Vindima não tem segredos: o lavar dos cestos é mesmo até ao fim (crónica)
Até ao lavar dos cestos é vindima, diz (e muito bem) o povo. O Vitória de Guimarães levou a expressão à letra e evitou a derrota no último suspiro. Aos 90+6', e na sequência de um cruzamento de Samu que Miguel Nogueira penteou ao primeiro poste, Toni Borevkovic, ao segundo, desviou para o fundo das redes da baliza de André Ferreira.
Nesse momento, e além de salvar um ponto, o defesa-central croata — que regressou esta época aos vitorianos, naquela que é a sua terceira passagem pelo clube — também impediu que fosse escrita uma nova história nos duelos para o campeonato entre Vitória e Moreirense, em Guimarães: nunca os verdes e brancos triunfaram no reduto dos vizinhos. O registo é agora de 16 embates, 12 vitórias dos conquistadores e quatro empates.
Para trás ficou um dérbi muito longe de ser espetacular, mas que reforçou, essencialmente, a matriz das equipas orientadas por Vasco Botelho da Costa: organização. Seja em processo defensivo, seja em posse e nos momentos de ataque. Com Tiago Andrade e Leonardo Vonic agitados no último terço — o extremo ameaçou o golo aos 8 minutos, o ponta de lança também tentou a sua sorte aos 26' — os de Moreira de Cónegos foram controlando sempre os ímpetos dos visitados e apenas Oumar Camara testou André Ferreira (27' e 43').
A etapa complementar foi bem mais movimentada e a jogada do golo do Moreirense merece entrar naqueles DVD's que são mostrados aos miúdos que estão a começar a dar os primeiros pontapés na bola: saída em construção desde o setor defensivo, ataque rápido sempre em progressão e com segurança na posse e no(s) passe(s), assistência perfeita de Leonardo Vonic e remate fulminante de Tiago Andrade para um golaço. É para rever...
Tiago Margarido, também ele um estratega por natureza, sentiu a apatia da equipa e fez tripla substituição, mudando todo o meio-campo — logo aos 12 minutos, refira-se, os conquistadores já tinham perdido o influente Gustavo Silva, devido a lesão. O Vitória cresceu, mas não estava fácil entrar na bem estruturada muralha dos rivais. Até que, no último lance do desafio, Borevkovic teve alma para atenuar a dor dos vitorianos.
Os adeptos vimaranenses não ficaram satisfeitos e assobiaram a equipa, que somou o quarto jogo seguido sem vencer. Os simpatizantes dos cónegos deram o merecido carinho aos seus jogadores.
Quem o conhece de outras realidades competitivas sabe que estamos na presença de um extremo com muita qualidade e que, aos 20 anos, tem ainda uma margem de progressão enorme. Talhado para as decisões, o internacional jovem luso ameaçou na primeira parte e confirmou os intentos na etapa complementar: fuga pela esquerda, finta para fora e remate cruzado, ao ângulo. Golaço!
É verdade que nunca assim tanto trabalho quanto isso no que diz respeito aos duelos individuais, mas destacou-se num momento ainda na primeira parte, a evitar que o excesso de confiança de Oliwier Zych pudesse ter males maiores (19'). Na reta final foi promovido a ponta de lança e logrou ser o autor do golo do empate, acreditando sempre que o cruzamento de Samu iria chegar lá.
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:
Oliwier Zych (4), Tony Strata (5), Toni Borevkovic (6), Thiago Balieiro (5), João Mendes (5), Gonçalo Nogueira (5), Lohann Doucet (5), Alan (5), Gustavo Silva (—), Arnel Jakupovic (5), Oumar Camara (5), Miguel Nogueira (5), Matija Mitrovic (5), Beni (5), Samu (5) e Victor Andersson (5).
As notas dos jogadores do Moreirense:
André Ferreira (5), Dinis Pinto (6), Gilberto Batista (5), Maracás (6), Francisco Domingues (5), Nile John (6), Guilherme Liberato (6), Manuel Mendonça (5), Kiko Bondoso (5), Leonardo Vonic (6), Tiago Andrade (6), Chipyoka Songa (5), Yan Maranhão (5), Rodrigo Alonso (5), Landerson (5) e Kevyn (—).
Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense):
Fizemos um jogo fantástico. Estamos muito tristes e desapontados, num jogo muito competente da nossa equipa. Até aos 85 minutos, o Vitória só criou perigo de bola parada. Vai olhar-se para o empate e não se dará a devida qualidade à nossa exibição.