Mundial: «Quero dizer uma coisa ao País de Gales: tenham cuidado!»

Portugal estreia-se, este sábado (16.45h), em Nice, no Campeonato do Mundo França-2023. Seleção galesa espera o melhor do adversário e os Lobos dizem não sentir pressão.

Portugal volta a pisar, este sábado, em Nice (16.45 horas), um relvado de um campeonato do mundo de râguebi. Acontece 16 anos depois da estreia dos Lobos e apenas pela segunda vez no historial da modalidade.

Em França-2007, na 6.ª edição da competição, na cidade de Saint Étienne, a Escócia (derrota por 10-56) batizou a seleção lusa onde noventa por cento dos jogadores era amadores. Havia apenas três profissionais: Gonçalo Uva (Montpellier), André Silva (Stade Montois) e David Penalva (Blanac).

 Agora, em 2023, de novo em território gaulês, na Riviera francesa, e tendo o estádio do Nice (35.983 lugares) como palco, uma outra seleção britânica, o País de Gales, apadrinhará a estreia na 10.ª edição da terceira maior competição internacional a seguir aos Jogos Olímpicos e ao campeonato do mundo de futebol masculino.

Muito mudou neste hiato de tempo entre as duas presenças de Portugal, a maior ausência temporal, entre os mundialistas, de uma nação na competição.

Em novembro do ano passado Portugal carimbou a presença para o França-2023 no torneio final de qualificação para o Mundial, no Dubai. Após dez meses de preparação, nos quais sobressai 10 semanas de estágio, dividido pelo Centro de Alto Rendimento de Râguebi do Jamor (junho e julho), Algarve (agosto) e França (agosto e setembro) em Font-Rome e Perpignan, quartel-general dos lobos, a Seleção apresenta, entre os 33 convocados, 17 jogadores espalhados pelas divisões profissionais e semiprofissionais francesas e só 16 amadores vestem os emblemas de sete clubes nacionais. Um cenário bem diverso face a 2007. 

A diáspora portuguesa

 José Lima, 31 anos, um dos mais experientes lobos, com 54 internacionalizações, deixou, ontem, um aviso na conferência de imprensa de antevisão da partida. «Quero dizer uma coisa ao País de Gales: tenham cuidado! Se nos deram uma oportunidade para ganhar, ganharemos».

«O nosso papel é estar dentro do jogo o máximo de tempo possível. Se for só 50 minutos, então não teremos grandes hipóteses de vencer. Se jogarmos 70 minutos, teremos mais», apontou o vice-capitão de Portugal, conjunto que ocupa a 16.ª posição do ranking.

Lima atira, naturalmente, a pressão para o lado galês e garante que jogar pela segunda vez em França é motivador para os Lobos. «Sentimos o apoio de todos, a diáspora portuguesa em França é enorme. Tal, dá-nos uma motivação extra», garante o centro português, esperando uma avalanche de portugueses em Nice.

José Lima está confiante nas capacidades da Seleção

«Isto não é pressão, é positivo. É o resultado de quatro anos de trabalho árduo nosso e deve ser uma causa de celebração», continuou José Lima, jogador com 11 anos de campeonatos franceses e que recordou, na primeira pessoa, a presença de Portugal no Mundial de 2007. «Tinha 14 anos e estava no estádio no jogo de abertura. Foi essa data que me fez ir para França jogar e ajudar o meu país a disputar um mundial de râguebi», revelou. 

O país anfitrião, França, foi igualmente tema de conversa com David Gerard, treinador assistente da seleção portuguesa. «Duas coisas são estranhas para mim. A primeira, estou em França, o meu país e sou treinador de uma seleção estrangeira. A segunda, tenho muito orgulho de estar com estes rapazes, com este País», confessou o técnico que se juntou, em junho, à Seleção Nacional. 

Gerard acredita que os Lobos terão um apoio extra. «Mal posso esperar por entrar em campo e ver o apoio do público já que tenho quase 100 por cento certeza de que o espectadores franceses estarão connosco. Não só por termos muitos franceses na equipa técnica [cinco no total], mas também porque muito portugueses vivem em França. Eles estarão aqui [em Nice] por nós e nós estaremos por eles», sublinhou.

É lapidar em relação à abordagem ao jogo. «Os galeses terão a bola a maior parte do tempo, logo teremos de estar preparados para defender bem e com disciplina. A disciplina será muito importante», salientou. 

 O País de Gales, 8.º do ranking mundial, estabeleceu no encontro com as Ilhas Fiji — vitória suada por 32-26, e quatro ensaios para cada lado — um novo recorde de placagens num mundial: 253. O dado estatístico explica o poderio defensivo dos Dragões Vermelhos e mereceu resposta do lusodescente Nicolas Martins. «Placar faz parte do meu trabalho e estou preparado para fazer o maior número de placagens. Tenho de estar preparado a 100 por cento para jogar. Vai ser duro, mas não devemos pensar nisso», antecipou antes da mensagem final. «Vamos fazer com que [o público] se sintam orgulhosos de nós. Venham aos jogos, será uma grande festa», finalizou.

Portugal 

XV inicial

1, Francisco Fernandes
2, Mike Tadjer
3, Anthony Alves
4, Martim Bello
5, Steevy Cerqueira
6, João Granate
7, Nicolas Martins
8, Rafael Simões
9, Samuel Marques
10, Jerónimo Portela
11, Rodrigo Marta
12, Tomás Appleton (C)
13, José Lima
14, Vincent Pinto
15, Nuno Sousa Guedes

 

Suplentes

16, David Costa
17, Lionel Campergue
18, Diogo Hasse Ferreira
19, Thibault De Freitas
20, David Wallis
21, Pedro Lucas
22, Joris Moura
23, Raffaele Storti

País de Gales:

XV Inicial 

1, Nicky Smith

2, Dewi Lake (c)

3, Dillon Lewis

4, Christ Tshiunza

5, Dafydd Jenkins

6, Dan Lydiate

7, Tommy Reffell

8, Taulupe Faletau

9, Tomos Williams

10, Gareth Anscombe 

11, Rio Dyer 

12, Johnny Williams

13, Mason Grady

14, Louis Rees-Zammit

15, Leigh Halfpenny

 

Suplentes

16, Ryan Elias

17, Corey Domachowski

18, Tomas Francis

19, Adam Beard

20, Taine Basham

21, Gareth Davies

22, Sam Costelow

23, Josh Adams