«O meu ídolo é Cristiano Ronaldo. Guardiola? Um louco do futebol»
— Como foi a mudança para o Manchester City com 16 anos?
— Quando chegou a oferta do City, nem eu nem a minha família hesitámos. Falámos com o Valência, onde eu estava e tomámos uma decisão. É difícil ir sozinho para Inglaterra aos 16 anos, uma língua nova, um país novo, mas lá há muitas facilidades e foi espetacular. Foram dos melhores anos da minha vida. Estar num dos melhores clubes do mundo, para mim, era um sonho.
— Na Premier League 2, marcou dois hat tricks em dois jogos seguidos. Ainda guarda as bolas desses jogos?
— Sim, o primeiro foi um jogo contra o Arsenal, foi uma loucura, ficou 7-6 e marquei um hat trick. E no jogo seguinte, fora, contra o West Ham, ganhámos 5-4 e consegui marcar mais três. Levei as bolas para casa e ainda as tenho.
— Chegou a treinar com a equipa principal do City?
— Sim, treinávamos muito. Eu e outros companheiros como o Eric García (agora no Barcelona). Fizemos duas pré-épocas com a equipa principal. Foram experiências inesquecíveis estar com jogadores como Aguero, Leroy Sané, De Bruyne... era o que qualquer miúdo sonha. Ao início era um sonho para mim, depois começa a ser um bocadinho mais normal e começa a fazer parte do dia a dia.
— Pep Guardiola parece ser obcecado pelo futebol. Também é assim no treino?
— Visto de fora parece que sabe muito de futebol, e quando vives isso por dentro pensas ainda mais que ele é um louco do futebol. Tenta sempre melhorar e inovar e a verdade é que é um dos melhores treinadores da história.
— Era algo novo, foi um clube muito bom para continuar a crescer, mas eu precisava de minutos e de poder jogar a nível profissional.
— Nessa época no Espanhol (2022/23), não fez muitos jogos.
— Eu estava na equipa B e subia pouco à principal, onde não consegui jogar muito, então jogava com a equipa B.
— Vai para o Atlético Madrid B à procura de mais minutos?
— Sim, estava numa divisão acima, na 3.ª, pensei que era o necessário naquele momento da carreira para continuar a crescer. E foi uma aposta certa.
— Então esta está a ser a melhor época da sua carreira?
— Acho que é uma delas, juntamente com a minha penúltima época no Manchester City, em que chegámos à final-four da Youth League. Esse ano foi muito bom, mas este ano, a nível profissional, é o que todo o jogador quer: ser regular, jogar o máximo de jogos e ajudar a concretizar os objetivos do clube.
— Desde que subiram mudaram muitas coisas para melhor. A estrutura é muito boa, as instalações melhoraram muito e sei que querem continuar a melhorar para a próxima temporada. Todas as facilidades que nos deram desde o primeiro dia foram de topo.
Perguntas para respostas rápidas
— Qual é a memória mais antiga do futebol?
— Quando jogava no parque com os meus amigos, sem pressão, só jogar à tarde na rua, sem telemóveis nem nada, até que vinha a tua mãe chamar-te para jantar.
— Que jogador o inspirou a ser futebolista?
— O meu ídolo é o Cristiano Ronaldo.
— Qual o melhor jogador com quem já jogou?
— Há muitos... posso dizer o Phil Foden, Brahim Díaz, Abde Ezzalzouli, do Bétis, Eric García, Joan García, guarda-redes do Barcelona, conheci-o no Espanhol.
— E também foram colegas num Europeu sub-17, por Espanha.
— Sim, em Inglaterra. Representar um dos teus países é o máximo. Poder ir com a Espanha a um Europeu com o grupo que tínhamos foi espetacular, a experiência foi muito boa. Queríamos ganhar o título, mas não pôde ser [derrota com a Bélgica nos quartos de final].
— E o melhor jogador que já enfrentou?
— Josko Gvardiol. Quando eu jogava no City, ele jogava no Dínamo de Zagreb a central e enfrentei-o na Youth League. Foi um dos rivais mais difíceis com quem já joguei
— No plantel do Alverca, quem é o jogador mais divertido?
— O Sabit Abdulai ou o Diogo Spencer.
— O Nabil e o Spencer têm rivalizado pela mesma posição no Alverca.
— A rivalidade tem de ser dentro do campo. Todos queremos jogar, mas sinceramente há um grupo muito bom e uma excelente relação entre todos.
— E que jogador do Alverca passa mais tempo à frente do espelho?
— Eu. Eu admito, não tenho problema [risos].
— Qual é o seu maior sonho no futebol?
— Um dos meus sonhos que ainda não cumpri é poder jogar a Champions League e poder representar o meu país, Marrocos, numa competição oficial.