«Estragar a festa do FC Porto? O Alverca vai tentar ganhar»
— O Alverca já garantiu a manutenção na primeira divisão. Depois de conseguirem este objetivo, como avalia esta época?
— As expectativas que tínhamos no início da temporada eram boas, havia um grupo muito bom. O objetivo era claro: conseguir a permanência. Pudemos fazê-lo a três jornadas do fim da Liga, o que não é fácil.
— Sente que superaram as expectativas?
— Não porque, aqui dentro, sabíamos que tínhamos um grupo, uma direção e uma equipa técnica muito bons. Sabíamos que não ia ser fácil, mas conseguimos o objetivo contra o Arouca, em casa, diante do nosso público, foi uma festa muito grande para nós.
— Vamos recuar ao verão de 2025, o telefone toca e sabes que o Alverca está interessado. Que reação teve?
— Sim, os meus agentes ligaram-me e eu estava a fazer a pré-época com o Albacete. Falei um pouco sobre o projeto com os meus agentes e as pessoas do Alverca. Era um salto importante para a minha carreira vir para a primeira divisão de Portugal, era uma liga que eu não conhecia muito bem, mas a verdade é que estou encantado.
— E como foi a adaptação ao campeonato português?
— Ao princípio tinha um pouco de medo porque era algo novo, mas estou habituado, desde pequeno, a viver e a jogar fora de Espanha. A adaptação foi muito rápida, os colegas ajudaram-me muito. Temos um grupo com pessoas de todo o lado: França, Espanha, Brasil, Portugal, Honduras… e a adaptação foi rápida para todos.
— Ter um grupo com tantas nacionalidades diferentes acabou por ajudar a que ficassem mais unidos?
— O bom é que estávamos todos na mesma situação, à descoberta. Ajudámo-nos todos nas pequenas coisas e acho que isso foi um ponto-chave para a adaptação rápida de todos os jogadores.
— Sabia que é o jogador com mais jogos no Alverca esta época?
— Sabia que tinha jogado muitos, mas não sabia se era o que tinha mais ou não. Não olho muito para isso. Eu vim para ganhar o meu lugar aqui, numa liga nova e num clube novo. Sabia que teria de dar o máximo para conseguir o lugar no corredor lateral. Felizmente, pude jogar muitos jogos durante toda a temporada.
— Nos últimos anos esteve na terceira divisão espanhola, no Atlético de Madrid B, e na segunda com o Albacete na época passada. Por isso é que era importante vir para uma primeira divisão?
— Sim, os últimos anos não foram os meus melhores anos em termos de jogos e rendimento. O ano passado no Albacete foi um pouco difícil para mim, não consegui jogar muitos jogos. Por isso, quando tive a chamada do Alverca e a opção de vir para a primeira divisão, não hesitei.
— Jogar contra equipas grandes como essas é sempre um plus para os jogadores, mas todos os jogos valem três pontos.
— E agora, querem estragar a festa do FC Porto?
— Eles estão a lutar pelo título, nós estamos a lutar por outros objetivos. São três pontos, tal como no fim de semana passado. Vamos tentar ganhar para ficarmos o mais acima possível no campeonato.
— Esta está a ser a sua primeira época completa como ala direito. Vendo-o jogar, parece um jogador corajoso, que sobe muito no terreno para cruzar e tentar marcar. É assim que te descreves como jogador?
— Sim, o bom de ter tido formação como extremo e avançado é que o jogo ofensivo é-me um pouco mais fácil. Quando cheguei aqui, tive de trabalhar muito o aspeto defensivo, que era um ponto fraco e consegui melhorá-lo muito durante a época.
— Já alguma vez tinha jogado a ala?
— No ano passado, no Albacete, joguei a ala/lateral nos últimos cinco jogos e o treinador disse-me que via em mim condições para jogar nessa posição. Quando cheguei aqui, o míster também falou comigo e disse que contava comigo para essa posição e a verdade é que está a correr muito bem.
— Como tem sido a relação com Custódio?
— Desde o primeiro dia transmitiu-me muita confiança, a mim e a todos os jogadores que chegaram. É muito próximo de nós e temos um grupo muito bom, tanto com a equipa técnica como com os jogadores.
— O Alverca teve uma fase de nove jogos sem ganhar (três derrotas e seis empates). Como encararam esse período sem vitórias?
— Foi depois das vitórias com o Famalicão e o Moreirense que não conseguíamos ganhar. Também é verdade que nos jogos contra rivais diretos não perdíamos, o que nos permitia manter a posição. Sabíamos que estávamos a jogar bem; era apenas uma questão de tempo até os resultados chegarem, e assim foi: conseguimos três vitórias nos últimos quatro jogos.
— Em outubro jogaram duas vezes com o Sporting em três dias, perderam 1-5 na Taça da Liga e depois por 0-2 na Liga. Como foi preparar essa semana?
— Foi complicado também vínhamos de um jogo contra a UD Leiria para a Taça de Portugal. Eram muitos jogos em pouco tempo e não estávamos habituados. O jogo da Taça da Liga foi difícil, mas no jogo do campeonato acho que fizemos um trabalho muito bom, eles só conseguiram marcar o golo aos 60 e tal minutos de bola parada.
— Nesse jogo com a UD Leiria para a Taça de Portugal, falhou um penálti no desempate, mas depois já marcou um contra o Moreirense.
— A partir do penálti da Leiria, comecei a praticar mais aqui nos treinos para melhorar.
— O treinador disse que se houvesse um penálti, seria o Nabil a marcá-lo?
— Não, foi uma decisão nossa em campo. Todos os jogadores têm personalidade para tomar estas decisões e se um está confortável e os outros estão de acordo, não há problema.