, antes de acertar a pressão já a seleção das Pampas ameaçara por duas vezes. Na segunda, aos 3', Enzo isolou Lautaro, que foi derrubado entre Posch e Xaver Schlager. Cinco minutos depois, o árbitro Amin Omar apontou finalmente para a marca dos 11 metros. Messi fez a paradinha, Alexander Schlager não escolheu qualquer lado, e falhou.

Os europeus foram para cima. Não só aguentaram a bola sem serem contrariados como, quando a perdiam, asfixiavam a Scaloneta. Só que, com o tempo, a bola voltou. A esta, os argentinos juntaram paciência. Onde os austríacos eram energia e verticalidade, os rivais eram pausa. Critério. Bola a circular. Até ao momento certo.

O golo chegaria, como se disse, aos 38'. Com Messi a tirar a bola da pressão, servindo Thiago Almada. Este deixaria mais à esquerda, em Medina. O lateral cruzou atrasado e a simulação de Almada é perfeita: abre as pernas para o inevitável: o remate em curva de Messi.

A Áustria pressionante de Rangnick só voltaria na segunda parte. Romero seria a primeira baixa para Lionel Scaloni, dando lugar a Otamendi, e a gestão não tardaria a chegar: Nico González por Almada, Lautaro por Álvarez. Gregoritsch ainda ameaçou de cabeça (65'), porém não da forma que Nico González o fez, fazendo a bola passar junto ao poste mais distante, após canto de Messi (74').

O resultado, no entanto, deixava o jogo perigoso para a Albiceleste. Ainda que esta não se importe com estatísticas e percentagem de posse de bola. Scaloni via o seu bloco baixar e voltava novamente a história dos primeiros minutos da partida. Os homens de Rangnick, deixados vivos por Messi e companhia, acreditavam que era possível levar pontos de Dallas.

Medina ainda teve de fazer um corte no limite (81') e Wimmer cabeceou ao lado (90+3'), todavia, uma outra grande oportunidade tinha aparecido entre esses dois momentos para os argentinos. Só que Nico González tinha permitido o corte de Danso (86').

Faltava aparecer Messi mais uma vez. A bola caiu-lhe a jeito e conduziu o contra-ataque. Viu Álvarez do outro lado e a bola foi lá parar. O avançado falhou, a bola sobrou para Paredes e lá voltou para o génio, que foi aí sobretudo vontade. Receção, remate bloqueado e novo tiro. Agora sim, para a História!

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