Nabil Touaizi concluiu a formação no Manchester City (Foto: Mariana Tenorio)
Nabil Touaizi concluiu a formação no Manchester City (Foto: Mariana Tenorio)

«O meu ídolo é Cristiano Ronaldo. Guardiola? Um louco do futebol»

Na segunda parte da entrevista, Nabil Touaizi recorda a passagem pela formação do Manchester City, antes de enveredar pelas divisões inferiores espanholas, período que antecedeu a chegada a Alverca

— Como foi a mudança para o Manchester City com 16 anos?

— Quando chegou a oferta do City, nem eu nem a minha família hesitámos. Falámos com o Valência, onde eu estava e tomámos uma decisão. É difícil ir sozinho para Inglaterra aos 16 anos, uma língua nova, um país novo, mas lá há muitas facilidades e foi espetacular. Foram dos melhores anos da minha vida. Estar num dos melhores clubes do mundo, para mim, era um sonho.

— Na Premier League 2, marcou dois hat tricks em dois jogos seguidos. Ainda guarda as bolas desses jogos?

— Sim, o primeiro foi um jogo contra o Arsenal, foi uma loucura, ficou 7-6 e marquei um hat trick. E no jogo seguinte, fora, contra o West Ham, ganhámos 5-4 e consegui marcar mais três. Levei as bolas para casa e ainda as tenho.

— Chegou a treinar com a equipa principal do City?

— Sim, treinávamos muito. Eu e outros companheiros como o Eric García (agora no Barcelona). Fizemos duas pré-épocas com a equipa principal. Foram experiências inesquecíveis estar com jogadores como Aguero, Leroy Sané, De Bruyne... era o que qualquer miúdo sonha. Ao início era um sonho para mim, depois começa a ser um bocadinho mais normal e começa a fazer parte do dia a dia.

— Pep Guardiola parece ser obcecado pelo futebol. Também é assim no treino?

— Visto de fora parece que sabe muito de futebol, e quando vives isso por dentro pensas ainda mais que ele é um louco do futebol. Tenta sempre melhorar e inovar e a verdade é que é um dos melhores treinadores da história.

— Depois foi para o Espanhol em 2022 e faz a estreia na LaLiga, como foi esse momento?

— Era algo novo, foi um clube muito bom para continuar a crescer, mas eu precisava de minutos e de poder jogar a nível profissional.

— Nessa época no Espanhol (2022/23), não fez muitos jogos.

— Eu estava na equipa B e subia pouco à principal, onde não consegui jogar muito, então jogava com a equipa B.

— Vai para o Atlético Madrid B à procura de mais minutos?

— Sim, estava numa divisão acima, na 3.ª, pensei que era o necessário naquele momento da carreira para continuar a crescer. E foi uma aposta certa.

— Então esta está a ser a melhor época da sua carreira?

— Acho que é uma delas, juntamente com a minha penúltima época no Manchester City, em que chegámos à final-four da Youth League. Esse ano foi muito bom, mas este ano, a nível profissional, é o que todo o jogador quer: ser regular, jogar o máximo de jogos e ajudar a concretizar os objetivos do clube.

— E como tem visto o crescimento do Alverca, vindo da Liga 2?

— Desde que subiram mudaram muitas coisas para melhor. A estrutura é muito boa, as instalações melhoraram muito e sei que querem continuar a melhorar para a próxima temporada. Todas as facilidades que nos deram desde o primeiro dia foram de topo.

Perguntas para respostas rápidas

— Qual é a memória mais antiga do futebol?

— Quando jogava no parque com os meus amigos, sem pressão, só jogar à tarde na rua, sem telemóveis nem nada, até que vinha a tua mãe chamar-te para jantar.

— Que jogador o inspirou a ser futebolista?

— O meu ídolo é o Cristiano Ronaldo.

— Qual o melhor jogador com quem já jogou?

— Há muitos... posso dizer o Phil Foden, Brahim Díaz, Abde Ezzalzouli, do Bétis, Eric García, Joan García, guarda-redes do Barcelona, conheci-o no Espanhol.

— E também foram colegas num Europeu sub-17, por Espanha.

— Sim, em Inglaterra. Representar um dos teus países é o máximo. Poder ir com a Espanha a um Europeu com o grupo que tínhamos foi espetacular, a experiência foi muito boa. Queríamos ganhar o título, mas não pôde ser [derrota com a Bélgica nos quartos de final].

— E o melhor jogador que já enfrentou?

Josko Gvardiol. Quando eu jogava no City, ele jogava no Dínamo de Zagreb a central e enfrentei-o na Youth League. Foi um dos rivais mais difíceis com quem já joguei

— No plantel do Alverca, quem é o jogador mais divertido?

— O Nabil e o Spencer têm rivalizado pela mesma posição no Alverca.

— A rivalidade tem de ser dentro do campo. Todos queremos jogar, mas sinceramente há um grupo muito bom e uma excelente relação entre todos.

— E que jogador do Alverca passa mais tempo à frente do espelho?

— Eu. Eu admito, não tenho problema [risos].

— Qual é o seu maior sonho no futebol?

— Um dos meus sonhos que ainda não cumpri é poder jogar a Champions League e poder representar o meu país, Marrocos, numa competição oficial.

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