Francesco Farioli analisou a estreia do FC Porto no campeonato - Foto: IMAGO

Muito a melhorar, preocupação por André Silva, silêncio sobre Mora e Pietuszwski : tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto analisou o triunfo e a exibição frente ao Alverca

— Que análise faz à partida?

— Tivemos uma abordagem muito forte. Os primeiros 8 ou 9 minutos foram muito bons, com bom ritmo e boas investidas para atacar a área. Depois de desbloquearmos o jogo, acho que perdemos um pouco dessa intensidade e o controlo da bola. Cometemos alguns erros extra, como a falta de precisão no passe, o que nos obrigou a recuar, porque contra uma equipa como esta, se perdes a bola, vais ter de a recuperar perto da tua área. Jogadores como o Chiquinho têm a capacidade de transportar a bola por 80 metros e obrigar-te a recuar todo o bloco. Não foi a melhor exibição, mas ficamos com a eficiência e o resultado.

— Que sinais é que a equipa lhe dá sobre o processo e o que ainda é preciso fazer para melhorar?

— Estamos no início da época. É um momento em que ainda há coisas que precisam de melhorar. Hoje não fomos muito fluidos. Começámos a encontrar mais jogo interior após o minuto 65, por isso demorámos algum tempo a tentar encontrar novamente algumas combinações. Mesmo quando as encontrámos, o controlo ou o passe nem sempre foram precisos. Os jogadores do Alverca têm capacidade para pressionar e pernas para recuperar. Quando não és preciso e a ação não tem a velocidade necessária, eles conseguem recuperar. Tivemos oportunidades para ampliar o resultado, mas também podíamos ter sofrido e o Diogo fez pelo menos duas defesas muito importantes. Há muitas coisas para analisar. Vou rever o jogo e partir daí.

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— Sobre o momento em que o FC Porto perdeu o ritmo e o Alverca teve algum ascendente com várias oportunidades, atribui isso apenas à falta de ritmo e criatividade ou o Alverca surpreendeu de alguma forma? E pedia-lhe a confirmação se o Francisco Moura foi o jogador que disse que queria sair.

— Sobre a última parte, não, não foi o Francisco. Sobre a primeira questão, acho que quando falhas... uma das poucas ações que fizemos bem foi a que levou ao primeiro penálti. A velocidade da bola foi boa, o gesto técnico foi bom, os movimentos foram bem feitos e conseguimos uma boa situação. Depois, tivemos dificuldade em circular a bola com a velocidade necessária e em encontrar combinações interiores, que costumam ser um elemento principal do nosso jogo. Uma coisa somada à outra não tornou o jogo fluido, mas a exibição foi o suficiente para justificar a vitória.

— Por curiosidade, porque é que o André Silva não repetiu o penálti? Houve alguma conversa? E sobre os dois golos de penálti: preocupa-o que a equipa não tenha conseguido finalizar de bola corrida de forma mais fácil?

— Acho que o André e o Gabri falaram em campo e decidiram. Foi um gesto muito bonito do André abdicar de um penálti que ele próprio conquistou. Diz muito sobre a sua generosidade e mentalidade, é um verdadeiro jogador de equipa e hoje provou-o. Além disso, era o único jogador novo em campo em relação à época passada e fez um excelente jogo. Sobre os penáltis, acho que foram claros. Ganhámos o crédito para os bater. Tivemos outras situações interessantes que não convertemos, mas ficamos com os três pontos, que eram o mais importante.

— O André Silva teve um regresso atribulado: sofreu dois penáltis, marcou um e saiu com queixas. Que balanço faz da exibição dele? E em comparação com o Samu e o Deniz Gul, sente que o André Silva é um ponta de lança mais à sua imagem pelo jogo associativo que permite?

— Sobre o André, o desempenho foi claro: envolvido nos dois penáltis, converteu um, mas foi mais do que isso. Os seus movimentos para abrir espaços na linha defensiva, a capacidade de segurar a bola e a inteligência a gerir os momentos defensivos... foi um jogo muito maduro da parte dele. Estou muito feliz por ele estar connosco e por ter decidido voltar a casa. É bom ter esta variedade de avançados, com três perfis diferentes, embora o Samu e o Deniz sejam semelhantes em alguns aspetos. Estão todos em fases diferentes das suas carreiras, mas serão todos importantes para o clube esta temporada.

— Na época passada, o FC Porto teve a melhor defesa do campeonato e este ano ainda não sofreu golos. A consistência defensiva é uma marca que quer deixar? E sobre o Deniz Gul, a casa onde vive terá sido alvo de um assalto; como está o jogador e como é que a equipa lidou com o assunto antes do jogo?

— Sim, a consistência e atitude defensiva são a prioridade. É um elemento chave que queremos manter e, se possível, melhorar em relação à época passada. É algo de que nos devemos orgulhar, mas o passado é o passado e agora temos novos desafios. Hoje permitimos um pouco de mais, embora a maioria dos remates tenha sido de fora da área. O Diogo voltou a fazer defesas importantes, o que não me surpreende porque sei o quão bom ele é, mas prefiro quando ele não tem de intervir tanto. Sobre o Denis, infelizmente houve esse episódio ontem à noite. O jogador ficou chocado, como é natural, mas falei com ele hoje de manhã e antes do jogo e ele quis jogar. Mesmo sendo apenas por alguns minutos, foi importante tê-lo em campo.

— Está preocupado com a lesão do André Silva? E sobre o Rodrigo Mora, perante o interesse do Galatasaray e da Roma, tem receio de o perder neste mercado?

— Sim, estou preocupado, porque a entorse no tornozelo, pelas imagens, não parece nada boa. Falei com ele e ele sentiu que foi algo considerável. Agora temos de ver a evolução, porque às vezes a imagem é má mas recupera-se em poucos dias, outras vezes demora mais. Espero que volte depressa. Sobre o Rodrigo Mora, ontem falámos bastante sobre esse tópico e não tenho muito mais a acrescentar. A semana vai ser longa e na próxima conferência teremos tempo para nova atualização sobre o mercado.

Oskar Pietuszewski não jogou por estar lesionado, mas é um jogador importante para o futebol polaco. O que espera dele esta temporada e o que ele precisa de melhorar para não ser apenas uma estrela passageira?

— O Oskar é um rapaz com uma grande margem de progressão. Teve um impacto forte quando chegou no ano passado, fez jogos importantes e ajudou-nos muito num momento delicado. Como todos os jogadores jovens, precisa de estabilidade num certo nível. Voltou das férias em excelente condição física e com muita vontade de trabalhar. Infelizmente teve um pequeno problema muscular que o vai manter fora por alguns dias, mas esperamos que volte rapidamente porque é um jogador importante para nós e para a seleção polaca.

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