Vinícius Júnior e Neymar celebram (IMAGO)
Vinícius Júnior e Neymar celebram (IMAGO)

No baile de Vini, Neymar voltou a dançar com o Brasil (crónica)

Vitória convincente sobre a Escócia garantiu 1.º lugar do grupo e deixou um aviso sério a todos os candidatos à vitória no Mundial 2026

A união entre Vinícius Júnior e Carlo Ancelotti está a ser o casamento perfeito para o Brasil no Mundial 2026: formada no Real Madrid, esta aparenta ser o maior trunfo da seleção brasileira para vencer o tão ansiado hexa, após uma exibição fabulosa da equipa, à boleia, claro, do endiabrado avançado dos merengues.

A única surpresa no onze do escrete foi Rayan, jovem de 19 anos que, por vezes, colocou a equipa à boleia da Rayan Airlines, trocadilho inventado em Bournemouth e que já chegou aos Estados Unidos, tão competente foi a exibição do jogador (uma assistência, só lhe faltou o golo para ser perfeita).

A Escócia veio a jogo com audácia e equiparou-se ao Brasil nos minutos iniciais, mas quando se oferece um golo a abrir o jogo, a tarefa fica muito mais difícil. A hipótese da equipa se qualificar como um dos melhores terceiros classificados também é difícil, já que ficou com uma diferença de golos de -3. O Brasil passa como líder do Grupo C, com os mesmos pontos que Marrocos, mas melhor diferença de golos.

Baila, Vini, baila

Muitas vezes, diz-se que o futebol é a arte do imprevisível, mas quando Vinícius acelera, o destino quase fica traçado. Foi isso que fez (7’) quando Rayan roubou a bola a Scott McKenna (que erro infantil…) e atacou logo o espaço vazio na área escocesa. Só faltava a finta simples a Angus Gunn e o passe para a baliza deserta.

A Escócia, conhecida pela sua alma inabalável e pelo orgulho que carrega em cada duelo, lutou com os argumentos que o coração lhe dava. Angus Gunn manteve o sonho escocês vivo; o VAR também ajudou a causa escocesa ao descortinar (24’) uma falta de Vini sobre Jack Hendry que anulou aquele que seria o 2-0; e Nathan Patterson fez (45’) um corte em cima da linha para tirar o golo a Matheus Cunha.

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E ainda faltava o golpe de misericórdia para fechar a narrativa da primeira parte. Aos 45+3’, quando o descanso parecia ser o único refúgio para os escoceses, Bruno Guimarães desenhou um cruzamento milimétrico. Na área, implacável, Vinícius Júnior cabeceou para o 2-0. Rayan ainda viu (45+6’) Gunn tirar-lhe um golo que parecia certo.

Quase mil dias de espera

Na segunda parte, o Brasil manteve o controlo absoluto do jogo e dilatou a vantagem para 3-0 logo aos 60 minutos por intermédio de Matheus Cunha, deitando por terra qualquer tentativa de reação da seleção escocesa. A Escócia ainda obrigou Alisson a um par de defesas apertadas, mas foi sempre uma equipa previsível, com poucos recursos para atacar. McTominay em particular esteve praticamente apagado ao longo de todos os jogos.

O momento mais marcante e emocionante da etapa complementar ocorreu ao minuto 76, com a entrada de Neymar em campo, assinalando o seu regresso à seleção brasileira após uma longa paragem de 980 dias – desde 18 de outubro de 2023 que não jogava pela Seleção, na altura num jogo de qualificação para este Mundial contra o Uruguai. Um momento emotivo e que provocou uma reação do estádio como de se um golo tratasse.

O Brasil termina assim no 1.º lugar do Grupo C, com os mesmos pontos que Marrocos, mas com vantagem na diferença de golos. A Escócia, com 3 pontos e um saldo de golos de -3, fica muito próxima de estar eliminada.

O Brasil sabe assim que vai jogar com o 2.º classificado do Grupo F - neste momento, é o Japão.

Melhor em campo: Vinícius Júnior (8)

Simplesmente imparável. Marcou três, só dois foram válidos, mas isso não tira brilho ao jogo do líder desta seleção, que arca com as responsabilidades sem problema e, neste Mundial, tem correspondido ao mais alto nível. Joga com alegria, entende-se às mil maravilhas com os colegas e não dá sinal nenhum de que vai abrandar em breve.

A figura da Escócia: Angus Gunn (7)

Antes do Mundial, só tinha feito um jogo em toda a época pelo Nottingham Forest. Mas chegou aos Estados Unidos em grande forma, como se viu neste jogo. Tirou golos praticamente certos a Vini e Rayan, fazendo o seu melhor para impedir uma goleada desmoralizadora para a Escócia.

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