Milan de Ruben Amorim é o principal rival - Foto: IMAGO

Liga Europa: o que valem os adversários do Benfica

Encarnados com sorteio bem acessível e a apontar para o apuramento direto para os oitavos de final

O Milan é, em tese, o rival mais complicado que o Benfica terá pela frente na fase de liga da Liga Europa. Antigo clube do presidente Rui Costa, ao serviço do qual conquistou uma Liga dos Campeões (2002/03) — de quem os rossoneri se despediram com uma frase emblemática quando deixou o clube: «Nas jogadas de Kaká haverá sempre algo de ti» — atualmente treinado por Ruben Amorim e com Gonçalo Ramos e Diego Moreira no plantel, todos antigos jogadores das águias, nunca venceu a competição, mas é dos emblemas de maior sucesso na Europa. São sete as Taças/ Ligas dos Campeões, duas Taças das Taças e cinco Supertaças continentais só para início da conversa.

O clube da Luz visita San Siro, o que faz disparar o grau de dificuldade, ainda que não se saiba ainda a data, que pode ter influência no rendimento do clube da Lombardia, ainda em fase de consolidação das novas ideias. O internacional português Rafael Leão estará, ao que tudo indica a caminho da Turquia, mas espera-se que, em sentido contrário, o mercado ainda traga mais massa crítica para que Amorim possa impor o seu modelo. Para já, os lusos Gonçalo Ramos e Diego Moreira, além do central Mario Gila, são os reforços mais sonantes.

Para o técnico português, depois do insucesso no Manchester United, a caminhada no Milan, que ainda assim é claro favorito ao apuramento direto, tal como os encarnados, poderá ter grande impacto na sua carreira internacional. O Milan, já se sabe, é um gigante adormecido, tal como são os red devils, ainda que por terras transalpinas talvez se torne mais fácil impor o sistema que lhe é tão querido: o 3x4x2x1.

Finalistas da taça dos Países Baixos pelo caminho

O AZ é o detentor da Taça dos Países, que conquistou diante de outro adversário do Benfica, o NEC. O conjunto de Alkmaar já não foi tão bem-sucedido na Eredivisie, terminando na 7.ª posição. Já os de Nijmegen fizeram bem melhor no campeonato, com o terceiro posto. 

Lee-Roy Echteld, técnico com larga experiência adquirida enquanto adjunto de Michael Reiziger, John Stegeman, Bert Kontelman e John van den Bron, antes de trabalhar na formação de jovens atletas no AZ e na seleção neerlandesa, é um adepto da pressão alta e da transição ofensiva, e ataca com apoio numa rest defence (ataque posicional seguro, que coloca os jogadores em posições favoráveis para a reação à perda) bem organizada a fim de que não seja surpreendido no contra-ataque. Assenta num 4x2x3x1 como ponto de partida. Kees Smit, um jovem médio ofensivo de apenas 20 anos, rotulado de novo De Bruyne, é a grande figura dos queijeiros, que estão a fazer um mercado modesto embora tranquilo. A venda do médio ofensivo Sven Mijmans para o PSV por €13M foi o melhor negócio no verão. O Benfica recebe os neerlandeses na Luz.

Dusan Tadic é um dos reforços do NEC

Já em Nijmegen, onde jogarão os encarnados, mora o 3x4x3 de Dick Schreuder, irmão e antigo adjunto de Alfred Schreuder, que prometeu muito no Club Brugge antes de fracassar no Ajax. O seu futebol hiper ofensivo, aliado a uma pressão sufocante, fez eco ao longo da última temporada, já depois de ter levado o PEC Zwolle e o Castellón a promoções de forma brilhante.

O NEC reforçou-se em experiência com o sérvio Dusan Tadic (37 anos, ex-Al Wahda), o turco Emre Mor (29, Fenerbahçe), e garantiu os empréstimos de Gabriel Brás, ex-FC Porto, e Almugera Kabar, jovem da formação do Dortmund. Por outro lado, teve perdas importantes, como as de Kodai Sano (médio japonês, PSV, por €15M) e Basal Onal (extremo turco, Lille, €12,5M).

Escoceses voltam a Lisboa

O Viktoria Plzen será também anfitrião das águias. Os checos foram terceiros no campeonato, atrás de Slavia e Sparta. Radoslav Kovac, antigo diretor desportivo do Sparta Praga, foi posteriormente adjunto de vários técnicos, entre os quais o italiano Andrea Stramaccioni, antes de assumir cargos de chefe de equipa no Taborsko, Pardubice e Slovan Liberec. Matej Vydra, avançado internacional checo de 34 anos, e o médio Lucas Cerv talvez sejam atualmente as principais referências. 

