Roberto Martínez, selecionador nacional
Roberto Martínez, selecionador nacional

Roberto Martínez e o Suplício Nacional

Foguetes pela goleada ao Uzbequistão, tão somente o 60.º do ranking FIFA, foram precoces. Mesmo com uma equipa cheia de talento é preciso ter no banco mais do que um diplomata

«I'm back, I'm back», jurava Cristiano Ronaldo depois de mais 90 minutos e dois golos diante do Ubzequistão para acabar com o jejum de 10 jogos sem marcar em fases finais de Europeus ou Mundiais. Perante tamanho feito como golear o 60.º classificado do ranking da FIFA e que nem 40 anos de existência como país independente tem, rapidamente o capitão da Seleção se disponibilizou para falar aos jornalistas.

É pena que tal raramente aconteça quando há nuvens negras e não sol a brilhar, como depois da deprimente estreia frente à RD Congo e, ontem, para ajudar milhões de portugueses a entender o porquê de mais uma deplorável exibição de uma equipa que garante com todas as forças que quer ser campeã do Mundo. Se vai dar Portugal, não será assim e a culpa não é dos jornalistas, comentadores ou adeptos, esses especialistas da maledicência e que só querem dividir uma seleção que, como se tem visto, prima pela união e atitude dentro de campo. Menos quando está calor ou não se tem bola.

Escrevi, depois do 1-1 a abrir, que, pelo menos, o aviso tinha chegado cedo e havia, por isso, tempo para corrigir, mais ainda num formato em que até é possível o apuramento para a fase a eliminar sem se ganhar um único jogo no grupo. Dias depois chegou o fragilíssimo Uzbequistão e o 5-0 serviu, durante algumas horas, para calar aqueles que há tanto tempo querem reformar Ronaldo e dar a Gonçalo Ramos algo mais do que turismo e milhas aéreas ou duvidar da capacidade do espanhol para gerir uma equipa que tem alguns dos melhores jogadores do Mundial e joga como uma das piores que estão nos 16 avos de final. Qualquer semelhança com grande parte do percurso de Martínez na Bélgica será pura coincidência.

Portugal ganhou dois (!) dos últimos seis jogos oficiais —Arménia e Uzbequistão foram as vítimas da façanha — e o selecionador assobia para o lado. Diz que Portugal «está de parabéns» pelo jogo que fez frente à Colômbia e até vê o facto de Diogo Costa ter sido o melhor em campo em Miami como algo positivo.

É uma realidade paralela, mas que não surpreende: Roberto Martínez está no cargo há mais de três anos e há mais de três anos que responde dando voltas à rotunda e fazendo de conta que os problemas não existem.

Mesmo passando a Croácia, nem o mais otimista acreditará que, assim, pode dar Portugal com possíveis duelos com Espanha nos oitavos de final e França nas meias-finais.

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