Mundial
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Mundial: porque é que estas seleções não usam as cores das respetivas bandeiras?
No futebol, a associação entre uma seleção e as cores da sua bandeira parece óbvia. Portugal joga de vermelho, o Brasil de amarelo e a Argentina de azul claro e branco. No entanto, várias nações adotaram equipamentos com cores que não constam nos seus símbolos nacionais, cada uma com uma história peculiar por trás da escolha.
Nos Países Baixos, o laranja é mais do que uma cor, é um estado de espírito. A oranjegekte (loucura laranja) toma conta do país em grandes competições, mas esta cor não figura na bandeira nacional, que é vermelha, branca e azul. A explicação remonta ao século XVI e a Guilherme de Orange, considerado o pai da nação, que herdou o principado de Orange, em França. A cor tornou-se um símbolo da monarquia e, por extensão, do país.
Apesar de o laranja ter sido substituído pelo vermelho na bandeira por ser mais visível no mar, o equipamento laranja perdura desde a sua estreia em 1907, mesmo que esta tenha sido marcada por uma pesada derrota... por 12-2, contra a Inglaterra.
Já a seleção japonesa, conhecida como os samurai azuis, enverga essa cor apesar de a sua bandeira ser branca e vermelha. A origem desta tradição está ligada a um evento universitário, em 1930. Nos Jogos do Extremo Oriente, em Tóquio, o país foi representado pela Universidade Imperial da capital, que usava equipamentos azul-celeste. A cor foi mantida e, em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, o Japão conseguiu a sua primeira vitória internacional contra a Suécia (3-2) vestido de azul. A superstição fez o resto.
Uma breve tentativa de usar o vermelho e branco, entre 1988 e 1992, resultou em fracassos desportivos, levando ao regresso definitivo do azul, que coincidiu com a conquista da Taça da Ásia em 1992.
Apesar de a bandeira australiana ser vermelha, branca e azul, os seus atletas, incluindo os futebolistas, apelidados de socceroos, bem como os jogadores de râguebi, os wallabies, competem de verde e amarelo. A razão é botânica: a acácia dourada (golden wattle) foi integrada no brasão do Commonwealth em 1901 como símbolo de unidade nacional.
Embora o verde e o amarelo só tenham sido oficializados como cores nacionais em 1984, os wallabies já as usavam desde 1928 e os socceroos desde o seu primeiro Mundial, em 1974.
Na vizinha Nova Zelândia, o desporto veste-se de negro: os all blacks no râguebi, os black caps no críquete e os tall blacks no basquetebol. A seleção de futebol, no entanto, joga de branco, sendo conhecida como os all whites. A escolha foi uma forma de se diferenciar da omnipresente cor negra.
Embora tenham começado por jogar de preto, foi durante a qualificação para o Mundial 1982, num jogo contra Taiwan, que a equipa usou pela primeira vez um equipamento totalmente branco, ganhando de imediato a alcunha que os distingue até hoje.
Fora do Mundial (pela terceira vez consecutiva), a seleção italiana joga de azul, em total contraste com a bandeira tricolor (verde, branca e vermelha): a explicação é monárquica. Em 1911, a seleção adotou o azul da Casa de Saboia como homenagem a Vítor Emanuel II, o primeiro rei da Itália unificada. O azul real tornou-se um símbolo de união para a jovem nação.
Mesmo após a abolição da monarquia em 1946, a cor permaneceu. Com quatro títulos mundiais conquistados (1934, 1938, 1982 e 2006), ninguém considerou necessário mudar a cor da camisola.