Pavlidis é o melhor marcador da equipa, com 16 golos em 16 jogos — Foto: Miguel Nunes
Pavlidis é o melhor marcador da equipa, com 16 golos em 16 jogos — Foto: Miguel Nunes

Máquina goleadora do Benfica — há 37 anos que não se via uma coisa assim

Pavlidis é a grande figura, como foi Magnusson com Eriksson

Marco Silva tinha 12 anos e estaria, seguramente, muito longe de imaginar que um dia seria treinador do Benfica — apesar de o futebol, provavelmente, como aconteceu a muitos rapazes daquela idade e daquela geração, lhe entrar pela vida dentro, nem que fosse nas brincadeiras com os amigos — quando o Benfica, nos relvados de Portugal e da Europa, era uma máquina goleadora. Sven-Goran Eriksson, na segunda passagem pela Luz, comandava equipa que tinha sido campeã nacional na época anterior e entrava na temporada 1989/1990 a todo o gás. Marcou 54 golos nos primeiros 17 jogos. Seria preciso esperar 37 anos, e também que Marco Silva crescesse, para encontrar algo parecido. O atual Benfica marcou 53 golos nos primeiros 17 jogos da época.

A vitória gorda do Benfica sobre o Omonia, por 4-1, em Nicósia, Chipre, confirmou essa voracidade ofensiva e goleadora da equipa. Quando foi apresentado a 12 de junho, Marco Silva, que tinha rejeitado ofertas financeiramente mais sedutoras, a começar pelo Fulham, prometeu que a equipa teria uma «identidade dominadora» e uma «forma positiva de jogar» que, na opinião dele, «representa o Benfica». Aos ouvidos dos adeptos, órfãos de futebol bonito, atacante e com muitos golos, poderá ter soado a qualquer coisa como jogar à Benfica.

Marcadores nos primeiros 17 jogos da época 2026/2027

A entrada em cena deste novo Benfica terá feito pouco melhor do que alimentar dúvidas entre otimistas e céticos. Os encarnados perderam com o St. Gallen (1-2), na Suíça, na primeira mão da terceira pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. Parece que foi há uma eternida0de e talvez poucos se lembrem de que foi Rafa o autor do primeiro de 53 golos nos 17 jogos desta época.

O Benfica respondeu, uma semana mais tarde, na Luz com a primeira goleada de 5-0, emergindo, logo ali, o maior goleador da equipa, Vangelis Pavlidis, autor de quatro golos, num jogo em que o defesa-central Lenglet abriu a conta dos golos marcados. Neste percurso, para lá do avançado grego, com 16 golos (30 por cento do total) e ainda contribuinte com quatro assistências, é impossível ignorar a ascensão de Gianluca Prestianni, nove golos, segundo melhor marcador da equipa, em época de plena afirmação, depois das boas indicações no final da temporada anterior. Houve goleadas pelo meio, algumas bem expressivas, como os 7-0 aplicados ao Casa Pia em Rio Maior ou os 6-1 ao Hearts na Luz, e uma equipa sempre com os olhos postos na baliza adversária, mesmo contra o FC Porto, no Dragão, apesar da derrota por 1-3.

O Benfica soma, então, 13 vitórias, dois empates e duas derrotas pelo caminho e os 53 golos marcados. Nunca, neste século, se chegou tão depressa a tantos golos. O mais aproximado aconteceu na época 2009/2010, primeira de Jorge Jesus na Luz, na qual foram marcados 51 golos em 17 jogos, então em 13 vitórias, um empate e três derrotas. O Benfica, nessa época, foi campeão.

Magnusson marcou 40 golos na época 1989/1990 — Foto: A BOLA

Pavlidis 'vs' Magnusson

É preciso, pois, recuar 37 anos para encontrar uma equipa tão goleadora, aquele Benfica de Eriksson que teve em Mats Magnusson a principal figura. O avançado sueco assinou 23 dos 54 golos, um pouquinho mais de 42 por cento do total. Magnusson, então com 26 anos (Pavlidis tem mais um), estava de pé quente e acabou a época com 40 golos e participou, no final da época, no Mundial-1990. Nesses 17 primeiros jogos, marcou, por exemplo, quatro golos contra o Beira-Mar e outros quatro ao Penafiel, ambos na Luz.

Marcadores nos primeiros 17 jogos da época 1989/90

Magnusson é o terceiro melhor marcador estrangeiro do Benfica, com 87 golos, mais 11 que Pavlidis. O avançado grego ocupa o quarto lugar dessa lista, depois de descolar do dinamarquês Michael Manniche (75) com o golo marcado na vitória sobre o Omonia. No topo, está, ainda a larga distância, o paraguaio Óscar Cardozo, com 171, seguindo-se o brasileiro Jonas, com 137. Se o internacional grego tomou conhecimento, em Chipre, de que estava agora isolado no quarto lugar, alguém já lhe pode ter dito que Magnusson não está, assim, tão longe.

Nessa época de 1989/1990, o Benfica acabou com 106 golos em 47 jogos (média de 2,3 por jogo). Foi segundo no campeonato, atrás de FC Porto, e perdeu a final da Taça dos Campeões Europeus, com o Milan (0-1), em Viena. Foi apenas um dos seis jogos em que não marcou naquela temporada.

Lamine Yamal e Raphinha — Foto: IMAGO

Barcelona e Bayern num mundo à parte

Barcelona e Bayern são o terror dos adversários. Não têm, em absoluto, mais golos do que o Benfica, mas a média por jogo é bem superior. Os catalães, então, são caso único; pode contar-se, em 90 minutos, com quatro golinhos. Nada mau, pois não?

Com os 53 golos nos primeiros 17 jogos da época, o Benfica tem média de 3,12 golos por jogo. Esta época, a equipa de Marco Silva marcou sempre. Está a caminho de ultrapassar a barreira dos 100 golos, mesmo considerando que poderá haver uma diminuição da capacidade finalizadora.

Nas últimas dez épocas, apenas em 2017/2018, sob o comando de Rui Vitória, essa barreira não foi ultrapassada, apesar de a temporada ter arrancado com um resultado promissor (3-1) e a conquista da Supertaça, contra o V. Guimarães. O Benfica, ainda assim, acabou com média de dois golos. E em segundo lugar no campeonato.

Na temporada passada, que arrancou com Bruno Lage, substituído em setembro por José Mourinho, os 100 golos foram ultrapassados à risca — 101 em 55 jogos. Foi a pior média das últimas dez temporadas: 1,8 golos por jogo.

Ainda em relação a médias, nesse período, as melhores foram 2022/2023, com Roger Schmidt, e 2024/2025, que arrancou com o treinador alemão, substituído por Bruno Lage.

Voltando à Europa, esta época, o Barcelona não tem comparação. São golos atrás de golos, mais concretamente 50 em 15 jogos, para média de 4,17 golos por jogo. Um pouco mais atrás, neste capítulo, está o Bayern, um pouco menos concretizador, mas, seguramente, não menos temido por adversários — são 38 golos em 11 jogos, para média de 3,5.

Na Alemanha, há ainda uma surpresa — o Mainz, sétimo classificado na Bundesliga e que ontem perdeu em casa com o Dortmund (2-3), soma 25 golos em oito jogos, média de 3,13 golos por jogo, ligeiramente superior à do Benfica (3,12). É certo que para isso muito contribuiu a goleada na Taça da Alemanha ao Krieschow (9-0), do quinto escalão, mas merece nota de registo positivo.

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