O 'aviso' a Morita para fazer os melhores... 137 dias no Sporting
Morita não desarma e voltou a colocar o pé no acelerador no momento em que a época entra na fase das decisões. Aos 30 anos, e a pouco mais de quatro meses de terminar a ligação contratual ao Sporting, precisamente 137 dias, o médio tem protagonizado uma resposta firme a uma concorrência interna, num duelo que tem tanto de especial como de simbólico: de um lado, a experiência do japonês; do outro, a irreverência de João Simões, 19 anos, produto da Academia de Alcochete.
Os números ajudam a contar a história. Morita soma 30 jogos e 1455 minutos esta temporada. Simões aparece logo ali, bem perto, com 23 partidas e 1412 minutos. A diferença de idade é grande, mas o rendimento tem sido equiparado, ao ponto de a titularidade ter oscilado várias vezes ao longo da temporada, conforme o momento competitivo e a leitura de Rui Borges para cada adversário.
Para Morita, porém, há um fator extra a empurrá-lo para a frente nesta reta final de campeonato. O médio sabe que o próximo Mundial começa a ganhar forma e pretende apresentar-se ao mais alto nível quando chegar a hora das escolhas no Japão. Cada jogo em Alvalade tornou-se, por isso, nesta altura, uma montra e uma prova para mostrar que ainda está em perfeitas condições para fazer um grande Mundial e, claro está, um grande... contrato, uma vez que, tal como A BOLA havia adiantado, o japonês não ficará em Alvalade.
Essa motivação, de resto, tem sido visível nas últimas semanas. Mais intenso nos duelos, mais criterioso na circulação, com fulgor físico e, sobretudo, mais influente nos momentos em que a equipa precisa de estabilidade. Qualidades que reacenderam a luta pela titularidade. Recuperada no clássico do Dragão e, muito provavelmente, na receção de amanhã ao Famalicão. Um momento que se estende aos treinos, pois, ao que foi possível apurar, o empenho do médio tem agradado a equipa técnica. O médio japonês parece determinado a não sair de cena em silêncio ou na sombra. Pelo contrário: deseja que a despedida de Alvalade seja feita com peso competitivo e memória forte e positiva para os adeptos.
IRREVERÊNCIA VS. EXPERIÊNCIA
João Simões representa o futuro e tem mostrado, desde o aparecimento na época passada, personalidade rara para a idade. Não acusa a pressão, pede bola, assume riscos e ganhou a confiança necessária para discutir o lugar com um jogador que, nas últimas três épocas e meia, acumulou 146 jogos de leão ao peito. E que se tornou no parceiro ‘ideal’ de Hjulmand. E se a sucessão está preparada, a mesma parece que não será... oferecida. Morita voltou a dar sinais, nos últimos jogos, que a sua influência na equipa ainda está longe de desaparecer.
E não restam dúvidas: para Morita, nesta fase, cada minuto conta, cada exibição é avaliada ao detalhe. O japonês sabe que está a viver os derradeiros capítulos da história no clube e deseja um final feliz na sua última página de leão ao peito. João Simões espreita, vai crescendo e continua a bater à porta. Mas Morita não desarma e promete mais até ao fim. Uma luta que promete aquecer nesta reta final de temporada...