Internacional venezuelano está com a veia goleadora afinada e foi decisivo para a reviravolta estorilista - Foto: Rodrigo Antunes/LUSA
Internacional venezuelano está com a veia goleadora afinada e foi decisivo para a reviravolta estorilista - Foto: Rodrigo Antunes/LUSA

Canarinhos deitados em Marqués(a) relaxante (crónica)

Ponta de lança bisou — Begraoui também — e da Linha vê-se a Europa. Vitorianos foram-se abaixo

Que grande noite de futebol na Amoreira! Em bom rigor, o cenário até era expectável — Estoril e Vitória de Guimarães são duas equipas que têm protagonizado belos espetáculos ao longo da temporada (mesmo quando não ganham) — e os artistas apenas deram continuidade ao que têm vindo a fazer.

O Estoril chegava a este embate (também) moralizado pela goleada (5-0) alcançada na jornada anterior, no terreno do Estrela da Amadora, e, já se sabe, quando há jogadores da craveira de João Carvalho, Yanis Begraoui, Rafik Guitane ou Alejandro Marqués, o perigo pode sempre rondar as balizas contrárias. E voltou a acontecer...

Do Minho, viajava um Vitória que apesar do desaire (0-1) da ronda passada com o FC Porto ainda continua a viver o conto de fadas advindo da histórica conquista da Allianz Cup, no início do mês, em Leiria, e a primeira parte dos comandados de Luís Pinto foi um espelho fiel de uma equipa confiante, com processos bem definidos e com olhos no golo.

Pedro Amaral deu o mote em tons de amarelo (2'), mas Alioune Ndoye deixou dois avisos sérios (9' e 15') para os (ontem) brancos. Alejandro Marqués também queria ficar ligado à história do jogo — ficaria, e de que maneira! —, mas a primeira ocasião de que dispôs foi negada por Miguel Nóbrega: o ponta de lança aproveitou uma má abordagem de Juan Castillo, que largou uma bola que parecia ter segura, rematou para a baliza contrária, mas viu o defesa-central tirar-lhe o golo em cima da linha (20').

Não marcou o Estoril... aproveitou o Vitória. Aos 27 minutos, Samu rematou colocado, à entrada da área, e abriu o ativo na Amoreira. Os visitados ainda ficaram a pedir falta do capitão vimaranense sobre Kévin Boma, mas Fábio Veríssimo entendeu ser tudo legal e validou o golo.

A festa durou pouco porque, apenas dois minutos depois, Begraoui rematou cruzado para o 1-1.

Os vitorianos foram melhores na primeira parte e contaram com obra de arte de Mitrovic: livre direto, bola na gaveta e nova vantagem (34').

Na etapa complementar houve outra história. Se Samu tem feito o terceiro golo (49'), as linhas seguintes não fariam sentido. Mas como o futebol não vive de ses...

O emblema da Linha virou tudo ao contrário e encheu a barriga. Alejandro Marqués bisou e Yanis Begraoui não quis ficar atrás.

O 4-2 traduziu na perfeição a qualidade do futebol ofensivo dos canarinhos, que, deitados em Marqués(a) relaxante já estão no 8.º lugar da tabela classificativa, com direito a vistas... europeias.

O melhor em campo: Alejandro Marqués (Estoril)
O facto de estar em final de contrato com os canarinhos não parece afetá-lo minimamente. Já tinha marcado para a Taça de Portugal, diante do Famalicão (1-2), voltou a picar o ponto na jornada passada, na goleada (5-0) imposta ao Estrela da Amadora, para a Liga, e ontem reforçou a dose, bisando frente aos vitorianos. Primeiro com um cabeceamento espetacular, depois com desvio letal.
A figura: Matija Mitrovic (Vitória de Guimarães)
O jovem médio sérvio, de apenas 21 anos, voltou à titularidade — algo que não acontecia desde o dia 28 de dezembro, por ocasião do embate com o Casa Pia (0-0), da 16.ª jornada do campeonato — e em boa hora Luís Pinto o escolheu para o lugar do castigado Beni. Além de ter estado muito ativo no miolo, especialmente na primeira parte, apontou um golaço, de livre direto (34').

As notas dos jogadores do Estoril:

As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:

Juan Castillo (4), Tony Strata (5), Miguel Nóbrega (6), Rodrigo Abascal (5), João Mendes (4), Matija Mitrovic (6), Gonçalo Nogueira (5), Oumar Camara (5), Samu (6), Noah Saviolo (5), Alioune Ndoye (5), Gustavo Silva (5), Diogo Sousa (5), Fabio Blanco (4), Orest Lebedenko (4) e Ejike Opara (-).

Ian Cathro (treinador do Estoril)

Talvez tenha de começar a dizer que adoro trabalhar com estes jogadores. Obrigado também aos adeptos pela energia que nos deram. Tivemos alguns erros, mas a equipa teve grande capacidade mental e resiliência. Sabíamos competir e jogar à bola, agora estamos perto de poder dizer que também sabemos ganhar.

Luís Pinto (treinador do Vitória de Guimarães)

Faltou-nos eficácia, mas acrescento que o Estoril jogou o jogo todo e nós a primeira parte. Quisemos estar e sobreviver na segunda, e quando assim é, diante de uma equipa com muita qualidade, se não estivermos capazes de jogar o jogo todo, só com mera sorte é que podemos retirar alguma coisa. O Estoril venceu e mereceu.