«Num clube melhor será mais fácil chegar à Seleção, o selecionador disse-me o mesmo»
Samu Costa, médio do Maiorca e internacional português, recorda, em entrevista a A BOLA, os melhores momentos que viveu durante estes quase três anos que leva no clube espanhol, com principal destaque para as duas vezes em que foi chamado por Roberto Martínez à Seleção Nacional. O médio também refere os melhores que defrontou, de Yamal a Benzema, e recorda a inspiração em jogadores como Casemiro ou Danilo Pereira, ainda que nunca foi de «tentar copiar ou melhorar o jogo com base em alguém».
— Leva quatro golos em 22 jogos esta temporada, que já é a mais goleadora da carreira. Foi neste ponto que mais cresceu?
— Sim, sem dúvida que melhorei, principalmente este ano com a ajuda do mister [Jagoba Arrasate]. Este treinador, desde que chegou, diz que eu tenho capacidade para fazer bastantes golos pelo meu físico, pela capacidade que tenho de chegar às duas áreas com facilidade. Este ano foquei-me mais, na pré-época, em melhorar essa parte. Chegar à área, rematar mais e o meu trabalho está a dar resultados. É algo que quero continuar a melhorar porque acho que não tenho limite.
— Acabará esta época então com três anos de Maiorca. Qual é o grande momento destes três anos?
— Em termos coletivos foi a final da Taça do Rei contra o Athletic Bilbao. Perdemos a final, mas acho que fizemos história e, sendo o Maiorca, é superdifícil. Esse momento vou levar para a vida. Os melhores momentos a nível pessoal foram sem dúvida as duas chamadas à Seleção Nacional. Não é fácil estando no Maiorca. Tenho de ser sincero. Estou no Maiorca e os outros jogadores estão em clubes de grande nível. Tenho sempre um pouco de desvantagem. Mas penso que mereci e tive mérito nas vezes que fui.
— E a vontade de ir à Seleção será certamente uma das razões para querer dar esse passo à frente.
— Sim. Dando um passo para um clube de outro nível vou melhorar muito o meu jogo também, vou estar com companheiros também de grande nível. No Maiorca também estou, mas toda a gente sabe que há vários níveis no futebol. Sei que, estando num clube melhor, seria um pouco mais fácil chegar à Seleção. O próprio selecionador disse-me o mesmo.
— Depois dos anos de formação no futebol português e de seis anos em Espanha, que comparações faz entre as duas ligas?
— Não joguei muito tempo na equipa principal do SC Braga, fiz só um jogo, mas estive bastante tempo a treinar com eles e seguia os jogos. Há uma grande diferença. Claro que Portugal tem clubes de grande qualidade, mas a liga espanhola é uma liga muito competitiva. Vemos este ano que estamos a quatro pontos do décimo e estamos em 16.º, ou seja, é uma liga muito complicada, qualquer equipa pode ganhar a outra qualquer. Gostei destes seis anos, estou a desfrutar e quando falo em mudar de liga seria também um bom desafio para mim.
— Na última jornada enfrentaram o Barcelona, em Camp Nou. Como é que foi jogar lá? Foi a primeira vez? Já tinha jogado lá pelo Almería.
— No Almería tinha jogado em Camp Nou. O Barcelona este ano ganhou os jogos todos em casa, incluindo na Liga dos Campões. Estão noutro andamento neste momento, são muito fortes. Mesmo assim acho que fomos competitivos e há que analisar o jogo e ver as coisas boas.
— Que jogadores mais surpreenderam em campo nestes seis anos frente a equipas como Real Madrid ou Barcelona?
— O jogador que mais me surpreendeu, pela idade também, foi o Lamine [Yamal]. É um jogador extraordinário. Quando joguei contra ele, não sei se na primeira ou segunda época dele no Barcelona, vi que o miúdo é diferente. Tem uma qualidade… Fisicamente também cresceu muito É de outro mundo. Também outro que já conhecia, mas que ao vivo me surpreendeu, foi o Benzema. Penso que foi o melhor ponta de lança contra quem já joguei. E o Mbappé também. Gostei muito do De Jong. Acho que o De Jong também é um médio-centro espetacular e é sempre bom jogar contra eles.
— Tem algum jogador que tenha como exemplo, para tentar ‘imitar’ o estilo de jogo?
— Nunca fui muito de tentar copiar ou tentar melhorar o meu jogo com base em alguém, mas sempre gostei muito do Casemiro. Foquei-me muito no jogo do Casemiro. Também no Danilo [Pereira], na altura em que estava no FC Porto, era dos jogadores de quem eu gostava mais. Quando cheguei ao Maiorca era mais um ‘6’, que não se mexia tanto, Agora, com este novo treinador, penso que as minhas capacidades são mais de um ‘8’ ou de um duplo-pivô. Tento só melhorar o meu jogo e fazer o melhor que posso a cada dia. Sei que posso melhorar bastante.