Mundial
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Mundial 2030: agarramos ou lamentamos?…
Se, no final do século passado, me dissessem que Portugal iria organizar uma fase final de um Mundial de futebol, diria que estavam loucos. Mesmo um Europeu. Em 1999, quando foi outorgada ao país a realização do Euro 2004, estávamos perante um sonho dificilmente justificável.
Porque foi isso mesmo: um sonho, com todos os riscos e loucuras mas, também, com um lobby muito importante, que agrupou dirigentes federativos, figuras do futebol e instituições governativas para, junto da UEFA, conseguirem para o país algo pouco verosímil alguns anos antes.
Há, sempre, que juntar vontades, organização e talento. Essa é a trilogia do sucesso, sobretudo quando se trabalha em patamares sempre alvo de grande pressão internacional, e cuja visibilidade pode alavancar fatores económicos e de desenvolvimento que muito dificilmente teriam a mesma notoriedade com qualquer outro evento que não tivesse a ver com o desporto-rei.
Ora o mesmo se passa agora. O Mundial 2030 é amanhã. Com 48 seleções (no mínimo, não vá a FIFA adicionar mais 16, para um formato inédito com 64, para comemorar o centenário da maior competição do planeta).
Porque é disso que se trata: a maior, juntamente com os Jogos Olímpicos (também de periodicidade quadrienal), e com a Volta a França, na sua peculiaridade anual. Por tudo o que movimenta, em várias áreas e em múltiplas dimensões, o Mundial 2030 não pode ser negligenciado. Representa uma dourada oportunidade para um pequeno e periférico país europeu (sim, não nos desviemos da efetiva realidade portuguesa…). Representa uma possibilidade de difusão de imagem transversalmente para o mundo inteiro, sabendo que o minuto de televisão está pela hora da morte, e que tudo o que se puder arregimentar, em torno da promoção e da projeção nacionais, será de uma dimensão sem preço.
Estamos preparados? Tem Portugal a noção do que aí vem? Quer do ponto de vista da promoção direta junto de 47 potenciais delegações visitantes (embora muitas não cheguem a pisar solo nacional, em face da tripolaridade organizativa, que engloba também Espanha e Marrocos), quer do reconhecimento — após avaliação — dos media de todos os recantos do mundo, quer da sensibilidade única dos turistas oriundos das calendas, e que querem o melhor ambiente, a melhor gastronomia, a melhor hotelaria, o melhor atendimento…
Está Portugal preparado? Mais do que isso, ou mesmo muito antes disso: está Portugal ciente do imenso desafio que se lhe coloca adiante, e que chega à velocidade da luz, considerando que a consolidação das estruturas e das conjunturas é imediata?
As estruturas turísticas e hoteleiras, agregando aqui o peso da restauração, na qualidade dos produtos confecionados e consumidos mas, sobretudo, no atendimento, que devemos projetar até aos mais elevados patamares.
A dimensão desportiva, dos valores acrescentados pelos centros de estágio e de treino e pelas mais-valias das condições diretamente proporcionadas a cada delegação que pisar o país.
A dimensão humana, na consciência direta da responsabilidade que é receber o Mundial do centenário e, essencialmente, da oportunidade magnânima que significa acolher um evento cuja transversalidade e lucros advenientes são dificilmente projetáveis à partida, e decerto também surpreendentemente mensuráveis à chegada.
O Mundial 2030 é uma inolvidável oportunidade para vender Portugal. Na sua óbvia dimensão desportiva, diretamente relacionada com as seleções participantes e com o calendário a apurar, mas também, numa visão holística e abrangente, na dimensão turística, cultural e patrimonial.
Será difícil encontrar um território tão pequeno e tão rico, nesses aspetos, e que permita, por consequência direta deste facto, uma programação coordenada, pensada e articulada da difusão ampla de uma imagem que concatene valores históricos, de património, de gastronomia, de natureza e de humanismo.
Cinco vertentes de uma mão cheia de mais-valias, que devem ser pensadas em concreto, de per si, mas com a perspetiva de um enquadramento conjunto, que permita ao país ser o melhor embaixador de si próprio e a melhor jogada de trunfo para o médio e longo prazo.
Porque, se os 104 jogos (101 serão disputados entre Espanha, Portugal e Marrocos) se esgotam em cinco semanas e meia, o rasto que, colateralmente, eles irão provocar, permanece, para o bem e para o mal, para uma ou duas gerações vindouras.
Portugal tem a grande vantagem de não necessitar de criar estruturas de raiz: excelentes vias de comunicação, magníficas estruturas hoteleiras, bons centros de treino, acessos tranquilos e seguros (Beja e o seu aeroporto serão sempre determinantes, no quadro de um evento tão específico…).
Então, potenciemos o que de nós diretamente depende: a qualidade no atendimento, a confeção de pratos que nos diferenciam, o sorriso, os castelos que exalam história, as praias que convocam banhos, a orografia generosa de um território multiforme, sempre considerando uma tão pequena e contida dimensão geográfica.
Sejamos competentes. O Mundial 2030 começa amanhã, e é uma oportunidade sagrada para convocar os nossos melhores Deuses: receber bem, tratar melhor, considerar acima da média e valorizar os nossos bens. Sejamos mais do que portugueses. Sejamos do Mundo, que o mundo saberá reconhecer.
E recompensar.
Não é fácil regressar. Ainda mais, regressar a um clube com a dimensão e a história do Real Madrid. E se é certo que a vitória em Barcelona, frente ao Espanhol, caiu do céu, não é menos verdade que a segunda parte dos merengues, no Bernabéu, frente à Real Sociedad, foi convincente.
José Mourinho ganhou o primeiro round, frente aos descrentes no retorno ao banco blanco. Ganhou Mbappé e parece ter ganho Vinícius. O mágico aí está, bem vivo e seguro de que, afinal, experiência e tempo não se compram na farmácia…
Tão feio, mas tão feio!… Ao intervalo, no jogo entre Vasco e Vitória, para a Taça do Brasil, uma perseguição à equipa de arbitragem, que havia expulso um jogador vascaíno no decurso da primeira parte do jogo.
As imagens são eloquentes: de filho da p... (o menos grave dos ditames…) a coisas ainda mais indizíveis e impensáveis, por parte dos dirigentes e staff do Vasco da Gama. O futebol brasileiro tem coisas fantásticas, gente única. E energúmenos que não valem nada.