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Mundial, a trituradora de selecionadores
A continuidade no cargo de selecionador nacional está, invariavelmente, ligada a um bom desempenho no Campeonato do Mundo. A edição atual e a memória recente do Qatar 2022 confirmam que a prova é implacável, com um número significativo de técnicos a deixarem os seus postos.
Dos selecionadores que estiveram no último Mundial, há pouco mais de três anos e meio e onde Portugal foi liderado por Fernando Santos, apenas cinco mantinham o cargo à partida para a competição atual: Lionel Scaloni (Argentina), Didier Deschamps (França), Zlatko Dalic (Croácia), Murat Yakin (Suíça) e Hajime Moriyasu (Japão). Contudo, este número já diminuiu. Zlatko Dalic deixou o comando da Croácia após a eliminação nos oitavos de final, e Didier Deschamps anunciou que abandonará a seleção gaulesa no final do torneio, após um ciclo de 14 anos.
Com a saída de Dalic, o número de selecionadores que já não continuarão no cargo como consequência direta do torneio subiu para 13. Este valor representa uma taxa de 31 por cento de demissões ou renúncias, como aconteceu com Roberto Martínez na Equipa das Quinas cujo vínculo contratual também terminava, e a expectativa é que aumente até ao final da competição.
No entanto, apesar de expressivo, este número é inferior ao registado no Mundial do Qatar 2022. Nessa edição, que contou com apenas 32 seleções, o número de saídas foi idêntico (13), mas a percentagem foi consideravelmente maior, atingindo os 40,6 por cento de bancos técnicos que mudaram de titular, em comparação com os atuais 31%.
Recorde-se que, após o Mundial de 2022, a lista de saídas foi extensa, embora a linha entre demissões e renúncias seja ténue, com muitos a terminarem a ligação por mútuo acordo. Entre os demitidos estiveram: Luis Enrique (Espanha), Czesław Michniewicz (Polónia) e Carlos Queiroz (Irão). Já Tite (Brasil), Roberto Martínez (Bélgica), Otto Addo (Gana), Paulo Bento (Coreia do Sul), Fernando Santos (Portugal), Louis Van Gaal (Países Baixos), Félix Sánchez (Qatar), Diego Alonso (Uruguai) e Gustavo Alfaro (Equador) apresentaram a demissão. Gerardo 'Tata' Martino (México) viu o seu contrato chegar ao fim.
Fica assim claro que a principal competição de seleções não dá tréguas, e a continuidade de um selecionador depende crucialmente do cumprimento dos objetivos traçados. Casos como os de Luis Enrique ou Hansi Flick, que após deixarem as respetivas seleções alcançaram sucesso nos seus clubes, demonstram como um ciclo pode ser marcado por um punhado de jogos.
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