O (outro) grande objetivo do Sporting além do tricampeonato
O Sporting vai entrar na reta final da temporada com os olhos postos em dois horizontes que se cruzam: a conquista de um histórico tricampeonato e a consagração individual de Luis Suárez. É dessa forma que os leões vão abordar as últimas jornadas. Com a intenção de maximizar o rendimento coletivo para potenciar a veia goleadora do colombiano, sem nunca, convém reforçar, desvirtuar a identidade de grupo que tem marcado esta temporada.
Uma espécie de missão subliminar, sem obsessão, que será assente num esforço coletivo para servir Luis Suárez e, dessa forma, ajudar a mantê-lo na senda dos golos, alimentando a possibilidade do sul-americano terminar como melhor marcador do campeonato e posicionar-se nos lugares cimeiros da Bota de Ouro. Internamente, sabe A BOLA, o avançado é descrito como alguém muito acarinhado no balneário, altamente competitivo e que trabalha sempre no limite. Não sendo o foco exclusivo da dinâmica ofensiva — longe disso —, haverá uma clara preocupação em criar-lhe múltiplos contextos favoráveis no último terço.
Rui Borges não vai ordenar para que a equipa jogue em função de Suárez. Entende, apenas, que esta deverá ser apenas uma consequência natural do jogo: uma equipa que cria mais e melhor permitirá que o seu finalizador nato continue na senda goleadora. Dando-lhe, ainda assim, palco e notoriedade na marcação, por exemplo, de grandes penalidades, algo que, de resto, já vem fazendo nas últimas jornadas.
VERSATILIDADE COMO ARMA
Desde a chegada de Rui Borges, a capacidade de adaptação tem sido o principal cartão de visita. Olhando apenas para a presente temporada, o treinador já reformulou a equipa em várias ocasiões, ajustando-se a lesões, suspensões ou quebras de forma, sem nunca comprometer a competitividade.
E hoje, como provam os números com os leões a liderarem quase todos os rankings ofensivos da Liga, apresenta-se como uma equipa muito mais rica do ponto de vista ofensivo. Já não vive apenas de combinações pelo corredor central: é capaz de variar entre ataque organizado com trocas curtas, explorações pelas faixas com tabelas rápidas, transições verticais em velocidade e utilização da profundidade dos homens mais adiantados. Essa variabilidade tornou-se uma marca identitária. Mais do que um detalhe tático, é uma necessidade estratégica para este último terço da temporada no qual Suárez aparece como uma 'chave-mestra'.
Rui Borges quer uma equipa imprevisível, com múltiplas soluções para desmontar blocos baixos — cenário que se repetirá com uma maior frequência nas jornadas que restam do campeonato.
CALENDÁRIO CONTRA 'AFLITOS'
Dos oito jogos que faltam até ao final do campeonato, cinco serão frente a equipas que lutam pela permanência: Aves SAD, Rio Ave, Estrela da Amadora, Tondela e Santa Clara. Um dado que reforça a necessidade de soluções criativas e paciência ofensiva, perante adversários que tenderão a baixar linhas e a fechar caminhos para a baliza. Será precisamente neste contexto que a versatilidade pensada por Rui Borges poderá fazer a diferença — e onde a equipa procurará, sempre que possível, encontrar Luis Suárez em zonas de finalização. Com o objetivo de melhorar o registo pontual da primeira volta, o Sporting encara esta fase como decisiva para se aproximar do tão ambicionado tricampeonato. Entre a força do coletivo e a inspiração individual, os leões procuram o equilíbrio ideal.
E, nesse equilíbrio, há um fio condutor: uma equipa capaz de se reinventar a cada jogo, mas sempre com a baliza adversária — e o faro goleador de Suárez — no centro da equação. O caminho para o desejado tricampeonato e para o trono de melhor marcador passa, então, por um terreno minado. Diante de adversários que vão lutar pela vida e blindam as balizas o máximo que puderem. Sem Ioannidis — a solução de recurso que continua arredado da competição desde janeiro devido a lesão — é sobre o colombiano que vão recair (quase) todas as esperanças no golo até final. E até final, sem surpresa, será ele o protagonista.