O misterioso caso de Chiesa: abandono da seleção italiana levanta questões
Federico Chiesa apresentou-se na concentração da seleção italiana para o play-off decisivo de acesso ao Mundial, mas abandonou o estágio pouco depois. As palavras enigmáticas de Gennaro Gattuso, que afirmou que «as cabeças dos jogadores não são todas iguais», adensam o mistério em torno da decisão inesperada.
A Federação Italiana emitiu um comunicado sucinto, também divulgado pelo Liverpool, informando que a dispensa do extremo dos reds foi uma decisão de «comum acordo» com a equipa técnica e médica. Contudo, a explicação do selecionador transalpino sugere que os motivos podem ser mais complexos do que uma simples questão física.
«Chiesa apresentou-se, mas tinha alguns problemas e decidimos que era inútil que ficasse», explicou Gattuso em conferência de imprensa. «Se um jogador está hesitante, tenho de tomar decisões. Posso tentar convencer durante algum tempo, mas se alguém não está bem, não se pode insistir muito. Repito, decidimos em conjunto: ele não estava a 100%, queria voltar para casa e é justo que o tenha feito», concluiu o técnico, focando-se agora no jogo crucial desta quinta-feira, contra a Irlanda do Norte.
Este episódio marca mais um capítulo na conturbada relação recente de Chiesa com a seleção. A sua última internacionalização remonta a 29 de junho de 2024, na derrota por 2-0 frente à Suíça, nos oitavos de final do Euro. Na altura, sob o comando de Luciano Spalletti, que em novembro de 2023 o apelidou de «Sinner», o atacante era uma figura de proa.
Após o Euro 2024, a carreira do avançado sofreu um revés. Foi afastado do plantel da Juventus e transferiu-se para o Liverpool, onde tem tido poucas oportunidades. Apesar de ser adorado pelos adeptos de Anfield e de mostrar grande empenho sempre que joga, o dianteiro, de 28 anos, permanece no fundo da hierarquia de avançados para Arne Slot.
A sua utilização tem sido escassa. Na UEFA Champions League, no duplo confronto contra o Galatasaray relativo aos oitavos de final, jogou apenas os minutos finais. No passado sábado, em Brighton (1-2), mesmo com as ausências de Alexander Isak e Mohamed Salah e a lesão de Hugo Ekitiké, só entrou a 14 minutos do fim. Nos últimos dois meses, apenas por uma vez jogou mais de 20 minutos.
Apesar da falta de ritmo, a chamada para o play-off foi vista como uma mais-valia para a squadra azzurra, pela experiência de Chiesa. No entanto, o regresso a Itália foi sol de pouca dura. O facto de ter aceitado integrar a convocatória de Gattuso indica que não fechou a porta à seleção, mas o seu recuo e as palavras do selecionador deixam claro que existem «outros problemas». Por agora, o caso permanece por esclarecer, e caberá apenas ao extremo dar as respostas.
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