No Qatar em 2022
Os Campeonatos do Mundo de Futebol são espaços propícios a exageros, onde o meio termo desaparece e se vive entre o lugar mais alto do pódio e o caixote do lixo.
Quando há expetativas relativamente a grandes figuras que são frustradas, a reação é sempre radical, tomando-se a parte pelo todo, e extraindo conclusões absolutas de coisas relativas.
No Mundial do Catar, a Argentina, que veio a sagrar-se campeã do Mundo, esteve a ganhar por 1-0 à Arábia Saudita, no jogo de estreia, e acabou por perder, ‘de virada’, por 1-2. Desabou o céu sobre a ‘albiceleste’ e não houve nenhum jornal argentino que não usasse na capa a imagem de Lionel Messi a sair de campo cabisbaixo, com as mãos a tapar o rosto.
As manchetes variaram entre ‘Inacreditável’, ‘Pesadelo’, ‘Da Euforia à Deceção’, ‘Triste Surpresa’, ou ‘Desmoronamento e Desafio’. O tom da imprensa internacional foi altamente crítico e ‘O Globo’ fez uma peça elencando ‘todos os fiascos de Messi nos Campeonatos do Mundo’.
Quer isto dizer que o aconteceu agora a Portugal, depois do empate com a RD Congo, e particularmente a Ronaldo, que para o bem e para o mal está sempre no centro das atenções, já foi visto noutras alturas e com outros protagonistas, em contextos semelhantes. Há, pois, que desdramatizar as hipérboles, sem perder de vista que Portugal jogou muito pouco frente aos congoleses e mal se deu por Cristiano Ronaldo. O que fazer, então? Reagir, mudando, com critério e não apenas para salvar a pele.
No Catar, da derrota com a Arábia Saudita para a vitória, a seguir, perante o México, Lionel Scaloni fez quatro mudanças no onze inicial (Montiel, Acuña, McAllister e Guido Rodriguez), e na final, contra a França, apresentou três alterações relativamente à equipa inicial contra os sauditas (Enzo Fernández, McAllister e Alvarez).
O que se espera de Roberto Martinez na partida contra o Uzbequistão é que sacuda o grupo, use a qualidade do plantel de que dispõe, e apresente uma equipa ‘acordada’ e dinâmica, que valha pelo conjunto e não pelos nomes.
Ganhar aos estreantes do Uzbequistão é fundamental (se não o fizermos merecemos o bilhete antecipado de regresso), e consegui-lo recuperando níveis de confiança afetados pela RD Congo é fundamental, de olhos postos no futuro, sem amarras ao passado.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México ( CF Monterrey), Estados Unidos ( Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá ( Toronto Metros- Croatia). O Mundial de 2026 joga- se onde o ‘ King’ espalhou o que lhe restava de magia…