O clássico de Mou
O relvado do Spotify Camp Nou estará repleto de magníficos jogadores na disputa deste clássico. Contudo, junto à linha lateral, emergirá a figura de José Mourinho que, longe de passar despercebido, será um dos grandes protagonistas deste duelo que marca o seu regresso ao estádio onde trabalhou ao serviço da equipa da casa — e que mais tarde visitou, várias vezes, como adversário. Perceber de que forma os adeptos locais vão receber alguém que, no passado, foi «um dos seus» será um dos maiores atrativos desta noite.
Na história do clássico, apenas três treinadores se sentaram no banco de ambas as equipas. Dois deles, Enrique Fernández e Radomir Antic, já não estão entre nós; o único sobrevivente é Mourinho que, mesmo não sendo o treinador principal, viveu os confrontos do Barça com o Real (três vitórias e um empate) com a mesma intensidade que os seus chefes: primeiro Bobby Robson e, mais tarde, Van Gaal. Este último, cansado de, a partir do banco, ver apenas pernas em movimento no relvado, tinha o hábito de mandar o português para a bancada para que, a partir de lá, lhe desse uma leitura tática mais ampla do desenrolar do jogo.
Mourinho estava então em início de carreira. Anos depois, já como técnico consagrado, regressou a Camp Nou ao leme do Inter para afastar o Barça numas meias-finais da Liga dos Campeões que ficaram para a história. Foi esse o argumento de peso esgrimido por Jorge Mendes para convencer Florentino Pérez: entre os dois, asseguraram que, ainda antes de se sagrar campeão europeu no Bernabéu com a equipa italiana, Mourinho já era o novo técnico do Real Madrid.
Nas suas três épocas no clube madrileno, os clássicos foram abundantes: nada menos que 17 entre Liga, Taça do Rei, Supertaça e Champions. Em todos se viveu uma enorme paixão e, nalguns deles, acesas polémicas que tiveram no técnico português e em Guardiola os principais protagonistas. Considerando o tremendo potencial do Barça dessa era, o balanço não foi desastroso: 5 vitórias, 6 empates e 6 derrotas, tendo sido a mais dolorosa de todas a goleada de 0-5 sofrida na 1.ª visita a Barcelona, a 29 de novembro de 2010. Sem qualquer vontade de recordar esse dia aziago, e 16 anos volvidos, Mourinho regressa à Catalunha para se estrear no clássico nesta sua segunda passagem pelo Real. Nem o treinador nem os adeptos madridistas querem, por nada deste mundo, que a história se repita: um pesadelo daqueles é para não voltar a viver nunca mais. O objetivo passa por ganhar e, caso haja uma derrota, que nunca se assemelhe a essa desoladora goleada.