Amrit Bansal-McNulty jogou no QPR
Amrit Bansal-McNulty jogou no QPR - Foto: IMAGO

Jogador ganha processo por assédio racial e exige quase 14 milhões de euros

Amrit Bansal-McNulty jogou na formação do QPR

O tribunal do trabalho deu razão parcial a Amrit Bansal-McNulty, um futebolista de ascendência indiana que foi alvo de insultos racistas por parte de John Yems, seu antigo treinador. O jogador, de 26 anos, exige agora uma indemnização de 12 milhões de libras (13,84 milhões de euros) por uma lesão que alega ter terminado a sua carreira como resultado do tratamento sofrido.

O caso, que decorreu ao longo de 30 dias no Tribunal do Trabalho de Londres, viu o atacante apresentar queixas de discriminação e assédio racial e religioso contra o Queens Park Rangers (QPR), o Crawley Town e o próprio Yems.

O tribunal validou três das queixas de assédio racial contra John Yems, de 66 anos, mas ilibou o QPR de responsabilidades. Uma das alegações provadas refere-se a um episódio em que Yems chamou a Bansal-McNulty «comedor de caril» e perguntou-lhe se estava insatisfeito por as pizas de um patrocinador não incluírem uma «piza de caril». Em sua defesa, o treinador argumentou que os seus comentários eram apenas «brincadeira».

No resumo do caso, o tribunal declarou: «Concluímos que o Crawley Town foi subsidiariamente responsável pela sua conduta, que ocorreu no decurso do seu emprego. As queixas contra o QPR falharam». O clube foi, assim, considerado responsável pelos atos do seu então funcionário.

Bansal-McNulty, que se juntou ao QPR em 2014, aos 14 anos, e saiu em 2022 sem nunca ter jogado pela equipa principal, processou o clube por não o ter protegido do racismo que sofreu enquanto esteve emprestado ao Crawley Town. O jogador alega que o tratamento recebido lhe causou danos psiquiátricos e uma lesão que pôs fim à sua carreira, justificando o pedido de indemnização astronómico.

Recorde-se que o Crawley Town suspendeu Yems em abril de 2022, após vários membros do plantel terem denunciado o seu comportamento racista. A Federação Inglesa de Futebol (FA) acusou-o formalmente de usar linguagem discriminatória. Embora Yems tenha negado quase todas as acusações, 11 das 15 foram confirmadas pela comissão disciplinar da FA, resultando na mais longa suspensão por discriminação no futebol inglês: uma pena inicial de 17 meses, posteriormente agravada para três anos após um recurso da própria FA.

Bansal-McNulty acusou ainda o QPR e o seu então diretor técnico, Chris Ramsey, de não terem agido após a sua queixa de racismo. O jogador alega que, num telefonema, Ramsey se mostrou mais preocupado em saber se ele tinha sido a fonte da fuga de informação para a imprensa, num tom que considerou intimidatório, e que o lembrou de que o seu contrato expiraria dois meses depois. O vínculo não foi renovado e o futebolista não voltou a jogar profissionalmente desde então.

Numa nota final, o tribunal observou que, infelizmente, não houve «verdadeiros vencedores» no caso. «Embora o queixoso tenha tido sucesso parcial nas suas queixas contra o Sr. Yems e, subsidiariamente, contra o Crawley Town, as suas queixas contra o QPR falharam», pode ler-se na decisão, que acrescenta: «O Sr. Yems não obteve, e realisticamente nunca iria obter, a exoneração da sua conduta e caráter que procurava».

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