Mathys Detourbet (Troyes) - Foto: IMAGO

O extremo que ninguém conhece e pode agitar os próximos mercados

L'Équipe analisou o segundo escalão francês à procura das maiores promessas

O jornal L'Équipe voltou a identificar algumas das maiores promessas da Ligue 2. Como já acontece há já seis anos, o diário francês elaborou um onze de jovens talentos da segunda divisão, com critérios claros: jogadores com 21 anos ou menos e menos de dez jogos no escalão. A seleção resulta de uma combinação da análise de scouts franceses e estrangeiros, diretores desportivos, treinadores e, pela primeira vez, também de um software de recrutamento usado por clubes da elite.

Nos últimos anos, este exercício revelou-se particularmente certeiro. Nomes como Gessime Yassine, Clément Akpa, Robin Risser, Arsène Kouassi, Abdelhamid Ait Boudlal ou Christ Oulahi foram identificados em edições anteriores e hoje são jogadores com forte valorização no mercado. Desta vez, porém, há um nome que surge claramente destacado: Mathys Detourbet, extremo de apenas 18 anos do Troyes.

Detourbet, a maior promessa

Se há um nome que se destaca neste levantamento anual de promessas da Ligue 2, esse é Mathys Detourbet. Aos 18 anos, o extremo do Troyes é descrito pelo L'Équipe como «o verdadeiro crack deste artigo», um jogador que já apresenta sinais claros de poder atingir o mais alto nível europeu.

Detourbet destaca-se, antes de mais, pela qualidade na receção. É um daqueles jogadores que raramente precisa de mais do que dois toques para colocar a jogada no rumo certo. Essa facilidade técnica permite-lhe jogar entre linhas, acelerar a circulação ofensiva e criar vantagens mesmo em espaços curtos — uma característica cada vez mais valorizada no futebol moderno.

Extremo de perfil criativo, tem também capacidade de improviso no último terço, algo que o diferencia de muitos jogadores da mesma idade. Não é apenas um driblador de corredor: procura zonas interiores, associa-se bem e tem leitura para decidir quando acelerar ou temporizar o ataque.

Essa capacidade técnica explica por que motivo o City Football Group, proprietário do Troyes (e do gigante Manchester City), não pretende abrir mão do jogador já no próximo mercado. A estrutura vê nele um talento a desenvolver com cuidado e paciência.

A grande questão, segundo o jornal francês, não é se Detourbet vai sair, mas como será gerido o seu crescimento. Uma possibilidade passa por integrá-lo numa rede de clubes do grupo ou encontrar um contexto competitivo em que possa evoluir num modelo de jogo baseado em posse e circulação — algo que favorece as suas características.

Porque, no fundo, Detourbet parece ser um jogador de contexto: precisa de equipas que queiram ter bola, que criem superioridade técnica e que lhe permitam explorar a criatividade. Num cenário desses, acreditam vários observadores, o jovem extremo poderá transformar-se rapidamente num dos próximos talentos exportados pelo futebol francês.

Guarda-redes: Niflore afirma-se

Na baliza, o destaque vai para Mathys Niflore, guarda-redes de 19 anos do Dunkerque, emprestado pelo Toulouse. Depois de um início de temporada irregular, afirmou-se graças a um jogo de pés de grande qualidade e a uma presença física impressionante para a posição (1,95 m).

Também merecem atenção Ewen Jaouen, do Reims, muito forte sobre a linha de golo, e Noah Raveyre, jovem guarda-redes do Pau FC, que continua a evoluir de forma consistente.

Defesa: Siaka Bakayoko, capitão aos 20 anos

Entre os centrais, o nome mais promissor é Siaka Bakayoko, capitão do Amiens aos 20 anos. Fisicamente poderoso e com grande margem de progressão, já despertou o interesse de clubes da Serie A, da Major League Soccer e da Bélgica.

Outro perfil apreciado pelos recrutadores é o de Isaac Cossier, central canhoto de 19 anos emprestado pelo Lille ao Le Mans, enquanto Victor Mayela, do Dunkerque, surge como possível surpresa.

Laterais: um viveiro de talento

Nos corredores laterais, a densidade de jovens promissores é particularmente elevada. À esquerda, destaca-se Joseph Kalulu, do Pau FC, com dados atléticos impressionantes e enorme capacidade no um-contra-um.

Também surgem Anis Ouzenadji, lateral ofensivo do Troyes com qualidade de cruzamento acima da média, Zakaria Ariss, do Bastia, e El-Hadj Koné, do Clermont Foot, médio reconvertido com sucesso à posição.

À direita, o destaque vai para Kévin Pedro, do Saint Etiènne, originalmente central, mas hoje lateral dominante no duelo e tecnicamente evoluído. Yvann Titi e Enzo Tacafred completam a lista de jovens laterais monitorizados.

Meio-campo: Dunkerque em evidência

O Dunkerque, ex-equipa do técnico português Luís Castro, aparece também como um dos viveiros mais interessantes do campeonato. Pape Diong, médio de 1,95 m emprestado pelo Estrasburgo, começou a jogar futebol apenas aos 14 anos, mas a combinação de físico, técnica e capacidade de transporte de bola faz muitos acreditarem que poderá chegar à Premier League.

Ao seu lado, Antoine Sekongo destaca-se como médio ofensivo com oito golos no campeonato.

Entre outros nomes a seguir estão Jordan Mendes, sentinela do Rodez, Martial Tia, do Reims, comparado ao compatriota Kamory Doumbia, do Brest, e ainda Abdellah Baallal, Théo Chennahi e Nolan Binet, jogadores valorizados pelo enorme volume de jogo.

Alas e avançados: talento em formação e um 'novo Valbuena'

Além de Detourbet, outros extremos merecem atenção, como Giovani Versini, do Pau FC, muitas vezes comparado a Mathieu Valbuena pela estatura e criatividade, e Ilhan Fakili, do Clermont, um extremo tecnicamente refinado.

No ataque, a geração ainda procura um número 9 claramente dominante. Omar Sissoko, do Pau FC (emprestado pelo Paris FC), é visto como um avançado moderno, capaz de explorar a profundidade e jogar em várias posições.

Mas os maiores potenciais podem estar ainda mais abaixo na escala etária. Aly Traoré, do Amiens, apenas 17 anos, é considerado pela federação gaulesa um avançado extremamente completo e já desperta interesse de clubes alemães. Em Troyes, Christ Batola, de apenas 16 anos, também começa a chamar a atenção pelo físico (1,87 m) e eficácia nas bolas paradas.

Se a história recente servir de guia, muitos destes nomes deverão aparecer em breve nos principais campeonatos europeus. E, nesta nova geração identificada pelo L'Équipe, poucos parecem tão preparados para dar o salto quanto Mathys Detourbet.