Longe de Parkhead e de Glasgow, o Celtic não é tão ameaçador e provou-o ao deixar fugir na Áustria uma vantagem de 4-0 para ser eliminado (da Champions) por 5-4 no prolongamento pelo LASK. Martin O’Neil saiu da reforma para tentar salvar o Nottingham Forest da descida e acabou a conseguir o milagre do título escocês no sprint final com o Hearts. Aos 74 anos, lidera uma equipa que parecia bem reforçada até mesmo para contexto europeu — Kasper Hogh (avançado, ex-Bodo Glimt), Camilo Durán (avançado, ex-Qarabag e também Estrela da Amadora, Lusitânia e Portimonense), Haissem Hassan (extremo, ex-Oviedo) e Mika Baur (médio, ex-Paderborn) —, porém não foi suficiente. Em sentido contrário, saíram o centrocampista Arne Engels para o West Ham, tal como Maeda para o Ipswich e Iheanacho para o Bursaspor. Os escoceses parecem bem ao alcance do Benfica, ainda mais por o jogo se realizar na Luz.

Os adeptos do Celtic, que prometerão certamente esgotar a cerveja e criar muita animação pelas ruas, regressam a Lisboa, um local mágico na sua história. Foi no Estádio Nacional, diante do Inter de Helenio Herrera, que os Lisbon Lions de Jock Stein conquistaram a única Taça dos Clubes Campeões Europeus da sua história, em 1967.

No Chipre, não na Grécia

Lech Poznan (casa), Omonia Nicosia (fora) e OFI Creta (casa) são os restantes adversários. O Benfica evita o ambiente hostil na Polónia e na Grécia, tal como o da Escócia, todavia vai a Chipre. Nada que se pareça com um trabalho de Hércules.

O dinamarquês Nils Frederiksen é o treinador do Lech. Começou a carreira no Lingby, no qual também foi diretor para o futebol, antes de trabalhar nos sub-20 e sub-21 do seu país. Levou o Brondby ao título, tal como o atual clube, e por duas vezes, conquistando também a Supertaça da Polónia. Ao seu dispor, tem dois portugueses: o lateral-direito João Pereira, com formação de FC Porto, e passagens por V. Guimarães, Ac. Viseu e Gil Vicente, entre outros; e o defesa-esquerdo João Moutinho, formado no Sporting, que vestiu a camisola dos Orlando Pirates e dos italianos do Spezia. O extremo-esquerdo hondurenho Luis Palma, contratado em definitivo ao Celtic, é o elemento mais perigoso, com o central Wojciech Monka, de apenas 19, a prometer outros voos.

Henning Berg, antigo central campeão pelo Blackburn e pelo Manchester United — o primeiro a festejar por duas equipas na Premier League — ainda treinou no seu país, Hungria e Polónia, tendo conquistado troféus pelo Legia, antes de se fixar em Chipre. É a segunda passagem pelo Omonia, que levou ao topo do futebol do país por duas vezes, tendo já treinado Pafos e AEK Larnaca. Ao serviço dos últimos conquistou mesmo a Taça. O atual campeão cipriota, habitualmente desenhado num 4x2x3x1, conta nos seus quadros com Fabiano, antigo guarda-redes de Olhanense e FC Porto, e ainda com Stefan Simic, defesa de 31 anos que chegou a representar o Milan.

Por fim, o OFI Creta de Christos Kontis, adepto do 3x4x3. Antigo adjunto de Ivan Jovanovic, Dan Petrescu e Oscar García, orientou ainda como chefe de equipa Volos, Panathinaikos e Al-Faya. Sexto na liga grega, atrás de AEK, Olympiakos, PAOK, Panathinailos e Levadiakos, mas vencedor da Taça diante do PAOK, o clube insular reforçou-se com o médio ofensivo espanhol Aitor Cantalapiedra, proveniente dos brasileiros do Vitória da Bahia. A sua força ofensiva está nos extremos, com Taxiarchis Fountas e o argentino Thiago Nuss a dar grande intensidade e largura aos ataques. Ilija Vukotic, antigo jogador de Benfica B e Boavista, deixou o clube no verão. O OFI privilegia a agressividade na recuperação da bola e defende de forma compacta. Nada que deva assustar, todavia, Marco Silva e companhia.

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